domingo, 19 de outubro de 2008

SELEÇÃO BRASILEIRA 2

Pois é... e pela terceira vez consecutiva a seleção brasileira ficou no 0x0 jogando em casa. Antes de jogo com a Colômbia, o mesmo já tinha acontecido nos jogos contra Bolívia e Argentiva. Quando uma seleção que se diz a melhor do mundo fica 3 jogos consecutivos em casa sem marcar um único gol sequer, é sinal que a coisa está errada.

E olha que a Colômbia não ficou totalmente fechada atrás, como se esperava. Quem recuou no começo do jogo foi exatamente o Brasil, tentando conseguir algumas jogadas da forma que mais tem funcionando ultimamente: os contra-ataques. Mas nem assim conseguimos algo. Kaká e Robinho não renderam nada, não havia aproximação entre os jogadores, poucas jogadas de linha de fundo, o jô saindo muito da área para buscar o jogo (como é que um cara desses pode ser titular da seleção? - ainda bem que ainda temos Luis Fabiano e Adriano!), e por aí vai.

É verdade que fica complicado montar um time com tantos desfalques por contusão (Luis Fabiano), suspensão (Adriano) ou mesmo definicência técnica (Ronaldinho). É complicado também ainda não termos encontrado laterais que assumam de vez a posição desde a saída de Cafu e Roberto Carlos. Mas, se com esses não funciona, por que não tentar outros? O Dunga deve estar achando que convocou o Kléber que jogava no Corinthians em 2003, que claramente não é o mesmo de hoje. Josué ainda dá uma força na marcação, mas sem a mesma efetividade de 2005 no São Paulo. E por aí vai... um time com jogadores que não são mais nem os melhores na posição (não que os outros disponíveis sejam muito melhores, mas por que não tentar?), sem padrão de jogo, dependendo de uma jogada individual ou de espaço pra jogar nos contra-ataques.

Mas o que mais me irrita é a postura do Dunga. É um ar de arrogância e superioridade que não dá para aceitar. Como ele consegue defender o trabalho depois dessa sequência de resultados? Dizer que é injusto criticar quando o país está em segundo lugar nas elimitórias ("parece que estamos em último", nas palavras do próprio) é no mínimo achar que somos cegos. Por que não uma postura mais humilde? Não precisa jogar a culpa na queda do nível técnico dos jogadores, mas pelo menos assuma que as coisas não estão bem e há necessidade de tentar algo diferente. Concordo que algumas atitudes de ordem disciplinar ou de "privilégios" (tanto para jogadores quanto para "terceiros") foram bem tomadas e eram necessárias, mas insistir que o trabalho técnico está no caminho certo é uma piada.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

COMENTÁRIOS SOBRE A SELEÇÃO BRASILEIRA

A seleção brasileira de futebol venceu a Venezuela hoje por 4x0, em San Cristóbal. Até aí, tudo normal, é o que tem acontecido sempre que vamos jogar lá nas eliminatórias - sempre vencendo com goleada. Para alguns, especialmente os defensores do Dunga, é mais uma coincidência que demonstra que seu trabalho não deixa a desejar em relação aos trabalhos de outros técnicos (Parreira, Felipão, Luxemburgo), que sofreram nas eliminatórias, nas sempre golearam a Venezuela na última rodada (tudo bem que hoje ainda era apenas o final do primeiro turno) e acabaram se classificando. Mas para mim algumas coisas são sintomas de que não é bem assim. Posso até estar exagerando, mas vamos lá:

1) Por mais incrível que pareça, havia certa preocupação com esse jogo. Não era visto como 3 pontos garantidos. E isso por causa da derrota para os venezuelanos naquele amistoso em Boston há alguns meses. Isso mesmo: a VENEZUELA CAUSOU PREOCUPAÇÃO! Nem adianta vir com aquela história de que "não tem mais bobo no futebol mundial" - não nesse caso. Como diria um certo colunista americano que costumo ler: "Senhoras e Senhores, a Era Dunga!"

2) A cena da bandeira brasileira sendo queimada por torcedores venezuelanos me deixou abismado, inconformado. Imaginem se, durante o tal amistoso em Boston, aparecesse uma bandeira venezulena sendo queimada na arquibancada por espectadores americanos... qual seria a reação do Hugo Chavez? No nosso caso, entendo que nosso "líder" Lula teria obrigação de, no mínimo exigir um pedido de desculpas para seu "amigo" Chavez. Obviamente, isso não vai acontecer, o que é mais que lamentável.

Voltando ao jogo, os Venezuelanos cairam na besteira de, empolgados com a vitória naquele amistoso, tentar jogar de igual pra igual e fizeram exatamente o que o time do Dunga mais queria: deixar o contra-ataques à disposição. E foi assim que construimos a goleada. Pelo amor de Deus, por mais que o Kaká, vencedor do último prêmio de melhor mundo, seja realmente o grande jogador brasileiro e realmente faz a diferença no time, se empolgar com uma vitória dessa é realmente um exagero. Após o jogo já ouvi comentaristas e repórteres voltando a exaltar o trio Robinho-Kaká-Adriano, que reencontrou o futebol da Copa das Confederações de 2005, e coisas do tipo. Calma aí! Vamos ver o que acontece na quarta-feira, contra uma Colômbia que fatalmente se apresentará toda retrancada, não dando o espaço que o Brasil encontra fora de casa. Lembrem-se do que aconteceu após a última vitória contra o Chile, fora de casa e o jogo seguinte, em casa, contra a Bolívia.

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domingo, 5 de outubro de 2008

MANNY BEING MANNY

Tirei a foto ao lado no SkyDome, estádio dos Blue Jays, equipe de baseball de Toronto. Se visualizarem a foto ampliada, perceberão um círculo numa das portas amarelas do nível superior dos espectadores (ao lado das janelas que ficam ao redor do placar eletrônico). Quando visitava o estádio, o guia explicou que o Home Run mais longo da história do estádio fez com que a bola entresse naquele porta. E foi batido por Manny Ramirez.

Manny Ramirez certamente é uma das figura mais curiosas e fantásticas na história do baseball. Sem um dúvida um dos maiores rebatedores de todos os tempos. Comecei a acompanhar baseball em 1995 e naquele ano, os Indians chegaram a World Series, quando foram derrotados pelo Atlanta Braves. Virei simpatizante dos Indians desde então. Em 1997, a equipe voltou à World Series e esteve a apenas 3 eliminações de vencer o campeonato depois de 50 anos, mas colapsou no 9th inning e permitiu o empate do Florida Marlins, que venceria aquele jogo 7 no 11th inning.

Naquela época, Manny já fazia chover, mesmo à sombra de Jim Thome, a estrela do time. A partir de 1995 (estreiou na liga em 1993) até 2000 (em 2001 foi negociado com o Boston Red Sox), apresentou estatísticas espetaculares: mais de 30 HR e 100 RBI em todos os anos, com exceção de 1997, chegando a impressionates 44 HR's e 165' RBI em 1999. Nos anos de Red Sox sempre manteve o mínimo de 30 HR's e 100 RBI's, ajundando o time a sair da fila de 86 anos e sendo eleito o MVP da World Series de 2004. Sempre foi um dos rebatedores mais temidos pelos arremessadores (média sempre próxima ou superior a 30%), que às vezes precisavam de até 10, 11 ou 12 arremessos para eliminá-lo (quando isso era possível - em grande parte das vezes ele alcançava as bases com rebatidas ou walks).

Esses números justificam com sobras o adjetivo "fantástico". Quanto ao "curioso", temos que recorrer ao seu comportamento. Algumas "manias":

- Tinha uma coreografia diferente de "high-fives" para cada companheiro de time quandos os mesmos voltavam para o dogout (banco do baseball, onde os jogadores esperam sua vez de rebater);
- Tinha uma rotina de arrumar o boné quando ia pegar uma fly-ball no left field... a bola chegando e ele ajeitando o boné... a torcida temendo que ele não pegaria a bola - sempre pegava e sorria como uma criança;
- Ao rebater uma bola que seria um Home Run, abria os braços para o alto por algum segundo, dava alguns passos lentos e depois começava a correr. E os arremessadores não levavam a mal - era só Manny being Manny.
- Já pelos Dodgers, nesse ano, ele pregou uma peça no repórter da FOX, quando serviu de tradutor para a entrevista do Angel Berroa, que supostamente não falava inglês... quando o repórter percebeu que estava sendo enganado, Manny e Berroa pareciam crianças rindo da travessura.

E por aí vai... não importava qual era a importância do jogo, podia ser oppening day, um jogo qualquer numa segunda-feira à tarde ou um jogo decisivo de playoff ou World Series. Manny sempre parece estar se divertindo. No ano passado, quando os Red Sox perdiam para os Indians por 3x1 na ALCS, Manny fez uma declaração polêmica, dizendo que não tinha importância, não dava pra ganhar sempre, dando a série como perdida. No início, todos acharam um absurdo, já que a série não tinha acabado, mas depois passaram a dizer que era apenas "Manny being Manny". Os Red Sox viraram a série para 4x3, foram para a World Series e ganharam o segundo título em quatro anos.

Durante todo esse tempo, todos aceitavam as manias de Manny... sejam as molecagens ou mesmo os lances em que ele "economizava", ou seja, não se arriscava mergulhando no chão para fazer um catch, ou a falta de velocidade para chegar às bases após uma rebatida simples, etc., desde que continuasse com as estatísticas incríveis e trouxesse as vitórias. Para facilitar a compreensão, procurei algum jogador de futebol conhecido para compará-lo. Incialmente pensei que esse perfil que eu descrevi se encaixaria muito no do Romário - deixa ele ir para a balada, deixa ele "passear" com a mulher durante a Copa do Mundo, no final ele garante o bixo do time.

Mas pensando bem, acho que a comparação correta é com Garrincha... obviamente, não presenciei a era Garrincha, mas já li e vi muita coisa sobre o Mané (Mané/Manny? - sim, ambos se chamam "Manuel"!!!!). Romário era mais na malandragem, Garrinha, mais na inocência - são clássicas as hitórias da Copa de 1958, quando ele perguntou, após a final, quando começaria o segundo turno, ou então quando comparão uma das seleções ao time do São Cristóvão. Ao final da World Series de 2004 (fim do jejum dos Red Sox), Manny e Johnny Damon passaram a se intitular como "um bando de idiotas que gostavam de jogar baseball" - e os caras pareciam mesmo um bando de "cabeças-ocas".

Pois Manny Ramirez deixou os Red Sox nesse ano, no limite do prazo para transferências, sendo negociado numa troca que envolveu também Pittsburgh Pirates, e acabou nos Los Angeles Dodgers. Sua saída foi controversa - muitos dizem ele forçou a saída, começando a fazer corpo mole e dando declarações dizendo que queria sair. Os dirigentes e alguns membros da mídia passaram a dizer que ele não respeitava mais o jogo (nesse caso, a comparação com Romário poderia ser mais correta). Saiu como o vilão da história.

Mas algumas coisas indicam que pode não ter sido bem assim. Bill Simmons fez um artigo entitulado "Manny being manipulated" no qual indica uma série de considerações que mostram que ele pode não ser esse vilão que foi desenhado. O principal fato é que Manny contratou um novo agente nesse ano (Scott Boras, que parece não ter uma boa reputação em termos de "escrúpulos" na hora de ganhar dinheiro com as comissões dos contratos milionários de seus jogadores). E nesse ano vencia seu contrato com os Red Sox, que tinham a opção de prolongá-lo de forma automática por mais 2 anos (20 milhões de dólares por ano). Se isso acontecesse, a comissão iria para os antigos agentes de Manny, que haviam fechado esse acordo, enquanto Boras não receberia NADA. Além disso, a direção do time usou alguns atos eventualmente duvidosos por parte do jogador (corpo mole, mau companheirismo) para justificar a necessidade de deixá-partir, mas não aplicou nenhuma punição (multa, suspensão, etc). Por que? Porque eram as mesmas coisas que Manny costuma fazer o tempo todo, desde que foi contratado em 2001.

Boras também é agente de outras estrelas dos Red Sox (Jason Varitek, JD Drew e Daisuke Matsuzaka). Foi o responsável pela vinda de JD Drew, dos Dodgers para Boston em 2006. Ou seja, é possível que os donos do Red Sox não tenham achado uma boa idéia "brigar" com Boras, que já havia ajudado o time antes e que poderia prejudicá-lo no futuro. Possível complô para transfeir a responsabilidade apenas para o lado mais fraco?

É verdade que devemos ler o artigo considerando que Simmons é fanático pelos Red Sox e que, conforme ele mesmo escreveu, está tentando não acreditar que Manny possa ter forçado a saída de forma premeditada. Provavelmente eu faria a mesma coisa se houvesse caso parecido entre o São Paulo e o Rogério Ceni, assim como os palmeirenses num eventual caso Marcos/Palmeias. É verdade também que os números de Manny depois da transferência melhoraram sensivelmente: em 100 jogos pelo Boston, bateu 20 HR's e 68 RBI, rebatendo 29,9%. Em praticamente a metade disso (53 jogos) pelos Dodgers, seus números foram: 17 HR's e 53 RBI's, com aproveitamento de 39,6% no bastão - grande melhora não? A teria do corpo mole ganha força, não? Mas vale dizer que os números de antes da transferência era MUITO bons e, mantendo a média, se aproximariam dos números das temporadas anteriores. Isso e as muitas informações e fatos do artigo fazem pensar que Manny pode realmente ter sido manipulado por uma (Boras) ou mesmo pelas duas partes (Boras e Red Sox).

Fato é que a questão dos agentes/empresários nos esportes afetando decidões de atletas e futuro de equipes é cada vez mais presente. Podemos pensar no histórico da dupla Robinho/Wagner Ribeiro, por exemplo, lembrando das saídas tumultuadas do Santos e agora do Real Madri. Acho que a analogia perfeita é essa: imaginem Garrincha nos tempos atuai tendo Wagner Ribeiro como representante - o que poderia acontecer? Na minha opinião, sendo Romário ou Garrincha, pensaria MUITO antes de abrir mão de jogadores como eles no meu time, mas atualmente, infelizmente, a corrida pelo dinheiro e a presença de "profissionais" com cada vez mais influência nos jogadores tem falado mais alto.

Os Red Sox foram "assombrados" com a teoria da maldição do Babe Ruth após a sua venda para os Yankees em 1919 - ficaram sem títulos por 86 anos. Agora, deixam Manny Ramirez partir e não será surpresa se ele aparecer em NY no ano que vem (o contrato que ele fez com os Dodgers só vai até o final dessa temporada). Nova maldição? Apesar de não acreditar nessa história de maldição - afinal a melhor coisa que aconteceu para Babe Ruth foi ele ter ido para os Yankees, onde se transformou num dos maiores jogadores de todos os tempos, logo, o que o faria querer assombrar o time Boston? - as coincidências fazem pensar. E a tal nova assombração pode chegar mesmo antes dessa possível transferência de manny para os Yankees.

Manny teve atuação excelente na série dos Dodgers frente aos Cubs na NLDS (aproveitamento de 50% no bastão, 2 HR's e 3 RBI), sem falar na participação decisiva na sequência que que definiu o jogo 1 (e talvez a série): no 5th inning, o jogo estava 2-0 para os Cubs. Manny no bastão, com 2 strikes, 0 balls, 2 jogadores ocupando bases e 2 jogadores eliminados. Passou a defender a zona do strike como faz um maestria e conseguiu um walk, enchendo as bases. Na sequência, James Loney bateu um Grand Slam Home Run, virando o placar para 4-2. Tivesse Manny sido eliminado, a história do jogo e da série poderia ter sido outra.

Manny e os Dodgers estão na NLCS e podem chegar a World Series enfrentando exatamente... o Boston Red Sox! Como escrevi nos posts anteriores, ainda acho que os Tampa Bay Rays vencem a AL, mas que seria sensacional poder ver o que aconteceria nos jogos de Manny no Fenway Park CONTRA os Red Sox, ah, seria!

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It DID NOT Happen... again!

"It's Gonna Happen.". Esse era o slogan extra-oficial do Chicago Cubs durante este ano. No meu último post de previsão sobre os playoffs da MLB fiz a previsão de que os Cubs passariam com certa facilidade pelos Los Angeles Dodgers, já que chegavam com a melhor campanha da National League (97-65), enquanto o time de LA se classificou com uma campanha com apensas 52% de vitórias (84-78). E aconteceu exatamente o contrário: ontem à noite os Dodgers fecharam a série em casa por 3x0, após terem vencido os dois primeiros jogos no Wrigley Field em Chicago. E querem saber? Foi fácil!

(Antes que comecem a dizer que não acerto uma, até agora Red Sox (2-0), Rays (2-0) e Phillies (2-1) vão vencendo suas séries, conforme eu havia previsto.)

Somando os 3 jogos o placar total foi 20-6. Os ditos melhores jogadores dos Cubs foram um desastre: Alfonso Soriano terminou as séries com 1-14 no bastão. Aramis Ramirez, 2-11. Geovany Soto, 2-10. Sem falar os inúmeros erros, walks e falta de constância dos arremessadores.

Impressionante o que acontece com os Cubs nos playoffs. Pelos segundo ano seguido, foram varridos dos playoffs (perda da série sem nenhuma vitória). Somando a aparição de 2003, são 9 derrotas seguidas em partidas da pós-temporada.

E a fila continua... desde 1908 sem títulos. Eu não imaginava que eles venceriam nesse ano também, mas achava que tinham uma boa chance de chegar a World Series. Enquanto isso, os Dodgers, com a campanha medíocre na temporada regular, estão revigorados pela presença de Manny Ramirez (escrevo mais sobre ele no próximo post). Há pouco mais de um mês, tinham menos vitórias do que derrotas e atravessavam uma fase de 8 derrotas seguidas. Hoje? A caminho da World Series... e com uma chance razoável de ser contra os Red Sox, o que significa 2, 3 ou até 4 jogos de Manny Ramirez no Fenway Park.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

PLAYOFFS DA MAJOR LEAGUE BASEBALL

Outubro é sinônimo de Playoffs da MLB (pelo menos para os americanos e aqueles que acompanham o baseball). Neste ano, uma novidade: pela primeira vez em muito tempo os New York Yankees não conseguiram uma vaga, o que deveria me deixar muito feliz, já que meu sentimento pelos Yankees é bem parecido com aquele que tenho pelo Corinthians. Mas confesso que acho que os playoffs perdem um pouco a graça sem o time do Bronx. É muito mais divertido poder mandar torpedos para meu amigo Vitor Ohtsuki (torcedor fanático dos Yankees)após uma eliminação nos playoffs. Vocês não têm idéia de como eu me diverti em 2004 quando os Red Sox fez aquela virada na ALCS (American League Championship Series), saindo de 0-3 para 4-3 e ganhando a World Series após 86 anos. E isso considerando que nem torcedor dos Red Sox eu sou, sou torcedor do Cleveland Indians - mas é melhor não começar com esse assunto, se bem que no ano passado o prazer de ver os Indians eliminando os Yankees na ALDS (American League Divisional Series) foi impagável.

Mas vamos esquecer os Yankees. Entre os classificados nesse ano, temos, na AL: Boston Red Sox (95-67), Tampa Bay Rays (97-65), Los Angeles Angels(100-62) e Chicago White Sox (89-74). Os Angels venceram 100 jogos,melhor campanha de toda a MLB, mas numa divisão muito fraca. Os White Sox se classificaram no sufoco, tendo que jogar uma partida tudo ou nada na última segunda-feira contra o Detroit Tigers, precisando vencer para empatar com o Minnesota Twins na liderança da AL Central e forçar o jogo extra nesta terça-feira, quando venceram por um magro 1x0. Tampa Bay e Boston travaram uma batalha incrível pela liderança da fortíssima AL East, mas os Rays não chegaram a deixar a liderança em nenhum momento, conseguindo vencer duas séries contra os Red Sox em setembro, uma em casa e outra fora.

Na National League, temos Chicago Cubs (97-64), Philadelphia Pillies (92-70), Milwaukee Breewers (90-72) e Los Angeles Dodgers (84-78). Os Dodgers, que agora contam com Manny Ramirez, adquirido durante a temporada junto ao Boston Red Sox, conseguiram se classificar com uma campanha de 84 vitórias em 162 jogos (aproveitamento de 52%). E na liga mais fraca. Para se ter uma idéia, se estivessem na AL East, ficariam em 5º lugar, atrás do Toronto Blue Jays (4º lugar da divisão com 86 vitórias). Os Phillies conseguiram mais uma vez ultrapassar os Mets na reta final da temporada e venceram a NL East. E os Breewers entraram como Wild Card.

Pensando em prognósticos, pode acontecer muita coisa. Observando os palpites dos “experts” da ESPN.com, vemos que na verdade TUDO pode acontecer. Para a World Series, os executivos das TV’s e os patrocinadores fariam qualquer coisa para ter uma série entre Chicago Cubs e Boston Red Sox - a audiência seria recorde, considerando a popularidade do Red Sox e a história dos Cubs que nesse ano completam 100 (isso mesmo – CEM!) anos de fila sem títulos. Seria legal também uma série entre Red Sox e Dodgers, com todo o foco no Manny Ramirez (que iria continuar achando que estaria jogando amistosos sem valor) e também no Joe Torre, Manager dos Dodgers após muitos anos de Yankees. E por que não uma série entre Chicago Cubs e Chicago White Sox, num ano em que um Senador negro de Illinois pode se tornar presidente?

Há alguns anos (acho que em 2002), eu e mais alguns amigos do Bolão NBA resolvemos fazer um bolão dos playoffs da MLB. Demos nosos palpites para as Divisional Series e, por coincidência, todos apostaram nos mesmos times, mas com diferentes placares das séries. TODOS erraram TODOS os palpites. Cancelamos o bolão imediatamente. Mesmo com esse histórico, como palpiteiro de plantão e agora blogueiro, não posso deixar de dar os meus palpites pra esse ano. Quem quiser, fique à vontade para palpitar nos comentários:

ALDS:

Red Sox 3x1 Angels – Os Red Sox varreram os Angels nos playoffs do ano passado. E não estou convencido da campanha dos Angels numa divisão tão fraca.

White Sox 0x3 Rays – Depois que tiraram o “Devil” do nome, boas coisas começaram a acontecer para o time de Tampa. Coincidência? Provável que sim, mas com muita competência.

NLDS:

Brewers 1x3 Phillies – CC Sabathia têm começado muitos jogos com pouco descanso. Foi assim que os Indians colapsaram no ano passado na ALCS contra os Red Sox. E acho que vai ser assim que os Breewers vão morrer na praia, no jogo 4.

Cubs 3x0 Dodgers – Tradição não vai faltar, mas os Cubs têm a melhor rotação de arremessadores e o melhor Bull Pen.

ALCS:

Rays 4 x 3 Red Sox – A condição física do Josh Becket ainda preocupa. E a constância dos Rays ao longo do ano me deixou bastante impressionado. Muitos analistas mantém a teoria que, na hora que realmente interessa, a inexperiência do time de Tampa vai falar mais alto. Não me convenci disso – vamos ver.

NLCS:

Cubs 4x2 Phillies – Não consigo imaginar Philadelphia na World Series.

World Series:

Rays 4 x 2 Cubs – Lamento, fãs dos Cubs, mais um ano na fila. Não é por que os Red Sox deixaram a fila de 86 anos em 2004 e os White Sox deixaram a fila de 88 anos em 2005 que virou festa. E esse time dos Rays está me cheirando algo parecido com o time do Florida Marlins de 1997.

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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

ANÁLISE DO QUADRO DE MEDALHAS

Para (finalmente!) finalizar os posts sobre os Jogos Olímpicos de Pequim, gostaria de fazer algumas observações sobre a questão do quadro de medalhas. O fato é que oficialmente, não existe uma competição entre países definida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) – nunca houve declaração de que “o país campeão dos Jogos Olímpicos é: _____”. Porém, todos costumam apresentar o quadro de medalhas como se fosse uma classificação dos jogos, o que os países levam muito a sério. Vejam o caso da China: fez um mega investimento nos atletas para, em casa, conquistar mais medalhas de ouro do que os Estados Unidos, missão cumprida com folgas (51x36).

Porém, nem sempre o critério “maior número de medalhas de ouro” é o critério considerado. Os próprios americanos (possivelmente por conveniência) utilizam o critério de maior número de medalhas conquistadas, o que os colocariam à frente dos chineses nos jogos de 2008 (110x100).

Qual é o melhor critério (por melhor, entende-se mais justo e que realmente indica qual país tem o melhor desempenho esportivo)? A discussão é complicada e dificilmente se chega a alguma conclusão. Levando em conta o caso de considerar o maior número de medalhas, podemos utilizar um exemplo extremo de que um país que conquiste 20 medalhas de bronze possa ser colocado à frente de um país que tenha conquistado 19 medalhas de ouro. Justo? Óbvio que não! Por outro lado, lembremos das Olimpíadas de Sidney, quando o Brasil terminou no quadro de medalhas com 6 medalhas de ouro e 6 medalhas de bronze, ficando atrás (no critério de maior número de ouros) de Moçambique, Colômbia e Camarões, que tiveram uma única medalha de ouro cada. Também é óbvio que o desempenho do Brasil foi melhor.

Meu amigo Balu (ele de novo!) fez uma análise bem completa e detalhada - RECOMENDO A LEITURA! - de diversos critérios sugeridos mundo afora. Há sugestões até de medalhas em relação ao PIB, área ou população de cada país – tudo para relativizar e tentar equilibrar as desigualdades das diferentes grandezas. Apesar de interessantes para determinadas análises, não os considero relevantes do ponto de vista esportivo – onde o que interessa é realmente quem tem mais conquistas. Dos critérios que mexem com o número de medalhas, destaco 2 possibilidades:

1) Dar pesos diferentes para as medalhas poderia ser uma saída – como peso 5 para as medalhas de ouro, 2 para as de prata e 1 para as de bronze. Só seria necessário tentar definir (se é que isso é possível) quantas pratas equivalem a um ouro e quantos bronzes equivalem a uma prata ou a um ouro. Os pesos 5, 2 e 1, respectivamente, parecem bem razoáveis,talvez podendo ser 7, 2 e 1 - acho importante valorizar os campeões olímpicos.

2) Considerar o total de atletas medalhistas. Nesse caso, os Estados Unidos levaram vantagem em Pequim, com 125 atletas dourados contra 74 da China. Essa idéia valoriza com certa justiça as modalidades coletivas. Exemplificando: o Brasil teve 1 medalha de ouro computada para o César Cielo, que para conquistá-la (de forma mais do que brilhante, emocionante e merecida, é bom frisar), precisou nadar uma eliminatória, uma semifinal e a final. Já o Vôlei Feminino, que também teve computada UMA medalha de ouro, precisou de 12 atletas disputando 8 jogos ao longo da competição. Temos 2 campeões olímpicos? É verdade que comparar regras e formas de disputa de modalidades diferentes é complicado, mas, no meu modo de ver, são 13 campeões olímpicos. Outro exemplo: Michael Phelps teria 8 ouros para si, mas os Estados Unidos teriam computados 14 ouros, considerando os 2 revezamentos. Aí me perguntam: pô, mas só no futebol seriam 18? Já disse antes que, na minha opinião, futebol não combina com Olimpíadas, e espero que a FIFA decida retirar a modalidade dos jogos.

O que eu não gosto é utilizar, para as Olimpíadas, o critério que competições universitárias utilizam, no qual cada modalidade tem o mesmo peso. Nesse caso, o Atletismo, com todas as suas 47 medalhas de ouro, seria considerado equivalente ao basquete, por exemplo, com apenas 2. Aí já seria socializar demais a coisa e mascarar a realidade. Vejam esse modelo elaborado no UOL Tablóide. Imagino meus pais tentando interpretar e acompanhar esse raciocínio.

Concluindo, num mundo perfeito, entendo que poderíamos ter um misto de critérios: peso para cada tipo de medalha, mas considerando o número de atletas de cada conquista. Mas a compreensão por boa parte da população (sem preconceito) não seria das mais fáceis. Isso seria um problema? Talvez... o povo brasileiro já tem que conviver com um sistema eleitoral para o legislativo que é muito mais complicado. Então, por que não?

Enquanto isso, entendo que o principal é que cada país faça uma análise criteriosa do seu desempenho, ao contrário do que fez o Sr. Carlos Arthur Nuzman. Que interpretou o resultado brasileiro cada hora com um critério diferente para tentar justificar um discutível sucesso nos jogos. Usou o critério total de medalhas para indicar que o Brasil ficou em 17º, com 15 medalhas, mas usou o critério maios número de ouros para dizer que ficamos na fente de Cuba (3 ouros contra 2 dos cubanos, mas 15 medalhas contra 24 dos cubanos na soma total), entre outras distorções. Beira ao ridículo.

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terça-feira, 30 de setembro de 2008

BASQUETE 3 - “O” MELHOR DO MUNDO

Ainda há quem questione o fato de que Kobe Bryant seja o melhor jogador do mundo. Também acho um tanto exageradas as comparações que o colocam como o “novo MJ”, embora ache que ele é o que mais se aproxima de Michael Jordan. E digo isso após vê-lo de perto por alguns jogos. Se eu fizesse a seguinte experiência: pegar o chinês da foto ao lado (ele ganha uns trocados tirando fotos com turistas na saída da Muralha), o qual eu DUVIDO que conheça qualquer coisa de basquete (no máximo já ouviu falar no Yao Ming), colocá-lo sentado ao meu lado no ginásio, pedir para observar o aquecimento do time, e perguntar a ele no final qual deles ele achava que era o melhor jogador de todos, a chance de ele apontar para o Kobe seria de uns 95%. Estava lá para quem quisesse ver: a concentração, a postura, a liderança, a seriedade no aquecimento, a expressão de estar se preparando para algo especial.

Lebron e D-Wade são fantásticos, sem dúvida, cada um no seu jeito. D-Wade lembra o jovem MJ talvez ainda mais do que o Kobe, no sentido de assumir o jogo quando precisa e resolver de uma forma que parece fácil – fez isso nas finais da NBA em 2006, quando ganhou o campeonato jogando quase que sozinho. Kobe não teve essa oportunidade, pois nos seus primeiros anos da NBA, mesmo no tricampeonato dos Lakers, ainda era o coadjuvante do Shaq. Já Lebron, esse é um fenômeno da natureza. Antigamente se dizia que ou se era rápido, ou se era grande. Ou se era forte ou se era habilidoso. Lebron consegue ser tudo isso ao mesmo tempo – é a versão rápida e habilidosa do Shaq, quando quer é completamente imparável. Só é um verdadeiro "mala" durante o aquecimento: fica zanzando pela quadra, conversando com a comissão técnica, fazendo piada com os companheiros, dando uma ou outra enterrada para agradar a torcida, olhando para o público... coisa de moleque.


Mas Kobe consegue combinar tudo isso: quando quis ser um excelente defensor, conseguia anular o melhor jogador adversário. E, quando a coisa apertou, adivinhem para quem a bola foi dada? Quando a Espanha diminuiu a diferença para 2 pontos, já último quarto do jogo, O Coach K pediu um tempo. Imaginem a pressão sobre o time. E imaginem que na quadra estavam 4 caras (Kobe, Lebron, D-Wade e Chris Paul) que SEMPRE recebem a bola em seus times quando a coisa aperta. E a jogada foi feita para o Kobe, que fez uma jogada de força, habilidade e equilíbrio, marcando uma cesta quase caindo, seguido por uma bola de 4 pontos (sofreu a falta enquanto arremessava uma bola certeira de 3 pontos). Game over para a Espanha e para a discussão sobre quem é o melhor jogador de basquete do mundo.

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BASQUETE 2 – OS MELHORES DO MUNDO

Os Estados Unidos reconquistaram o posto de melhores do mundo – coisa que não conseguiam desde os jogos de 2000, em Sidney. De lá pra cá, foram derrotados nos mundiais de 2002 (6º lugar) e 2006 (3º lugar) e nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 (3º lugar). Dessa vez conseguiram o comprometimento de um grupo de jogadores que participaram de um programa que se iniciou em 2005 e culminou com a conquista da medalha de ouro em Pequim.

É verdade que a diferença para as outras equipes é bem menor do que era em 1992, ano do Dream Team. Argentina e Espanha estão muito próximas e deram MUITO trabalho em Pequim. Mas quando os melhores jogadores se comprometem e querem ganhar, fica difícil de segurá-los. E nessas horas a individualidade fez a diferença. Na semifinal contra a Argentina, começaram arrasadores, abrindo 20 pontos já no primeiro quarto, jogando coletivamente. Quando o Manu Ginobili saiu machucado, todos acharam que a coisa se transformaria num massacre. Mas aconteceu o contrário - a Argentina reagiu e equilibrou o jogo, mantendo a diferença na casa dos 10 pontos. Mas a diferença física e a disponibilidade de mais jogadores de ponta – leia-se 12 caras de mesmo nível, quando os outros times tinham no máximo 5 ou 6 – prevaleceram. O mesmo aconteceu na final contra a Espanha, conforme eu já havia escrito antes.

Aliás, falando nisso, volto ao assunto imprensa e comentaristas esportivos. Os comentaristas de basquete do Sportv, especificamente Bira Belo e Miguel Ângelo da Luz são ESPECIALMENTE RUINS. Impressionante a falta de compreensão do contexto das coisas. Eles repetiram várias vezes que os reservas americanos vinham jogando melhor que os titulares... até batizaram os reservas de “tropa de choque”, pois pegavam um jogo equilibrado, melhoravam a defesa e abriam as diferenças enquanto os titulares não conseguiam fazer o mesmo. Só esqueceram de falar que os titulares, quando em quadra, precisavam enfrentar os melhores 5 jogadores dos adversários, que formavam times fantásticos, especialmente no caso da Argentina (Prigioni, Ginobili, Nocioni, Scola, Oberto) e da Espanha (Rick Rubio, Navarro, Gasol, Reyes e Jimenez). Os “reservas" americanos (Chris Paul, Deron Williams, Tyshawn Prince, D-Wade e Chris Bosh – um timaço por si só) jogavam contra os reservas dos adversários, turbinados no máximo com Carlos Delfino na Argentina e Rudy Fernandez no caso da Espanha, ou então com titulares já mais cansados que eram obrigados a ficar mais tempo em quadra.

Voltando ao assunto do post, quando o jogo final acabou, um fato demonstrou que o programa começado em 2005, com o comprometimento de um grupo de jogadores zigalionários que abriram mão de 3 verões consecutivos para se dedicar à seleção, realmente funcionou. Do excelente artigo de Bill Simmons sobre o jogo, (cujo link eu já havia postado aqui):

"I could tell that at the final buzzer, when 12 filthy rich grown-ups began to celebrate like Little Leaguers. No posturing, fake crying or rehearsed dance routines, just hugging and more hugging. We wanted a selfless team that cared. We wanted a team to come through when it mattered. We wanted one unforgettable game. We got all of it."

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BASQUETE 1 – EVOLUÇÃO TÁTICA

(Esse é o primeiro de 3 posts para encerrar o assunto Basquete em Pequim.)


O Basquete é uma modalidade que parou de evoluir taticamente faz algum tempo. O que se tem são “escolas” de formas de jogo, das quais as principais são a do Leste Europeu (nascida na antiga Iugoslávia), que se caracteriza pelo jogo mais cadenciado e coletivo e a Americana, que prioriza a velocidade e a individualidade. Fora disso, somente algumas variações que utilizam um misto das duas - talvez por isso que Argentina e Espanha, que conseguem oscilar entre os dois citados, com predominância do europeu, são países que têm se dado tão bem ultimamente.

O que se viu em Pequim foram seleções se mantendo em sua forma tradicional de jogo, mas realizando sempre uma de duas coisas: ou o famoso “corta-e-tira”, ou seja, o jogador com a bola tenta penetrar na defesa com o drible e, ao perceber a ajuda do lado oposto, solta a bola para um jogador aberto, o que resulta num arremesso livre, normalmente de 3 pontos, ou o pick’n’roll no topo do garrafão, normalmente entre um dos pivôs e o armador, para tentar desequilibrar a defesa e forçar uma ajuda, o que também resulta num passe para alguém que ficou livre. Só o Brasil, com seus técnicos ultrapassados, continua com aquele negócio de dezenas de jogadas e movimentações complicadas que muitas vezes só confundem a cabeça dos jogadores e resulta em arremessos desequilibrados e fora de hora. Será tão difícil entender que o que precisamos é um sistema de jogo que possibilite fazer o mais simples?

O problema é que muitas vezes se via um festival de arremessos de 3 pontos em todos jogos. Chegamos ao extremo no jogo entra Argentina e Grécia, nas quartas-de-final, quando AMBOS os times arremessaram mais bolas de 3 pontos do que bolas de 2 pontos.

Até a seleção dos Estados Unidos também passou a jogar um pouco mais no estilo europeu, graças a presença de um técnico universitário, que trouxe a cultura de jogo mais coletivo e cadenciado. Mas não deixou de utilizar a velocidade dos contra-ataques e as individualidades – afinal de contas, estamos falando de um time que contava com Kobe, Lebron e D-Wade!


Com isso, tínhamos de um lado Lituânia e Grécia encabeçando as seleções que jogavam no estilo puramente europeu, com jogo extremamente cadenciado – era comum que os times utilizassem 22, 23 segundos dos 24 disponíveis de posse de bola antes de realizar o arremesso. Dava gosto de ver a movimentação coletiva das equipes, mas ambas ficaram pelo caminho. As medalhas ficaram exatamente com Estados Unidos, Espanha e Argentina, que também apresentaram um jogo coletivo muito forte, mas que conseguiam dosar momentos de velocidade e individualidade (os americanos com mais intensidade).

Algumas mudanças nas regras estão previstas para o final de 2009, como o aumento da distância da linha de 3 pontos em 50cm e a introdução do semi-círculo no meio do garrafão dentro do qual não poderá ser marcada a falta de ataque (como na NBA). Espero que essas mudanças ajudem a mudar um pouco o panorama tático da modalidade.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

LIU XIANG

Tirei a foto ao lado dentro do maior shopping da Rua Wangfuging, a "Rua das Compras" de Pequim. São "réplicas" do Liu Xiang, campeão olímpico em Atenas 2004 na prova dos 110m com barreira. Virou herói nacional desde então e acho que só perdia para o Yao Ming em termos de importância. Réplicas como essa estavam espalhadas por toda a cidade, mesmo considerando que o uniforme de corrida dele não estivesse a venda.

Depois de 2004 ele passou a ganhar provas seguidas, até aparecer o cubano Dayron Robles, que bateu seu recorde mundial em junho deste ano. Havia uma expectativa de um duelo espetacular em Pequim, mas Liu Xiang não conseguiu competir, devido a uma inflamação no tendão-de-aquiles direito. A lesão já o vinha incomodando por algum tempo, o que fez com que ele se poupasse durante esse ano para manter o foco nos Jogos Olímpicos. Mas durante os treinos e até no aquecimento para as eliminatórias a lesão voltou a incomodá-lo. Ainda foi para a pista do Ninho de Pássaro, tentou uma largada, mas sua dor se transformou na dor dos milhares de chineses que lotava o estádio e dos outros milhões em todo o país. deixou a pista e o estádio sem tentar a segunda largada.

Minha amiga Priscila Koo estava no estádio e registrou o momento em uma sequência de fotos que ela mesma entitulou, em seu blog, de "chocante" e "frustrante".

Obviamente, a galera da Teoria da Conspiração começou a falar em amarelada, considerando o fato de que a pressão era imensa, tendo havido até um comentário do presidente da China de que, se ele não ganhasse a prova em casa, tudo o que ele havia feito até então não valeria mais nada. E, considerando a fase que o Robles atravessava, a chance de derrota era bem razoável.

Não gosto dessa versão. Prefiro acreditar que ele tentou competir até o limite, chegando a tirar o agasalho e tentar uma largada. Não aparecer alegando a contusão seria pior, com certeza. Uma pena que um dos duelos mais esperados dos jogos, que pararia o país inteiro, acabou não acontecendo.

Robles venceu a final com folga, cravando 12"93, sem precisar se esforçar.

Preocupa também o futuro de Liu Xiang. Não se sabe se ele se conseguirá se recuperar, pois ele tem um osso calcâneo diferente em relação às outras pessoas, que é mais saliente, o que torna seu amortecimento mais difícil. Não se sabe o que acontecerá com ele, nem com seu contrato com a Nike (cuja maior parte vai para o governo chinês, como é o caso de quase todos os atletas chineses, com exceção do Yao Ming, que conseguiu uma cláusela de exceção quando foi para a NBA). Esperemos que Liu Xiang se recupere.