sábado, 15 de maio de 2010

Agora vai?

Após a classificação sofrida contra o Universitário do Peru e o mau futebol apresentado, praticamente todos os torcedores do São Paulo que eu conheço já consideravam como provável a desclassificação para o Cruzeiro nas quartas-de-final da Libertadores. Obviamente, esse sentimento foi facilitado pela desclassificação do Corinthians nas oitavas-de-final (pausa para relembrar e curtir mais uma vez esse fato ..............................................................................................................................................................
........................................... pronto!), que tirou a pressão da possibilidade de ter que aguentar um eventual título (sim, eu sei que é imposível) alvi-negro.

Após o jogo contra o Universitário tivemos a confirmação da contratação do Fernandão (sábado). Na segunda-feira, uma fatalidade muito triste que provacaria o desfalque de Miranda no jogo contra o Grêmio, devido ao falecimento de sua irmã. Na terça-feira, surge a notícia de que o time jogaria no 3-5-2, com Alex Silva, Xandão e Richarlysson formando o trio de zagueiros, além da garantia da estréia de Fernandão, com a ida de Washington para o banco. De repente, por uma fatalidade, é bom que se diga, pois não acredito que o Ricardo Gomes mudaria o esquema tático se o Miranda estivesse liberado para o jogo, tínhamos a formação tática que mais deu certo no São Paulo nos últimos 6 anos, mais um atacante notadamente mais inteligente e habilidoso do que o Washington. Já era motivo para aumentar a ansiedade para o jogo e esquecer um pouco o clima de pessimisto que imperava.

Durante o jogo começamos a perceber a primeira diferença: tínhamos um atacante que conseguia dominar uma bola, acertar passes, com visão de jogo, que estava jogando para o time e não esperando que o time jogasse para ele, reclamando quando isso não acontecia. Xandão voltou a mostrar que realmente é um ótimo zagueiro. Hernanes, como segundo volante, jogando na posição que mais rende. Até Cicinho, com menos responsabilidade de marcação, já que tinha alguém cobrindo a direita, ameaçou boas jogadas pela direita com Marlos e Hernanes. Junior César, pasmen!, correndo e marcando com vontade.

Sofremos uma baita pressão do Cruzeiro, é verdade, especialmente no segundo tempo, e contamos com a sorte quando o chute do Roger bateu caprichosamente nas duas traves. Mas voltamos a sentir um time jogando perto do que esperamos: defesa eficiente, meio-de-campo consciente e ataque preciso nos dois gols. Ainda não estou "de bem" de Dagoberto e Marlos, mas está claro que com Fernandão ajudando os dois podem render mais. E, o principal: o time correndo com vontade, não desistindo de nenhuma bola - Junior Cesar salvando a bola que estava entrando e o Marlos marcando com vontade na lateral direita foram emblemáticas - e com aquela cara de Libertadores. É bem possível que o time também tenha sentido as vaias do último jogo e tenha percebido que a torcida estava desistindo da Libertadores. Entrou em campo o chamado fator "Ninguém acredita em nós", muito citado pelo Bill Simmons ao comentar confrontos, especialmente da NFL.

Não devemos achar que tudo está resolvido com apenas uma boa atuação. Mas foi uma vitória maiúscula. E  que nos dá uma perspectiva muito boa.

Agora, volto a falar diretamente com nosso técnico, aproveitando para lançar a campanha proposta pelo meu amigo Berber: "Ricardo Gomes, não invente: sai Ricky e entra Miranda. Só isso. O time é esse, no 3-5-2."

Vai tricolor! Benvindo Fernandão!

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Mensagem para o meu time

Alex Silva e Rodrigo Souto, obrigado por continuarem a se matar em campo, mesmo jogando junto com caras que não mereceriam tamanha dedicação. Sério, vocês são os poucos dos quais não posso falar nada de mau.

Rogério Ceni, você é e sempre será ídolo. Sei que chegar aos 100 gols na carreira será fantástico, mas seu aproveitamento nos pênaltis tem caído muito. Deixe para bater pênaltis nos jogos que estivermos ganhando de 2x0 do Atlético-GO no Morumbi. Mesmo assim, sua reação após a perda do pênalti foi daquelas coisas que somente atletas diferenciados são capazes: assumiu a responsabilidade, procurou a concentração e foi pegar 2 pênaltis consecutivos. E ainda continua nos dando toda a tranqüilidade do mundo no gol. Você é um monstro. E, pensando melhor, bata todos os pênaltis que você quiser, você tem inúmeros créditos... mas treine um pouco mais, OK?
 
Hernanes e Miranda, acreditem no que estou dizendo: vocês são bons DEMAIS. É fato que vocês já poderiam estar jogando na Europa e garantindo suas próximas gerações em termos financeiros. É fato também que vocês poderiam estar às vésperas de serem convocados para disputar uma Copa do Mundo. Se essas coisas não aconteceram vocês têm uma parcela enorme (senão integral) de responsabilidade. E só vocês poderão reverter esse quadro. Quando vocês querem, vocês são craques. Voltem a querer.

Jorge Wagner, andei comprando muita briga por sua causa. Ainda não desisti de você e continuo com minha convicção dos últimos 3 anos, que quando você e o Hernanes jogam bem o São Paulo dificilmente deixa de ganhar um jogo. Me responda uma coisa: você não treina mais cruzamentos e cobrança de escanteios?

Richarlysson, melhor não dizer nada... posso ser processado.
 
Cicinho, você não está em 2005. A torcida te adora por tudo o que fez, mas você está nos enganando. Não é possível que você tenha desaprendido a jogar... quero acreditar que você só se esqueceu e precisa ser relembrado. Entre em forma e treine muito. Só então se coloque a disposição do técnico. Não prejudique a imagem que você construiu nesse time 5 anos atrás.

Junior Cesar, quando você estava no Fluminense eu morria de medo das suas arrancadas pela esquerda. Às vezes ainda vejo alguns lampejos do que você fazia em 2008, mas está cada vez mais raro. Você está perdendo uma chance de ser reconhecido na posição mais carente do futebol brasileiro. Você tem ciência disso? Sério?

Jean, para você poderia valer o mesmo comentário que fiz para o Rodrigo Souto e para o Pirulito. Mas você não está jogando. Uma pena que você esteja na reserva de um ex-lateral-em-atividade. Pena mesmo.

Marcelinho Paraíba, antes de mais nada, obrigado por não chutar o pênalti no Santo Paulo Bar. Se você tivesse feito isso, eu teria entendido. Você teve toda a razão de ficar irritado por ter entrado somente aos 46 do segundo tempo para bater pênalti. Mas, você pode me explicar o que aconteceu entre sua saída do Coritiba e sua chegada ao São Paulo? Deixou o futebol e a condição física em Curitiba? Só se passarem 2 meses! Minha cabeça dói.
 
Por isso somos obrigados a agüentar vocês, Dagoberto, Marlos e Fernandinho. Sorte de vocês que não estou escrevendo logo após o final do jogo, se estivesse escrevendo na saída do Morumbi, seria impublicável. Vocês não conseguem acertar um passe na entrada da área. Vocês têm dificuldades para levantar a cabeça quando estão dominando a bola. Um reclama do outro quando a bola não chega. Acham que jogar bem contra Monte Azul e Botafogo de Ribeirão Preto é alguma coisa. Vocês possuem deficiência técnica, para usar um termo menos forte. Sabem o que a gente faz quando se tem deficiência técnica e se comete tantos erros? A gente treina... e treina muito. Mas vocês acham que são craques... então estou desistindo de vocês.

Washington, graças aos três aí de cima sou obrigado a achar que você tem que jogar (que heresia!). Mas não se anime muito. O Fernandão está chegando (acho) e sua postura me irrita demais. Você deveria agradecer aos céus todos os dias por conseguir estar em um time como o São Paulo, mesmo com todas as suas limitações. Ao invés disso, joga de forma burra e reclama com o técnico quando não joga. Falando no técnico...
 
Ricardo Gomes, quando todos os jogadores vieram te abraçar após a vitória nos pênaltis, eu percebi que eles gostam de você. Mas me preocupou, e muito, quando na entrevista,o Rogério Ceni comparou seu estilo ao estilo do Oswaldo de Oliveira. Tenho a mesma linha de raciocínio do meu amigo Batata, que diz que o resultado bom ou ruim é fruto da execução, ou seja, dos jogadores. Mas quando a execução não funciona, é função do técnico perceber o que está errado e corrigir. E você tem peças (jogadores) suficientes para corrigir. É função do técnico conhecer e compreender os jogadores que tem à sua disposição e montar o esquema que aproveite ao máximo essas peças. Não adianta chegar com um esquema pronto e fazer todos se adaptarem ao seu esquema, isso só adianta se o esquema for realmente diferenciado, se você tiver a habilidade para envolver os jogadores a aceitá-lo e ter o melhor jogador do mundo à sua disposição. Mas você não é o Phil Jackson. Por isso, você tem que entender o que tem nas mãos, montar o esquema baseado nisso, convencer os jogadores a fazer o que você quer e condicioná-los (T-R-E-I-N-A-M-E-N-T-O) para isso. É função do técnico fazer os jogadores trabalharem nas suas deficiências. Me responda com sinceridade: Marlos, Dagoberto e Fernandinho treinam passes, tabelas, lançamentos curtos? A impressão que eu tenho é que eles só fazem um tipo treinamento: driblar uma fila de cones, de cabeça baixa. Você sabia que nos jogos os cones de movimentam e podem roubar a bola? Ontem durante o primeiro tempo estava claro que levávamos vantagem no jogo aéreo após alguns cruzamentos. Você coloca o Washington, tira o Jorge Wagner e pede para o time colocar a bola chão e tentar entrar tocando dentro da área? Com um quarteto que é incapaz de acertar dois passes seguidos?

Volte ao básico: Richarlysson e Cicinho não podem ser escalados. Dagoberto, Marlos e Fernandinho só podem voltar ao time se começarem a acertar tabelas, passes e lançamentos curtos. Será que Marcelinho Paraíba não tem mesmo condição? Não conseguimos fazer gol em 180 minutos no Universitário do Peru, jogando até com 4 atacantes. Pra que insistir com eles? Não temos atacantes com qualidade para jogar com a bola no chão do jeito que estamos tentando, não insista. Volte a acertar o sistema defensivo, com 3 zagueiros (Xandão já mostrou que tem muito valor). Jean na direita e Junior Cesar na esquerda (ambos correm muito, pelo menos). Rodrigo Souto e Hernanes de volantes (onde o “10” realmente rende). Jorge Wagner e Marcelinho soltos e Washington (na falta de outro) tentando uma ou outra finalização. Volte a treinar cruzamentos, lances de bola parada e chutes de fora da área. Não vamos tomar gol e temos alguma chance de marcar, coisa que não está acontecendo com os 3 picaretas que jogaram ontem. Nesse esquema o Muricy ganhou 3 brasileiros, você também é capaz de conseguir alguma coisa.

O pior de tudo é que temos alguma chance de ganhar a Libertadores, considerando os adversários. Estamos entre os 8 e não precisamos ser melhores que os outros 7, precisamos ser melhores que apenas 3: o adversário das quartas-de-final, o da semifinal, e o da final. Mas se você insistir no rumo atual das coisas, não passaremos nem do Cruzeiro.


Ainda sobre o horário do futebol...

Só pra deixar registrado:

- Jogo do São Paulo contra o Once Caldas, ainda na primeira fase da Libertadores, às 21h50: 50.000 pagantes.

- Jogo do São Paulo contra o Universitário do Peru, oitavas-de-final da Libertadores, ou seja, mais importante, às 19h30: 43.000 pagantes.

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domingo, 25 de abril de 2010

Olho nos Spurs

Antes da temporada começar indiquei o San Antonio Spurs como meu candidato ao título. Durante a temporada parecia que o time estava sentindo o peso da idade e que não teria gás para buscar o quinto título em 11 anos. Depois do jogo de ontem, parece que a tática de preservar os jogadores pode dar certo.

Depois de perder o primeiro e vencer o segundo jogo em Dallas, contra os Maverics, os Spurs começaram bem o jogo 3 e pareciam estar com o jogo sob controle até o início do terceiro quarto, quando lideravam por 8 pontos e Manu Ginobili recebeu uma cotovelada (totalmente involuntária) no nariz em um lance onde foi ajudar na marcação de Dirk Nowitzki. Saiu de quadra com o nariz sangrando e muito torto, foi para o vestiário e voltou minutos depois com um curativo e com as narinas cheias de algodão. Durante esse tempo, os Maverics conseguiram uma sequência de 17-2 e passaram a comandar o placar. Ginobili voltou pro jogo como se nada tivesse acontecido (será que Jacob estava no vestiário e deu uma mãozinha?) e colocou os Spurs de volta a liderança com algumas infiltrações, mesmo com o risco de receber novos contatos no nariz QUEBRADO. Um guerreiro e um monstro. Marcou 11 pontos no último quarto.

Os Spurs recuperaram a liderança e confirmaram a vitória, graças aos arremessos de Tony Parker no final do jogo. Agora lideram a série por 2-1 e têm mais um jogo em casa, nesse domingo para tentar a vantagem de 3-1.

Falando em Greg Popovic, ontem ficou muito claro a diferença de nível dos técnicos que estavam na quadra. Gosto do técnino dos Mavs, Rick Carlisle, mas a diferença é gritante: Carlisle tem com característica não deixar o jogo seguir quando o adversário começa um "run" (marcação de vários pontos seguidos do mesmo time). Pede tempo após seu time tomar a segunda ou, no máximo, a terceira cesta seguida. Durante o terceiro quarto, no run de 17-2 dos Mavs, o técnico dos Spurs fez exatamente o contrário: deixou o jogo seguir, sem pedir tempo. Ginobili voltou e aí foi a vez dos Spurs começarem um run. Carlisle pediu tempo após a segunda cesta seguida dos Spurs. E não adiantou nada, o comando do jogo já havia voltado para as mãos dos donos da casa.

Pra mim isso mostra a diferença entre os técnicos, entre quem tem o time completamente nas mãos e quem precisa intervir o tempo todo. Popovic tem o time completamente nas mãos e o time consegue sair de situações difíceis por si só. Só conheço outro técnico que o mesmo perfil: Phil Jackson. Será coincidência que os dois conquistaram 8 dos últimos 10 títulos da NBA?

Minha opinião é que o jogo 4, amanhã em San Antonio, vai decidir a série. Uma vitória dos Spurs levará à vantagem de 3-1 na série e não acredito que os Maverics, a segunda melhor campanha do Oeste, consigam reverter e vencer 3 jogos seguidos do time de Greg Popovic.

E eu não gostaria de enfrentar os Spurs nas próximas fases dos playoffs...
 
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domingo, 18 de abril de 2010

NBA: Hora dos Playoffs

Na temporada de 99/00 os Lakers venceram 67 jogos na temporada regular e conquistaram o primeiro dos três títulos seguidos com Kobe e Shaq. Na temporada seguinte (00/01), venceram 56 jogos (11 a menos), mas são considerados o melhor time da NBA nos últimos 10 anos. Por que? Porque nos playoffs venceram 15 jogos e sofreram uma única derrota (para os 76ers no jogo 1 das finais, numa atuação histórica de Allen Iverson), após 3 varridas sobre Portland, Sacramento e San Antonio. A dominância da dupla Kobe-Shaq atingia seu ápice.

Na temporada passada os Lakers venceram 65 jogos e conquistaram o título. Nesse ano? 57 vitórias (8 a menos). O discurso de Phil Jackson nas últimas semanas vem sendo que o importante é preservar as pernas nos jogadores (especialmente Kobe, que ficou de fora de vários jogos) para uma nova arrancada nos playoffs. No meu preview da temporada eu comentei que os pontos de interrogação dos Lakers eram muitos (Lamar Odon, Ron Artest, Phil Jackson) e, para piorar as coisas, Andrew Bynum está voltando de mais uma contusão. Resta esperar que o planejamento do Zen Master visando apenas os playoffs, abrindo mão do mando de quadra nas finais caso enfrente Cleveland ou Orlando, que terminaram com melhores campanhas que os Lakers, funcione, como funcionou em 2001.

Voltando às minhas “previsões de antes da temporada”:

PRINCIPAIS ACERTOS:

- Lakers e Cavs liderando as conferências (nenhum mérito por isso).

- A boa campanha dos Mavericks.

- O domínio dos 4 primeiros times do leste (Cavs, Magic, Hawks e Celtics).

- A classificação do Oklahoma City Thunder para os playoffs (deixnado os Rockets de fora).

- A confirmação de Kevin Durant como um dos principais cestinhas da liga. Durant não só venceu a disputa com Lebron James, como se tornou o mais jovem cestinha da história (21 anos), com média de 30,1 pontos por jogo. Estarei no mundial da FIBA em setembro e, saber que há o risco de que Lebron, Kobe e D-Wade podem não estar lá não preocupa tanto, considerando o quão ansioso estou para ver Kevin Durant joagando ao vivo e in loco.

- Lebron James será o MVP pela segunda vez consecutiva e de uma forma incontestável.

INTERROGAÇÕES DE ANTES DA TEMPORADA:

- Shaquile O’Neal: as melhores fases dos Cavs foram com Shaq fora do time. Agora, está voltando de contusão para os playoffs. O principal motivo de sua contratação foi a necessidade de alguém para encarar Dwight Howard no provável encontro entre Cleveland e Orlando na final do Leste. Como suporte para Lebron, vale a aposta. De quebra, os Cavs ainda agregaram Antawn Jamison, dos Wisards, no meio da temporada. Agora eles têm opções de variações táticas que não tinham no ano passado. É a última tentativa de conquistar um título comLebron e tentar segurá-lo no final da temporada, quando acaba seu contrato. São os favoritos.

- Vince Carter: apesar de alguns bons momentos, ainda acho que será lembrado como um tiro no pé do Orlando Magic e vai ajudar contribuir para a derrota contra o Cleveland na final do leste (se não fizer isso já série contra o Atlanta na segunda fase dos playoffs);

- Kevin Garnet: eu havia dito que se ele estivesse totalmente recuperado os Celtics seriam os favoritos para vencerem o leste. Pois é, KG não voltou bem fisicamente e, juntando com a catastrófica contratação de Rasheed Wallace, os Celtics parecem mais um catadão sem condições de irem muito longe.

- Manu Ginobili e Tim Duncan: Até 2/3 da temporada os Spurs jogavam com o freio de mão puxado. Tiveram uma ótima arrancada no último terço da temporada (especialmente Ginobili), mas deram azar de enfrentar logo o Dallas Mavericks na primeira fase dos playoffs, provavelmente o pior match up que poderiam ter. Eu apostaria neles contra qualquer time do Oeste, menos Dallas e Lakers. Parece que é o final da linha para um dos dois grandes times dos últimos 10 anos.

(somem os dois últimos parágrafos e a minha previsão para uma final entre Spurs e Celtics vai completamente pelos ares)


OS ERROS NAS PREVISÕES

Erros, parte 1 - as surpresas.

- Phoenix Suns: e não é que Steve Nash, aos 36 anos, ainda conseguiu nos dar mais uma temporada como as de 2005 e 2006, quando ganhou os 2 prêmios de MVP? Os Suns voltaram a jogar em velocidade, conquistaram a terceira melhor campanha do oeste e são o time com o melhor "momento" entrando nos playoffs.

- Milwaukee Bucks: esse eu não sei de onde veio. Mesmo com a contusão de Michael Redd, se transforamam em um time de playoff , não fosse a contusão de Andrew Bogut, poderiam ter terminado com a quinta campanha do leste e com chances reais de eliminar os Celtics na primeira rodada dos playoffs.

- Chalotte Bobcats: a chegada de Stephen Jackson e a evolução de Gerald Wallace ao nível de All Star levaram o time de Michael Jordan (o dono) a ser temido por todos. Vão dar muito trabalho para o Orlando Magic.

Erros, parte 2- as decepções:


- Washington Wizards (leia-se Gilbert Arenas)
- New Orleans Hornets (leia-se a contusão de Chris Paul)


OS PRÊMIOS

As barbadas (não tenho coragem de indicar outros):

- MVP: Lebron James (Cleveland Cavaliers)
- Defensive Man of the Year: Dwight Howard (Orlando Magic)
- Sixth Man of the Year: Jamal Crawford (Atlanta Hawks)

Os não-barbadas (possivelmente nenhum desses será premiado):

- Coach of the Year: Scott Skiles (Milwaukee Bucks)
- Most Improved Player: Marc Gasol (Memphis Grizzlies)
- Rookie of the Year: Tyreke Evans (Sacramento Kings) - foi o quarto rookie da história a terminar a temporada com médias de pelo menos 20 pontos, 5 rebotes e 5 assitências. Os outros 3? Michael Jordan, Oscar Robertson e Lebron James.


OS PLAYOFFS

Uma pena que algumas contusões vão prejudicar um dos possíveis playoffs mais imprevisíveis dos últimos tempos: Brandon Roy (Blazers), Andrew Bogut (Bucks) Andrei Kirilenko (Jazz), Robin Lopez (Suns). Meus palpites:
 
LESTE
 
#1 Cleveland Cavaliers 4, #8 Chicago Bulls 0 - Lebron James está em uma missão.
#2 Orlando Magic 4, #7 Charlotte Bobcats 2
#3 Atlanta Hawks 4, #6 Milwaukee Bucks 1 - com Andrew Bogut a série iria a 7 jogos
#4 Boston Celtics 4, Miami Heat 3 - vou apostar na experiência contra o show de um homem só.
 
OESTE
 
#1 LA Lakers 4, Oklahoma City Thunder 1 - sensacional duelo entre Kobe e Kevin Durant. Mas a falta de experiência será fatal para o Thunder.
#2 Dallas Mavericks 4, #7 San Antonio Spurs 3 - uma pena que um dos 3 melhores times do Oeste tenha que ser eliminado já na primeira fase. A melhor série da primeira fase dos playoffs.
#3 Phoenix Suns 4, #6 Portland Trail Blazers 1 - com Robin Lopez jogando apostaria na varrida (considerando a ausência de Brandon Roy)
#4 Denver Nuggets 4, #5 Utah Jazz 3 - antes da contusão de AK47, estava apostando no Jazz. Mas sua ausência, mais a situação de Carlos Boozer (não está 100%), me faz apostar em Carmelo Anthony e cia., mesmo sem o técnico George Karl e com Kenyon Martin voltando de contusão.
 
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segunda-feira, 12 de abril de 2010

MAIS UMA LIÇÃO DO ESPORTE

Nesse final de semana conheci um casal de amigos do meu grande amigo olímpico Marcelones (a versão personificada da ONU). John e Lisa, ele americano e ela canadense, estão viajando o mundo, patrocinados pelo Comitê Olímpico Internacional, procurando respostas para a pergunta "Why Sport Matters?" ("Por que o esporte é importante?"). Eles já passaram pela África, estão finalizando a passagem pela América do Sul e agora estão rumando para a Oceania, voltarão para a África do Sul (não podem deixar a Copa do Mundo passar em branco), Ásia e Europa (Grécia e Turquia). Deixo a indicação do site do projeto: http://www.whysportmatters.com/. Conheço muita gente que adoraria estar no lugar deles.

E ontem tivemos mais uma resposta (das muitas possíveis) para a pergunta do projeto, em Augusta, na Geórgia (EUA), onde foi concluído mais um Masters de golfe, o torneio mais tradicional da PGA. O assunto da semana foi a volta de Tiger Woods aos campos, após quase 5 meses de afastamento devido ao escândalo de sua vida particular, quando foi revelado que ele possuia mais de uma dezena de amantes, enquanto passava a imagem de um homem de família, com mulher e filhos. Enquanto Tiger tentava cuidar de seu problema (chegou a se internar em uma clínica para tratar seu vício em sexo, acreditem!), o eterno número 2 do ranking, Phil Mickelson, tentava cuidar de um outro problema, mais sério: o tratamento do câncer de mama de sua esposa, Amy, mesma doença pela qual sua própria mãe também já havia passado. Deixou de competir em diversos torneios e chegou a perder a posição no ranking.

No Masters, que foi disputado nos últimos quatro dias, ambos estavam presentes e todos os olhares estavam em Tiger (afinal, era o retorno de um dos maiores atletas de sua geração, e não estou falando apenas de golfe), que foi muito bem, apesar dos 5 meses de ausência das competições, terminando com 11 tacadas abaixo do par, incluindo o score de 69 (quanta ironia!) no domingo. Mas esse resultado foi suficiente apenas para a quarta colocação. Phil Mickelson brilhou e conquistou o Masters pela terceira vez (havia ganho em 2004 e 2006) com 16 tacadas abaixo do par do campo. Os deuses do esporte olharam na direção do bom marido. Não costumo postar textos inteiros nesse espaço, mas o texto de Rick Reilly, da ESPN.com, é brilhante. Chamo a atenção para o último parágrafo:

"Soon enough, though, Woods will win tournaments like this, pass Nicklaus, and order will be restored in the universe. But for this one Sunday in a flower-stuffed pocket of Georgia, the good husband, the good son, the good man actually got rewarded."
("Em breve, Woods vencerá torneios como esse, ultrapassará Nicklaus (o recorde de títulos em Majors), e a ordem será restabelecida no universo. Mas para esse no Domingo, em uma porção florida da Georgia, o bom marido, o bom filho, o bom homem foi recompensado").



Mickelson's win a victory for women

AUGUSTA, Ga. -- It's not often women win the Masters, but they did Sunday.

Actually, Phil Mickelson won, but for millions of women around the country, it must feel like a lipstick-sized victory. Mickelson, in case you forgot, is the guy who stayed true to his wife. He's the guy who's been missing tournaments the last 11 months while he flies her back and forth to a breast cancer specialist in Houston. He's the guy who didn't need reminding that women are not disposable.

Mani-pedis for everybody!

Also winning Sunday: karma, which proved to be alive and well. And guys who never had a temper in the first place. And endings that make you wipe your tears on the couch pillows.

Mickelson is the guy whose heavy head on the bed pillow lately wasn't self-inflicted. Both his wife, Amy, and his mother, Mary, have breast cancer. Usually, those two are at every tournament he's in, but for the last year they've been fighting, resting, and fighting again at home. And Mickelson has gone back to his rented homes alone.

So when Amy turned up on the 18th green Sunday at Augusta National for the first time in 11 months and Mickelson practically fell into her outstretched arms, you wanted to hug somebody yourself. Mickelson hugged and cried. And his wife hugged and cried. And his coach and his caddy hugged and cried. And 10 minutes later, the caddy was still crying.

"This is way beyond golf," said caddy Jim "Bones" Mackay, who's been with Mickelson for 19 years. "This is about a guy who loves his wife. This is about a guy who had a really hard year. Twenty years from now, nothing will compare with this. This is his greatest win, by far. Because of Amy, because of his mom, everything. God bless all those women that go through what Amy and Phil's mom have gone through. Because I've seen it and it ain't easy."

"Of all the majors I've been involved in," said Mickelson's coach, Butch Harmon, "be they with Tiger, Phil, anybody, this is the most emotional by far. This year has been a big, big strain on him. His game has suffered. What he really wanted was to be home with his family."

You figured a guy who came into this Masters having played only seven tournaments this year -- and never placing better than eighth in any of them -- would have a snowball's chance. But something melted in him when his wife and three kids showed up for the first time in nearly a year on Tuesday.

"He just had this peace to him that I haven't seen in awhile," said Bones.

Amy was still hurting, so she wasn't able to come to the golf course, but it was close enough. Each morning, Mickelson would take his oldest, Sophie, to a local coffee shop and play chess for an hour. At night, the whole brood would watch dumb movies. Mickelson came through that door each night after work like it was Christmas morning. You don't know how dispiriting it is to come home after a long day to a strange, empty house. Come to think of it, maybe Tiger knows.

"It's been tough," Mickelson said. "The meds that she's been taking have been very difficult and she didn't feel well and she doesn't have energy and she's not just up for a lot. But to have her here, man …"

Mickelson stopped by for a hug with his wife Amy.

Amy Mickelson is the kind of walking rainbow that could put a smile on a mortician's face, so when she showed up, everything started looking up. The golf gods started raining favors down on Mickelson's curly hair. On Saturday, golf balls started going into tiny little cups from great distances. Sunday, it got even better:

At 9: ball hits tree, bounces back into fairway. Par.

At 10: ball hits tree, bounces back into playable territory. Par.

At 11: ball hits fan, bounces into short, happy grass. Par.

"Got an assist there," Mickelson said.

Did the guy say anything?

"Ouch?" Mickelson guessed.

The big lefty took it from there.

At 12: looked into his "book of reads" for the 20-foot putt -- the green-studying book that Bones and he spent "days and days" putting together on a trip this year to Augusta -- and buried it. Birdie.

At 13: pulled off the most audacious, swashbuckling shot of his life at 13 -- from the right woods, off pine straw, through two trees (4 feet apart), over Rae's Creek, from 207 yards, to 3 feet. Two-putt birdie.

At 15: smashed an 8-iron from 205 yards -- yes, 8-iron to 15 feet for a 2-putt birdie.

Suddenly, the guy who'd spent a career being eaten alive by Woods had left him 5 shots behind. It was only a matter of lag for par, lag for par, 10-foot birdie and get the Kleenex ready.

"I saw Amy just before I putted," Mickelson said. "That was so great. I mean, I didn't know if she would be there. To walk off the green and share that with her is just very, very emotional. We'll remember this [for] the rest of our lives."

Contrast that with Woods, who spent the week reverting to form -- acerbic answers, sprayed swear words, and curt interviews. He finished fourth, which shows that the golf game is very close. The personality makeover, though, looks like it needs some work.

Soon enough, though, Woods will win tournaments like this, pass Nicklaus, and order will be restored in the universe. But for this one Sunday in a flower-stuffed pocket of Georgia, the good husband, the good son, the good man actually got rewarded.

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

SOBRE O HORÁRIO DOS JOGOS DE FUTEBOL

Aproveitando o gancho do Balu sobre o assunto do horário dos jogos noturnos em São Paulo, assunto que tem sido muito discutido na mídia recentemente, resolvi dar a minha opinião também. Eu gosto muito (muito mesmo!) de futebol e vou a todos os jogos importantes do São Paulo no Morumbi (por importantes entenda-se todos os jogos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro e os clássicos do Campeonato Paulista). Sou proprietário do passaporte tricolor (nosso “season tickets”) pelo segundo ano consecutivo. Em outras palavras, futebol é realmente importante para mim.

Mas acho que às vezes essa “importância” do futebol ultrapassa alguns limites além do que deveria. O Balu citou uma frase que é muito falada pelo Milton Neves (não sei se ele é o autor da frase ou não): “O futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes”. Concordo plenamente. O problema é que pra muita gente passa a ser uma das coisas mais importantes entre as mais importantes. O maior exemplo de que essa importância é extrapolada é a ação dos torcedores que se “profissionalizam” na atividade de torcer. Fico completamente inconformado quando vejo notícias de que torcidas “organizadas” (de qualquer time) invadem treinos para cobrar o time por maus resultados. Esse pessoal não tem mais nada para fazer numa segunda-feira à tarde? Não trabalha? E o que lhes dá o direito de invadir um ambiente de trabalho, que é o que os treinos são, para causar tumulto?

Encaro futebol como mais uma alternativa de lazer. Deixadas as proporções de lado, é como o cinema, o teatro, um show de rock ou até um programa de TV. Se é bom (ou mesmo importante), quero assistir, se não é, não faço questão. Se eu estiver presente e não gostar, tenho todo o direito de vaiar e reclamar, pois estou pagando pelo ingresso. Mas invadir os treinos vai além do meu direito de consumidor. Se o espetáculo ficar constantemente ruim ou deixar de ser atrativo por qualquer outro motivo, simplesmente deixo de ir. Não vou invadir um set de filmagens ou um estúdio de gravação para cobrar os artistas.

Em São Paulo a discussão do momento é um projeto de lei que foi aprovado na Câmara dos Vereadores e vetado pelo prefeito Gilberto Kassab (provavelmente por questões políticas) que queria proibir que os jogos terminassem após as 23h15. O argumento é que o horário dos jogos às 21h50 (“após a novela da Globo”) é a causa da queda de público nos estádios: o cidadão não vai ao estádio nesse horário porque, quando o jogo acabar, lá pela meia-noite, não terá como voltar para casa utilizando transporte público ou então terá mais risco de ser uma vítima da violência urbana. Concordo que faz sentido, mas confesso que não consigo aceitar que alguns órgãos da mídia estejam fazendo uma campanha tão intensiva em cima desse assunto. Sou ouvinte assíduo e antigo da Rádio Jovem Pan AM, mas quando seus editoriais sobre o assunto começam (e são repetidos várias vezes ao longo do dia), mudo de estação imediatamente, ficou muito chato e repetitivo, além de parecer que uma catástrofe vai acontecer se a mudança não acontecer. Já cansei de ver jogos às 20h30 com tão pouco público quanto os jogos das 21h50. Tenho certeza que o que faz a diferença é a qualidade e a importância de determinado jogo e que o impacto do fator horário é muito menor do que se anda dizendo por aí.

Os clubes de futebol têm quatro principais fontes de receita (em alguma ordem): patrocínios, venda de jogadores, bilheteria e venda dos direitos de transmissão para a TV. Provavelmente a bilheteria é a menor de todas. Ao venderem os direitos de transmissão, sabem que a TV terá o poder de definir os horários dos jogos para quando bem entender (é assim no mundo todo e em qualquer modalidade esportiva – o maior exemplo foi a Copa do Mundo dos Estados Unidos em 1994, quando a final foi disputada ao meio-dia de Los Angeles por questões televisivas para a Europa). Se o torcedor acha que não vale a pena ir ao estádio em tal horário, não vá e não dê seu dinheiro ao clube... simples assim! E se essa redução de público é compensada ou não pela receita que vem da TV, cabe aos clubes avaliarem se está sendo vantajoso ou não. O problema é todo deles, é uma questão puramente econômica.

Obviamente, eu acharia ótimo se os jogos começassem sempre entre 20h30 e 21h00, mas não deixo de ir ao estádio nos jogos das 21h50. É verdade que uso meu carro para ir e vir, mas chego em casa somente lá pela 1h00 da madrugada e acordo por volta das 06h30 para ir trabalhar. Mas eu entendo como as coisas funcionam e é uma opção minha continuar indo, mesmo ficando com mais sono no dia seguinte.

Na minha opinião, os políticos deveriam se empenhar em dar condições para que os eventos pudessem ocorrer sem maiores problemas, disponibilizando transporte adequado e garantindo a segurança, não usar esses problemas como justificativa para mudar os horários arbitrariamente ou, como também lembrou o Balu, simplesmente jogar a culpa na Rede Globo. Estão querendo tratar o futebol como um direito do cidadão, quase num mesmo patamar que saúde e educação, transformando-o numa coisa muito mais importante do que realmente é. O futebol faz parte da cultura do Brasil e, sem dúvida, precisa ter sua organização melhorada para que a população possa usufruí-lo da melhor forma possível. Mas cada coisa no seu devido lugar.

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terça-feira, 30 de março de 2010

ARMANDO NOGUEIRA

Uma das coisas que mais me irrita hoje no jornalismo esportivo é a falta de preparo de muitos daqueles que ganham dinheiro (e não deve ser pouco) para ocupar espaço nos programas de TV, de rádio, nas revistas, nos jornais e na Internet. Com raras exceções, esses comentaristas agregam muito pouco para quem busca uma boa análise técnica e tática do esporte. Felizmente, temos algumas boas exceções, e já citei em outros textos meus favoritos, como Paulo Vinícius Coelho, Paulo Calçade, Everaldo Marques, Paulo Antunes, Marcelo Barreto e Tostão (para citar um ex-atleta), falando apenas de brasileiros. De resto, temos ex-jogadores e jornalistas que fazem apenas análises superficiais, deixando o caráter torcedor tomar conta da opinião e se preocupam apenas com aspectos menos importantes do jogo. Fica evidente que não existe preparo, os caras se limitam a assistir o jogo e dar palpites, coisa que pai também sabe fazer no domingo à tarde após aquela lasanha, durante qualque jogo que estiver passando. Meu pai pode falar o que bem entender e sem se preocupar em ser ou não coerente ou mesmo ter ou não um critério técnico adequado, já que ele não ganha dinheiro para palpitar e não está tentando influenciar a opinião pública. Esses caras não podem.

Com isso, nos restam poucas opções com alguma qualidade quando buscamos análise esportiva. E essas opções estão restrita à TV à cabo, enquanto a TV aberta mantém aqueles programas onde se fala muito em termos de quantidade e praticamente nada em termos de qualidade. E na noite de ontem (segunda-feira, 29 de março) os dois programas de análise mais importantes da TV a cabo, o Linha de Passe da ESPN Brasil e o Bem Amigos da Sportv, passaram praticamente todo o tempo deixando um pouco de lado as análises para prestar a mais do que merecida homenagem a Armando Nogueira, que morreu ontem aos 83 anos, vítima de câncer.

Armando Nogueira era um jornalista único no seu estilo (pelo menos dos que eu acompanhei). Ele não trazia análises técnicas ou táticas detalhadas, e nem era sua especialidade (era advogado de formação), mas seu estilo de comentar e escrever nos fazia pensar no esporte na sua forma mais pura: o enaltecimento do que é bom, do que é melhor. Nunca me esqueço de como ele enaltecia Romário durante a Copa de 1994, ou como falava de Hortência e Paula quando foram campeãs mundiais e vice-campeãs olímpicas, ou mesmo quando relembrava Mané Garrincha. Ontem no Sportscenter mostraram uma entrevista da Ana Mozer lembrando quando teve um dos seus muitos problemas no joelho e Armando Nogueira, em uma coluna, chegou a oferecer seus próprios joelhos para que ela pudesse jogar, assim ele não seria privado de ver uma das maiores jogadores de vôlei da história, apesar da curta carreira.

Chamado de “mestre” e de “referência” por praticamente todos que lhe prestaram homenagem ontem, conseguia escrever textos e achar palavras para descrever feitos e atletas de uma forma que não se vê mais hoje em dia. Mesmo não trazendo análises técnicas, era como se fosse um torcedor, um de nós, dando aquele toque emotivo, mas com qualidade, no meio de tanto comentário. Em um cenário ideal, deveríamos sempre ter um programa esportivo com bons analistas e um Armando Nogueira. Na maioria dos casos, não temos nem uma coisa (com as raras exceções que eu citei no primeiro parágrafo) e, agora, não temos mais a possibilidade de ter a outra. Para quem é apaixonado pelo esporte e tenta escrever algo de vez em quando apenas por hobby, a escassez cada vez maior de boas referências é uma pena.

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quinta-feira, 11 de março de 2010

TIRANDO O ATRASO...

Com muita coisa acontecendo acabei deixando de escrever com a freqüência que gostaria no último mês. Para tirar o atraso, dez comentários que não posso deixar passar, pelo menos pra ficar em dia com os eventos.

1. Na minha lista de momentos esportivos da década deixei de fora o jogo dos 81 pontos de Kobe Bryant. Imperdoável. Fica o registro.

2. Kevin Durant deverá ser o líder de média de pontos na NBA nesse ano (já ultrapassou Lebron e D-Wade). E ele tem apenas 21 anos. É uma máquina de pontuar (teve uma sequência de 29 jogos seguidos com pelo menos 25 pontos por jogo) e já virou um dos meus jogadores favoritos. Ninguém tem idéia do quanto eu estou feliz com a regra do keeper que foi instituída na minha liga fantasy nesse ano. Ele não sai do meu time nunca mais.

3. Apesar da euforia até mesmo aqui no Brasil, não consegui me empolgar com o curling nos Jogos Olímpicos de Inverno. Continuo achando muito chato. Se dependesse de mim, os Jogos de Inverno teriam apenas as provas de corrida, hóquei e o salto gigante (144 metros!!!). Nada de provas onde tem que se dar nota. Ou então que a medalhas das outras modalidades sejam menores.

4. O São Paulo montou um grande elenco, mas até agora não temos um time engrenado. O time joga em câmera lenta, parece que falta vontade. Nessas horas eu sinto falta do Muricy indignado com falta de motivação dos jogadores. A derrota para o Once Caldas foi daquelas difíceis de engolir, pois o time teve todas as condições de ganhar o jogo, só faltou querer.

5. Na NBA, passou o prazo para trocas e o que se viu foi equipes querendo se livrar de grandes contratos para limpar a folha salarial e tentar a sorte no próximo verão quando nomes como Lebron, D-Wade, Chris Bosh e Joe Johnson estarão no mercado. Imagino ser um portador de season tickets desses times e ter que me conformar com meu time abrindo mão de ter uma equipe competitiva para tentar contratações importantes no futuro. Os Knicks, por exemplo, já abriram mão das 3 últimas temporadas...

6. Guerra ao Terror é um filme excelente, mas o filme do ano foi Bastardos Inglórios, sem dúvida. Pela segunda vez Quentin Tarantino faz o filme do ano e sai do Oscar de mãos vazias. Mas pelo menos não deu Avatar.

7. Não resta mais dúvidas... Meryl Streep é a maior estrela do mundo do cinema. Fim de discussão. Bill Simmons e o Balu têm a mesma opinião.

8. (Spoiler) Sobre os 10 primeiros episódios de “24”: to achando a temporada fraca em relação às anteriores. A questão do Jack Bauer ficar fazendo doce pra ver se vai ajudar a CTU ou não já cansou. Tiveram que convencê-lo 3 vezes (pelo menos a terceira foi para garantir a ajuda até o final). Espero que ao final da temporada ele resolva voltar em definitivo para não termos a mesma frescura na próxima temporada. Quanto à história em si: começou num ritmo muito bom, mas parece que já precisaram começar a enrolar pra conseguirem encher os 24 episódios – os cilindros nucleares já mudaram de mãos 4 vezes! E ainda não saquei que fim vai levar a história do Freddie Prinze Jr (o novo prodígio da CTU) e sua noiva que trabalha na CTU mas tem um passado de criminosa.

9. Em compensação, tivemos o final da quarta temporada de “Friday Night Lights”. Brilhante. Os personagens são muito poderosos e o casal Eric e Tammy Taylor são meus personagens favoritos dentro todos os seriados que assisto ou já assisti (menção honrosa para o presidente David Palmer, das 4 primeiras temporadas de “24”). Por ser uma história numa high school, é inevitável que alguns personagens se formem e tenham que deixar a série. E, felizmente, a reposição com novos personagens foi muito feliz. O desfecho para Tim Riggins (outro baita personagem) foi previsível, até certo ponto triste, mas não tinha como ser diferente. Minha terceira série favorita, depois de The Wire e Lost. Falando em Lost...

10. (Spoiler) Finalmente começou a tão esperada última temporada de LOST. E já começaram as cornetas. Minha maior crítica é que o pessoal tem a necessidade de analisar cada episódio isoladamente e fica frustrado quando as tão esperadas respostas não são dadas. Temos que esperar o final da série para analisar essas coisas. Particularmente, já estou satisfeito com as explicações para os números e o monstro de fumaça e só espero a explicação maior, que é o sentido da presença de todos na ilha. Desde a primeira temporada os produtores dizem que a série é focada nos personagens e parece que está rumando para um desfecho nesse sentido. E achei brilhante a idéia da realidade paralela para confrontar o destino de cada um. Ainda temos 12 episódios pela frente.

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quinta-feira, 4 de março de 2010

35 ANOS, 35 ÍDOLOS

Acho que já deu para perceber que eu gosto de listas. No dia que completo 35 anos de idade faço uma homenagem a 35 personalidades do esporte que marcaram minha vida até hoje. A ordem dos nomes deve variar de tempos em tempos, talvez com exceção dos 3 primeiros da lista, e muita gente boa ficou de fora. Obviamente o patriotismo e fator "times do coração" têm peso significativo na escolha. Sem mais delongas...

35. Ivan Lendl (Tênis) – quando comecei a acompanhar tênis John McEnroll e Jimmy Connors já estavam no final das carreiras e Lendl começava seu domínio.

34. Michael Johnson (Atletismo) – por tudo o que ele fez nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996. A imagem do final dos 200m rasos ficou gravada na minha memória até hoje.

33. Usain Bolt (Atletismo) – jamais vou esquecer aquela final dos 100m rasos de Pequim

32. Randy Johnson (Baseball) – o melhor pitcher que vi jogar até hoje

31. Steffi Graf (Tênis) – a melhor atleta feminina do mundo nos anos 90. Sorte das irmãs Williams que elas são bem mais novas...

30. “Magic” Paula (Basquete) – campeã mundial e vice-campeã olímpica de basquete. Formou uma das melhores duplas da história do esporte.

29. Cesar Cielo (Natação) – e ele está só começando...

28. Zico (Futebol) – a primeira Copa do Mundo que me lembro de ter assistido foi a de 1982. Lembro dos golaços contra a Escócia e contra a Nova Zelândia. Uma vez algum jornalista disse: “Se o Zico nunca ganhou uma Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo!”.

27. Lebron James (Basquete) – estamos presenciando uma lenda. E ele ainda tem uns 10 anos de alto nível pela frente.

26. Larry Bird (Basquete) – falando em lenda, uma pena que peguei apenas o final da carreira de Larry Legend. Mas foi mais que suficiente.

25. Muller (Futebol) – Esteve envolvido em duas das três grandes gerações de times do São Paulo que presenciei: a geração de 1985 a 1987 e a geração de 1991 a 1994. E o gol contra o Milan foi mais do que histórico.

24. Telê Santana (Futebol) – não está incluído como atleta, mas como esportista. Não é à toa que o Morumbi grita seu nome eventualmente até hoje. Obviamente teremos piadas sobre o fato de o técnico bicampeão mundial pelo São Paulo estar no número 24 da lista.

23. Joe Montana (Futebol Americano) – peguei apenas o final de sua carreira (discutivelmente o melhor quarterback da história), mas foi o cara que me fez gostar de futebol americano e dos 49ers.

22. Zinedine Zidane (Futebol)
21. Diego Maradona (Futebol)
Dois monstros que marcaram época no futebol. Ainda no começo da adolescência acordava cedo aos domingos para ver o Napoli de Maradona e Careca pelo campeonato italiano. Era mágico. E Zidane é o grande jogador (ao lado de Ronaldo) do mundo pós-maradona.

20. Manny Ramirez (Baseball) – esse sim meu jogador de baseball favorito. É o cara que nos impede de sair da TV quando está no bastão pois SEMPRE temos a sensação de que algo vai acontecer – e muitas vezes acontece. Começou no meu Cleveland Indians e depois, nos Red Sox, foi um dos responsáveis por um dos maiores feitos que vi até hoje (o título de 2004).

19. Lance Armstrong (Ciclismo) – a história de vida, a luta contra o câncer, o retorno e os 7 títulos do Tour de France. CQD.

18. Pete Sampras (Tênis) – talvez o maior tenista da história até surgir o número 4 da minha lista. Dominou os anos 90.

17. Steve Young (Futebol Americano) – quando os 49ers dispensaram ninguém mais, ninguém menos que Joe Montana era porque tinha um quarterback que poderia assumir seu papel sem deixar os fãs com saudades do maior da história. Vivo dizendo que a melhor temporada de um quarterback que eu já vi foi a temporada de Steve Young em 1994.

16. Shaquille O’Neal (Basquete) – Dominou os garrafões durante o final dos anos 90 e início dos anos 2000 com precedentes talvez só em Wilt Chamberlain. Três títulos com os Lakers, sendo 3 vezes o MVP das finais.

15. Romário (Futebol)
14. Careca (Futebol)
O baixinho era impressionante. Nos deu uma Copa do Mundo depois de 24 anos e fez miséria por onde passou, especialmente no Barcelona. E Careca foi o cara que fez o gol mais inesquecível da minha vida, contra o Guarani na final do Brasileiro de 1986.

13. Oscar Schmidt (Basquete) – muita gente não gosta do Oscar e o consideram o responsável pela decadência do basquete brasileiro, por ser o responsável por marcar uma época de basquete puramente ofensivo, sem tática em sem defesa. Um absurdo. Para essas pessoas: lembram-se do Pan de 1987? Histórico – a primeira derrota dos Estados Unidos em seu território na história. E, principalmente: o Brasil não disputa os Jogos Olímpicos desde 1996, ou seja, desde que Oscar se aposentou.

12. Reggie Miller (Basquete) – guardadas as devidas (e imensas) proporções, o jogador de basquete com o qual eu mais me identificava. Não é a toa que um dos meus cães tem seu nome e uso o número 31 para jogar pelo USP Seniors.

11. Raí (Futebol) – o capitão do time bicampeão da Libertadores (92-93) e campeão mundial de 92, que fez os dois gols contra o Barcelona.

10. Ayrton Senna (Fórmula 1) – não considero automobilismo necessariamente um esporte, pois depende mais do equipamento do que do ser humano, mas o costume de acordar cedo na expectativa de ouvir o Tema da Vitória fazia parte dos nossos domingos marcou demais.

9. Jerry Rice (Futebol Americano) – Tenho 2 quadros pendurados na minha sala de jantar: fotos de Jerry Rice e o próximo da lista. O maior wide receiver da história (ninguém da história da NFL marcou mais touch downs do que ele), jogou com Joe Montana e com Steve Young pelos 49ers. Tenho a camisa número 80 e realizei o sonho de vesti-la no Candlestick Park no ano passado. E pra minha sorte pude ver Jerry Rice em pessoa prestando uma homenagem ao ex-dono do time.

8. Kobe Bryant (Basquete) – aquele que mais se assemelha a Michael Jordan. Quatro títulos com os Lakers e com gás para buscar mais um ou dois e se igualar aos 6 de MJ.

7. Hortência (Basquete) – a segunda maior atleta mulher da história do Brasil (atrás de Maria Ester Bueno) e uma das maiores jogadoras de basquete de todos os tempos no mundo. O título mundial de 1994 e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta foram históricos.

6. Ronaldo (Futebol) - o cara que me fez não ficar chateado ao ver um gol do Corinthians contra o São Paulo. Nem preciso falar do que ele fez pelo Barcelona e pela Seleção Brasileira, especialmente em 2002.

5. Gustavo Kuerten (Tênis) – escrevi muito sobre ele quando fiz as minhas listas de melhores da década. Tricampeão de Roland Garros, Campeão da Masters Cup de 2000, derrubando Sampras da semifinal e Agassi na final, e número 1 do mundo em 2001.

4. Roger Federer (Tênis) – Gênio.

3. Rogério Ceni (Futebol) – Nosso capitão, maior ídolo da história do São Paulo, maior número de partidas pelo time que qualquer outro (rumo aos 1000 jogos), líder nas conquistas dos últimos 5 anos (Libertadores, Mundial e o tri brasileiro) e, acima de tudo, um baita de um goleiro.

2. Michael Jordan (Basquete) – o melhor da história no meu esporte favorito. Só não está no número 1 da lista por causa do...

1. Magic Johnson (Basquete) – o cara que me fez escolher o Basquete como esporte favorito, os Lakers como time do coração e cujos movimentos eu ficava tentando imitar nas quadras após os treinos. Escrevi sobre ele quando completou 50 anos, no ano passado. Sem dúvida, meu maior ídolo no esporte.