sexta-feira, 11 de junho de 2010

Chegou. 11 de junho de 2010.


Ao invés de escrever um daqueles textos longos e chatos vou tentar um texto longo (não consigo resistir), mas não tão chato de ler. Resolvi montar um ranking das 32 seleções da Copa, divididas em categorias, incluindo alguns comentários pertinentes. Algumas categorias são auto-explicativas. Sem mais delongas...

Categoria 1: Felizes por estarem lá.

32. Coréia do Norte
31. Nova Zelândia

Ficarei surpreso se fizerem pontos ou mesmo gols...

Categoria 2: Graças a Deus que são 32 vagas...

30. Grécia
29. Honduras
28. Suíça
27. Argélia (ou França B).

Categoria 3: Qual a diferença? Não me importa e, na dúvida, aposto contra

26. Eslovênia
25. Eslováquia

Categoria 4: Será que rola ganhar um jogo?

24. Austrália
23. Coréia do Sul
22. Japão
21. Sérvia

20. África do Sul – caiu no grupo mais complicado e corre o risco de ser o primeiro país sede a não passar da primeira fase de uma Copa do Mundo. Contra si tem o fato de que Carlos Alberto Parreira, chegando para sua sexta Copa, nunca ganhou um único jogo nas 3 Copas em que esteve dirigindo seleções que não a Brasileira. A favor, o clima de “Invictus” que se mostrou no país ultimamente. O Batata chegou a perguntar se poderíamos ter algum risco de ter uma repetição da história contada no filme (com a seleção de Rugby). Obviamente a chance de título é nula, mas passar para as oitavas-de-final, num grupo com França, Uruguai e México, já poderá ser um feito histórico.

Categoria 5: Graças a Deus pelo grupo fácil

19. Chile

Categoria 6: Eternas incógnitas

18. Dinamarca
17. Paraguai
16. Uruguai
15. México

14. Estados Unidos – meu candidato a surpresa da Copa. Achei que causaria espanto e indignação aos outros ao colocar o Team USA na semifinal da Copa em um dos meus bolões. Bobagem. Muita gente fez o mesmo.

13. Portugal - se complica no provável cruzamento com a Espanha nas oitavas-de-final. Mas nos oferece essa pérola.


Categoria 7: Estamos em casa (África), vamos pro rabisco.

12. Gana
11. Camarões
10. Costa do Marfim (Drogba operou o braço a 5 dias e já está treinando!)
9. Nigéria

As categorias 6 e 7 poderiam ser fundidas em uma única, que eu chamaria de “candidatos a zebra da Copa” (nesse caso a ordem de 9 a 18 sofreria algumas mudanças). Acredito que um desses podem chegar nas semifinais. Nos bolões que preenchi, escolhi os Estados Unidos em um deles e a Nigéria no outro.

Categoria 8: Tradição importa

8. Alemanha
7. França
6. Itália

Não acredito nem na Alemanha (várias contusões importantes) e nem na França. A Itália é aquela coisa de sempre. Mas na hora que o bicho pega, camisa pesa muito. Basta lembrar que, se olharmos as últimas 10 finais de Copa do Mundo, as 20 vagas foram ocupadas por apenas 6 seleções: Alemanha (6 vezes), Brasil (4), Itália (4), Argentina (3), Holanda (2) e França (2, sendo 2 nas últimas 3 copas). Apesar de não acreditar, não me surpreenderá nem um pouco se uma delas chegar longe.

Categoria 9: Candidatos

5. Argentina: Resta saber se Maradona finalmente entendeu que nessa Copa não importa que ele é o segundo maior jogador da história, mas sim o técnico do time. Um baita time do meio pra frente e fraco na defesa. E não se brinca com o time que tem o melhor jogador do mundo.

4. Holanda: Um dos dois times que está jogando o futebol mais bonito do mundo nos últimos 4 anos (volto ao outro daqui a pouco). Não se sabe como será a recuperação de Robben, que parece que vai conseguir o improvável e se recuperar de uma ruptura de tendão em impressionantes 12 dias.

Categoria 10: Os favoritos

3. Inglaterra: no papel, meu time favorito. Minha escolha para campeão em 2 dos 3 bolões que preenchi. Sou MUITO fã de Steven Gerrard e de Wayne Rooney. E sempre fui muito fã também de David Beckham (o considero um baita jogador, às vezes subestimado pelo fator marketing que o envolve). Seria a coroação da Ewing Theory se o English Team finalmente conseguisse o título sem a maior estrela esportiva do país dos últimos, sei lá, 20 anos. Em um dos meus bolões coloquei a Inglaterra vencendo a Itália na final. Não seria, digamos, curioso, irônico, ver a Itália perder uma Copa para outra seleção dirigida por um técnico italiano?

2. Brasil: talvez eu precisaria de um texto a parte para falar de nossa seleção, mas tentado resumir o que penso: muito se fala e se compara a seleção de 2010 com a seleção de 1994, principalmente pelo fato de que o capitão daquele time é o técnico do atual. O Bola fez uma análise muito boa. Mas eu faço uma comparação com o time de 2002. Naquele ano, Felipão fechou um grupo com seus homens de confiança. Deixou Romário de fora, “peitando” toda a torcida e toda a mídia e levou Luisão e Edilson, que ajudaram nos últimos dois jogos das eliminatórias. Até tinha a intenção de montar um time mais equilibrado com dois meias (Rivaldo e Juninho), mas durante a Copa Juninho perdeu a vaga no time para Kléberson e o time foi com 3 volantes (Edmilson, Gilberto Silva e Kléberson), umas zaga impecável (Lúcio e Roque Junior), laterais no auge de sua forma (Cafu e Roberto Carlos) e um trio fantástico na frente (Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo). Dessa vez? Dunga também fechou com seus homens de confiança – e que o ajudaram a ganhar tudo o que disputou nos últimos 3 anos, é bom que se diga - e vejo uma armação muito parecido do time: um baita goleiro, um lateral voando (Maicón), uma zaga mais do que segura (o mesmo Lúcio, agora junto com Juan), os 3 volantes (Gilberto Silva, Felipe Melo e Elano, sendo que acho que este último é muito mais criticado do que merece) e os três homens de frente (Kaká, Robinho e Luis Fabiano). A incógnita é a lateral esquerda, onde Michel Bastos assumiu a posição, mesmo sendo um meia direita em seu time. Tirando isso, na minha opinião, a semelhança é imensa. E acho que Daniel Alves termina a Copa como titular.

É verdade que, ao pensarmos que o reserva de Kaká é Júlio Baptista, temos calafrios, ainda mais com o histórico recente de contusões do camisa 10. Mas estamos falando em 7 jogos. Também tínhamos calafrios ao cogitar se Romário, em 1994, ou Ronaldo, em 2002, se machucassem. E consigo ver ponto positivo até na questão de termos jogadores que não estejam jogando como titulares em seus clubes ou que ficaram algum tempo parados por problemas de contusão (como Ronaldo e Rivaldo em 2002). Explico: temos visto tantos jogadores se contundindo nas vésperas da estréia, alguns por estarem chegando após o final da temporada européia, que talvez seja bom termos jogadores “descansados” e que atingirão a melhor forma ao longo da Copa, e não no mês anterior a ela.

Em 2002 não chegamos como favoritos. França e Argentina chegaram como a Espanha está chegando agora e caíram na primeira fase. Sou otimista. Vou torcer até por Robinho. E no fundo não importa se a comparação é mais válida com 1994 ou com 2002, o que importa é que o destino final do time seja o mesmo que o dos os times das outras duas Copas.

1. Espanha – o futebol mais bem jogado dos últimos 4 anos. Se estivéssemos falando de um campeonato de pontos corridos, seria a escolha óbvia. Mas sempre é o maior candidato ao posto de “joga como nunca e perde como sempre”. Possivelmente, dessa vez, deverá jogar ainda mais do que nunca... e perder como sempre.

Que comecem as vuvuzelas!



sexta-feira, 4 de junho de 2010

LAKERS X CELTICS XI

Em outubro fiz minha previsão para a temporada da NBA e escrevi o seguinte:

SE Kevin Garnett estiver em boas condições físicas, recuperado da cirurgia no joelho, os Celtics vencem o Leste. Nada a acrescentar.”

Os Celtics começaram a temporada ganhando 23 dos primeiros 28 jogos. Até o Natal, parecia que tudo estava bem, que Kevin Garnet estava realmente recuperado da cirurgia do joelho e que os time voltava à condição de favoritíssimo ao título do leste. A partir daí, começou a derrocada: venceram apenas metade dos últimos 54 jogos (27-27). Parecia que Garnett, Ray Allen e Paul Pierce não conseguiriam manter o alto nível do título de 2008.

Chegam os playoffs e havia quem achasse que eles não passariam nem pelo Miami Heat de Dwyane Wade. Só não fizeram 4x0 porque D-Wade teve uma atuação monstruosa no jogo 4, e a série acabou em Boston no jogo 5. Veio a série contra o badalado Cleveland Cavaliers (ou “Lebron e os Lebronetes”). Os Celtics dominaram os Cavs de uma forma impressionante, expondo todas as suas deficiências: basicamente anularam toda a ajuda de Lebron, que teria que tentar vencer a série sozinho. Mais: Lebron James nem foi o melhor jogador da série, mas sim o armador Rajon Rondo do Celtics. De repente, o “Big Three” (KG, Allen e Pierce) passou a ser coadjuvante de Rondo (será que devemos passar a chamá-lo de “Big One”?).

Na final do leste, contra o Orlando Magic, pareceu ainda mais fácil. Venceram os dois primeiros jogos em Orlando, abriram 3-0 na série e só não completaram a varrida por que esqueceram de aparecer para jogar no jogo 4. Mas fecharam no jogo 6 e estão de volta às finais da NBA. Fica a dúvida: teria sido proposital a “poupada” do time nos últimos dois-terços da temporada regular? É possível utilizar o botão de liga/desliga quando quisessem? Parece que os Spurs também tentaram isso e parecia que também daria certo quando eliminaram os Mavericks na primeira rodada dos playoffs. Só não contavam com a varrida que (finalmente) sofreriam dos Suns na rodada seguinte (umas das grandes histórias dos playoffs desse ano, diga-se de passagem: Steve Nash e Cia. exorcizando seu maior fantasma e batendo Tim Duncan e Cia.).

Enquanto isso, os Lakers pareciam ter problemas para passar pela sensação Oklahoma City Thunder, mas conseguiram fachar a série em 6 jogos (mal posso esperar para ver Kevin Durant jogando pessoalmente em setembro). Contra os Jazz, uma varrida que parecia mostrar que o time acertara o ritmo e que rumava firme ao tricampeonato do Oeste, o que se confirmou nos dois primeiros jogos contra os Suns. Mas então veio a defesa zona 2-3 que o técnico Alvin Gentry tirou da manga para transforma a série em um campeonato de arremessos de longa distância, o que favoreceu os Suns nos jogos 3 e 4. Mas os playoffs são feitos de ajustes e Phil Jackson voltou a acertar o time e fechou a série em 4-2.

E agora temos a décima-primeira edição de uma final entre as maiores franquias da história da NBA: Celtics (17 títulos, 8 em cima dos Lakers) contra os Lakers (15 títulos, 2 em cima dos Celtics). Os dois últimos campeões. Os melhores times renovando a maior rivalidade.

Para tentar prever o que pode acontecer naquela que pode ser a melhor série final dos últimos 12 anos (se contarmos Bulls x Jazz de 98) ou mesmo dos últimos 17 anos, quando Bulls x Suns fizeram 6 jogos memoráveis em 1993, vou fazer alguns comparações com as finais de 2008, quando os Celtics venceram em 6 jogos:

1) Dessa vez o mando de quadra é dos Lakers. Isso significa que o jogos 3, 4 e 5 serão em Boston. Desde que o formato 2-3-2 foi implantado (há cerca de 25 anos), somente em 2 vezes o time que jogos os jogos 3, 4 e 5 em casa venceu os três (Detroit em 2004 e Miami em 2006). Isso, somado ao fato de que os Lakers dificilmente perdem 3 jogos seguidos, significa que os Celtics, se quiserem ser campeões, terão que vencer 2 jogos em Los Angeles. Os Lakers venceram 28 dos últimos 31 jogos de palyoffs disputados no Staples Center. Faça as contas...

2) O jogo 1 é muito importante. Phil Jackson venceu o jogo 1 de uma série de playoff 47 vezes. E dessas 47 vezes, acabou vencendo a série em... 47 vezes!

3) Em 2008 os Celtics tinham James Posey para marcar Kobe Bryant, o que era uma grande vantagem. Posey não está mais e o trabalho terá que ser feito por Paul Pierce, o que significa que parte de sua energia será consumida na defesa, deixando menos gás para o ataque.

4) Do outro lado, em 2008 a marcação de Paul Pierce (o MVP daquela série) teve que ser feita por Vladmir Radmanovic e muitas vezes por Kobe Bryant. Dessa vez, os Lakers têm Ron Artest, o melhor marcador de perímetro da liga, que foi feito para marcar jogadores como Pierce, Carmelo Anthony e Lebron James.

5) Andrew Bynum não jogou em 2008. Não está 100% dessa vez, mas pode ser um fator de diferença. Além disso, naquele ano Pau Gasol estava no time há apenas 3 meses e agora já parece ser outro jogador.

6) Em favor dos Celtics, Rajon Rondo era um mero condutor de bola, e não o melhor jogador do time.

7) O trunfo em favor dos Celtics nessa série deverá ser Ray Allen, pois imagino que Kobe ficará encarregado da marcação de Rondo para não ter que correr atrás dos corta-luzes feitos para Allen.

8) Ron Artest de um lado e Rasheed Wallace do outro. MUITO trabalho para a arbitragem e torcidas desesperadas quando qualquer um dos dois armar um arremesso de 3 pontos.

9) Kobe Bryant está jogando pelo seu legado. Ele ainda pensa que pode chegar ao nível de ser comparado com Michael Jordan (não pode) e para isso, precisa chegar aos 6 títulos (esse seria o quinto). Também quer ser considerado o melhor jogador da história dos Lakers, mas jamais entrará na conversa se não conseguir vencer os arqui-rivais em uma série (Magic Johnson fez isso 2 vezes). Ele está em uma missão. E quem viu seu desempenho nas últimas 2 séries, contra Suns e Jazz, percebeu que ele está jogando como nunca, apesar dos problemas físicos (já teve que drenar o joelho durante esses playoffs).

Colocando tudo isso na balança, vejo certa vantagem para Lakers (no bolão que participo apostei em 6 jogos). Mas eu também apostei nos Cavs e no Magic contra os Celtics. E quebrei a cara.

Uma série entre dos times mais tradicionais da história da NBA. Já é imperdível e tem tudo para ser histórica.

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Whatever happened, happened

“Quem me conhece sabe que um dos momentos mais chocantes da minha vida enquanto telespectador de teleséries foi o último capítulo da terceira temporada, em que todos assistimos por mais de uma hora a cenas do futuro sem saber do que se tratavam, e tomamos na cara aquela aparição de Kate e aquele "We have to go back!" Nenhum outro momento de "te peguei" na série desde então teve um impacto tão forte quanto aquele. Nem mesmo a última reviravolta de "The End," aquela que explica finalmente a "realidade paralela" que vínhamos acompanhando desde o início dessa temporada, mas rapaz - chegou bem perto. Ao ponto de eu por um momento não entender o que estava vendo, e subitamente, como um raio, tudo ficar claro, e meus olhos se encherem de lágrimas. Não me importo que tenha sido a reviravolta mais descaradamente espiritual da série até a data - nunca me incomodei com espiritualidade em obras de ficção científica, inclusive porque é um recurso manjadíssimo pra quem não estreou no universo nerd com Lost - aquela cena me deixou moído, com cara de paisagem, me sentindo mais uma vez ludibriado, da forma boa, pelos produtores (eles sempre disseram que *a Ilha* não era o purgatório... boa, Darlton, muito boa). Injetou significado retroativamente em todos os episódios da temporada, e todas as estranhezas e as coincidências das vidas que os Losties levavam nela se encaixaram de forma cristalina. Eles precisavam uns dos outros. Precisavam se reencontrar, mesmo que além do plano mortal, para seguir em frente. E que metáfora filha da puta para nós, espectadores-protagonistas, que também tivemos que deixar a Ilha, e que também precisamos seguir em frente depois de termos sido parte de Lost por seis anos. A sexta e última temporada de Lost tem na resolução de seu enredo um motivo apenas secundário. O principal, o essencial, era a despedida. O fim da jornada que foi assistir - e produzir - Lost. Um tema que fala forte àqueles que realmente se envolveram com a série, não aos que assistiam aos pedaços, sem atenção, procurando cenas ou diálogos patronizadores que preenchessem listinhas frias de "perguntas sem respostas." E por se envolver, quero dizer se envolver com a história, não necessariamente ficar obcecado por cada minúcia, por cada campanha de marketing, por cada spoiler vazado, etc. Quero dizer se importar mais com o bem estar de Jack, Kate, Sawyer, Hurley e tantos outros, do que com a ilha que uniu nossas vidas às deles.”

Esse trecho não foi escrito por mim, mas quem me dera que fosse, pois reproduz com assombrosa precisão todos os meus sentimentos por volta da uma e meia da manhã, quando meus amigos saíram de casa após assistirmos ao final de Lost. O trecho faz parte de um texto brilhante de Rafael Savastano, do blog “Análise de Lost” (recomendo a leitura, mesmo sabendo que alguns acham que já “perderam tempo suficiente com a série”).

Demorei pra dormir, tentando assimilar todas aquelas informações. Minha série de TV favorita havia chegado ao fim (minhas desculpas à brilhante “The Wire”, que vai ficar mesmo com o segundo lugar) e, nas palavras de minha amiga Taís, uma das que estavam em casa, o desfecho me deixou abalado e sem palavras. Assim como Rafael Savastano, não tão embasbacado quanto o final de “Through the looking glass” (o final da terceira temporada), mas foi um golpe muito forte. Estou escrevendo agora para mim, numa tentativa de registrar e organizar minha percepção e para colocar alguns pontos que ainda não vi escrito em lugar nenhum.

A primeira coisa que me veio na cabeça foram as entrevistas dos produtores Carlton Cuse e Damon Lindelof que estão nos extras do box da primeira temporada. Eles disseram naquela época que série era sobre as pessoas, sobre os personagens, que tinham problemas muito sérios em suas vidas e que agora compartilhavam a experiência de serem sobreviventes de um acidente aéreo em um lugar misterioso. Mais: que esse lugar os ajudaria a se encontrarem, a se redimirem. “Lost” (“Perdidos”) era o título que remetia a um sentido físico (afinal, estavam numa ilha sabe-se lá onde), mas que poderia ter um sentido que vai além do físico. “The End”, o series finale, teve como principal desfecho o encontro e a redenção dos personagens, fechando esse raciocínio.

É verdade que a série foi muito marcada, ao longo de todas as temporadas, pelos mistérios. Foram os mistérios que transformaram a série em um fenômeno de popularidade, levando todos os fãs a criarem um número imenso de teorias e especulações sobre os significados dos números (4, 8, 15, 16, 23, 42), da Iniciativa Dharma, do Monstro de Fumaça, os ursos polares, o enigmático Richard, as visões dos mortos, os sussurros, etc, etc, etc. Acho que se for feita uma lista, é possível que a maioria dos mistérios não tenha sido respondida, que boa parte foi respondida de forma a deixar margens para interpretação (como os números e os problemas de fertilidade) e outra parte foi respondida de formas muito simples, como o que eram os sussurros e o porquê do não envelhecimento de Richard. E vejo essa forma de explicações simples como um recurso extremamente válido, pois muitas vezes eu me vi com o mesmo nível de informação que os próprios personagens, sem saber se as decisões que eles tomavam eram certas ou erradas. Essas decisões algumas vezes levavam a descobertas e outras vezes levavam a mais perguntas e as informações (respostas) disponibilizadas foram aquelas que levaram ao desfecho da história na ilha (a realidade propriamente dita). Como escreveu Rafael Savastano, “a mitologia era um veículo, não um destino”. Antes que alguém diga que então seria muito fácil para os criadores limitar tanto as respostas quanto o desfecho para deixar tudo alinhado, basta lembrar quais eram as duas coisas que precisavam ser resolvidas na ilha: 1) resgate dos sobreviventes (volto a isso daqui a pouco) e 2) derrotar o monstro de fumaça e, consequentemente, salvar a própria ilha. E as duas coisas foram alcançadas no finale, infelizmente, ao custo de muitas vidas (a morte dos coreanos foi especialmente triste, considerando que ambos deixaram uma filha pequena).

Sobre a realidade paralela, agora sabemos que se tratava de um mega-flashforward, já no pós-vida dos personagens, uma espécie de purgatório, onde os personagens realmente se reencontraram e se redimiram, “deixando pra lá” os dilemas da vida e achando a redenção (se reencontrando) no amor daquelas pessoas que realmente tiveram o maior significado em suas vidas. Por isso Ben Linus ainda tinha coisas para resolver e Ana Lucia ainda não estava preparada. Os mini-flashbacks foram muito felizes ao trazer momentos relevantes de cada um e ajudando todos a “deixar pra lá” e seguir em frente, agora espiritualmente. E foi muito importante a conversa que Jack teve com seu pai, quando este afirmou que tudo que havia acontecido era REAL e que tudo tinha importância. Foi didática demais para o perfil da série, mas era necessário que fosse assim, para deixar claro que os personagens não morreram no acidente. “Whatever happened, happened”.

Voltando ao resgate: esse era o objetivo inicial dos sobreviventes, afinal, haviam saído de um acidente aéreo e tinham uma vida fora da ilha que queriam retomar, apesar de, conforme o tempo foi passando, essas vidas fora da ilha não eram exatamente algo que trazia saudades. Jack Sheppard, durante as 3 primeiras temporadas, como médico e homem da ciência, assumiu o posto de líder e a missão de conseguir o objetivo de salvar o grupo. Como tempo, passou a se transformar de homem de ciência para homem de fé,  papel inicialmente ocupado por John Locke, que acabou se sacrificando para convencer Jack de seu destino, e voltou para a ilha para ajudar aqueles que haviam ficado por lá e finalizar a missão que receberia posteriormente de Jacob, como “o” candidato. Mas, após cumprir essa missão, derrotando finalmente o Monstro de Fumaça, numa missão suicida, voltou para onde tudo começou e foi nesse momento que seu ciclo se fechou. A primeira cena do episódio piloto começou com Jack abrindo o olho no meio de uma plantação de bambus. Olhou para cima, viu o céu azul no meio da vegetação e a partir daí os acontecimentos começaram a se desenrolar. Na última cena de Lost (na minha opinião uma obra-prima no simbolismo e na emoção), Jack volta para o mesmo local, deita na mesma posição, olha mais uma vez para o céu, mas dessa vez vê o avião da Ajira levando Kate, Sawyer e Claire de volta para o mundo normal. Eram apenas 3 dos sobreviventes iniciais (mais Hurley, Rose e Bernard que ficaram na ilha), mas ele havia conseguido salvá-los e ajudá-los a serem resgatados. Missão cumprida. Expressão de alívio. Olhos fechados. The End.

Os criadores da série sempre disseram que nem todos os mistérios seriam respondidos e que eles queriam apenas contar e finalizar a história que criaram para aqueles personagens. Após várias temporadas de reviravoltas, eles cumpriram o que disseram. Felizmente para mim, não fiquei preocupado com as soluções de todas perguntas e mistérios. Eu acompanhei a série para assistir a uma história bem contada (afinal, é entretenimento) e  que me faz pensar. As questões de fé x ciência, destino x livre arbítrio e a busca pela redenção dos personagens foram mais que suficientes para nos fazer pensar. E quanto à história, obviamente tivemos mudanças de curso, algumas forçadas, como a morte de Mr.Eko, devido  à exigência do ator de sair da série, e outras nem tanto, como a não conclusão da história de Walt, talvez pelo fato de o ator ter ficado muito grande para manter a correlação com o personagem original (ambos os casos uma pena), mas não consigo lembrar de nenhuma uma série de TV que tenha me trazido uma história melhor contatada do que Lost. E deixará saudades.

Para finalizar, é impressionante o sentido que a famosa frase de Desmond, meu personagem favorito da série, e que foi usada pela primeira vez no primeiro episódio da segunda temporada, faz sentido agora que sabemos de tudo:

See you in another life, brothá!

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sábado, 15 de maio de 2010

Agora vai?

Após a classificação sofrida contra o Universitário do Peru e o mau futebol apresentado, praticamente todos os torcedores do São Paulo que eu conheço já consideravam como provável a desclassificação para o Cruzeiro nas quartas-de-final da Libertadores. Obviamente, esse sentimento foi facilitado pela desclassificação do Corinthians nas oitavas-de-final (pausa para relembrar e curtir mais uma vez esse fato ..............................................................................................................................................................
........................................... pronto!), que tirou a pressão da possibilidade de ter que aguentar um eventual título (sim, eu sei que é imposível) alvi-negro.

Após o jogo contra o Universitário tivemos a confirmação da contratação do Fernandão (sábado). Na segunda-feira, uma fatalidade muito triste que provacaria o desfalque de Miranda no jogo contra o Grêmio, devido ao falecimento de sua irmã. Na terça-feira, surge a notícia de que o time jogaria no 3-5-2, com Alex Silva, Xandão e Richarlysson formando o trio de zagueiros, além da garantia da estréia de Fernandão, com a ida de Washington para o banco. De repente, por uma fatalidade, é bom que se diga, pois não acredito que o Ricardo Gomes mudaria o esquema tático se o Miranda estivesse liberado para o jogo, tínhamos a formação tática que mais deu certo no São Paulo nos últimos 6 anos, mais um atacante notadamente mais inteligente e habilidoso do que o Washington. Já era motivo para aumentar a ansiedade para o jogo e esquecer um pouco o clima de pessimisto que imperava.

Durante o jogo começamos a perceber a primeira diferença: tínhamos um atacante que conseguia dominar uma bola, acertar passes, com visão de jogo, que estava jogando para o time e não esperando que o time jogasse para ele, reclamando quando isso não acontecia. Xandão voltou a mostrar que realmente é um ótimo zagueiro. Hernanes, como segundo volante, jogando na posição que mais rende. Até Cicinho, com menos responsabilidade de marcação, já que tinha alguém cobrindo a direita, ameaçou boas jogadas pela direita com Marlos e Hernanes. Junior César, pasmen!, correndo e marcando com vontade.

Sofremos uma baita pressão do Cruzeiro, é verdade, especialmente no segundo tempo, e contamos com a sorte quando o chute do Roger bateu caprichosamente nas duas traves. Mas voltamos a sentir um time jogando perto do que esperamos: defesa eficiente, meio-de-campo consciente e ataque preciso nos dois gols. Ainda não estou "de bem" de Dagoberto e Marlos, mas está claro que com Fernandão ajudando os dois podem render mais. E, o principal: o time correndo com vontade, não desistindo de nenhuma bola - Junior Cesar salvando a bola que estava entrando e o Marlos marcando com vontade na lateral direita foram emblemáticas - e com aquela cara de Libertadores. É bem possível que o time também tenha sentido as vaias do último jogo e tenha percebido que a torcida estava desistindo da Libertadores. Entrou em campo o chamado fator "Ninguém acredita em nós", muito citado pelo Bill Simmons ao comentar confrontos, especialmente da NFL.

Não devemos achar que tudo está resolvido com apenas uma boa atuação. Mas foi uma vitória maiúscula. E  que nos dá uma perspectiva muito boa.

Agora, volto a falar diretamente com nosso técnico, aproveitando para lançar a campanha proposta pelo meu amigo Berber: "Ricardo Gomes, não invente: sai Ricky e entra Miranda. Só isso. O time é esse, no 3-5-2."

Vai tricolor! Benvindo Fernandão!

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Mensagem para o meu time

Alex Silva e Rodrigo Souto, obrigado por continuarem a se matar em campo, mesmo jogando junto com caras que não mereceriam tamanha dedicação. Sério, vocês são os poucos dos quais não posso falar nada de mau.

Rogério Ceni, você é e sempre será ídolo. Sei que chegar aos 100 gols na carreira será fantástico, mas seu aproveitamento nos pênaltis tem caído muito. Deixe para bater pênaltis nos jogos que estivermos ganhando de 2x0 do Atlético-GO no Morumbi. Mesmo assim, sua reação após a perda do pênalti foi daquelas coisas que somente atletas diferenciados são capazes: assumiu a responsabilidade, procurou a concentração e foi pegar 2 pênaltis consecutivos. E ainda continua nos dando toda a tranqüilidade do mundo no gol. Você é um monstro. E, pensando melhor, bata todos os pênaltis que você quiser, você tem inúmeros créditos... mas treine um pouco mais, OK?
 
Hernanes e Miranda, acreditem no que estou dizendo: vocês são bons DEMAIS. É fato que vocês já poderiam estar jogando na Europa e garantindo suas próximas gerações em termos financeiros. É fato também que vocês poderiam estar às vésperas de serem convocados para disputar uma Copa do Mundo. Se essas coisas não aconteceram vocês têm uma parcela enorme (senão integral) de responsabilidade. E só vocês poderão reverter esse quadro. Quando vocês querem, vocês são craques. Voltem a querer.

Jorge Wagner, andei comprando muita briga por sua causa. Ainda não desisti de você e continuo com minha convicção dos últimos 3 anos, que quando você e o Hernanes jogam bem o São Paulo dificilmente deixa de ganhar um jogo. Me responda uma coisa: você não treina mais cruzamentos e cobrança de escanteios?

Richarlysson, melhor não dizer nada... posso ser processado.
 
Cicinho, você não está em 2005. A torcida te adora por tudo o que fez, mas você está nos enganando. Não é possível que você tenha desaprendido a jogar... quero acreditar que você só se esqueceu e precisa ser relembrado. Entre em forma e treine muito. Só então se coloque a disposição do técnico. Não prejudique a imagem que você construiu nesse time 5 anos atrás.

Junior Cesar, quando você estava no Fluminense eu morria de medo das suas arrancadas pela esquerda. Às vezes ainda vejo alguns lampejos do que você fazia em 2008, mas está cada vez mais raro. Você está perdendo uma chance de ser reconhecido na posição mais carente do futebol brasileiro. Você tem ciência disso? Sério?

Jean, para você poderia valer o mesmo comentário que fiz para o Rodrigo Souto e para o Pirulito. Mas você não está jogando. Uma pena que você esteja na reserva de um ex-lateral-em-atividade. Pena mesmo.

Marcelinho Paraíba, antes de mais nada, obrigado por não chutar o pênalti no Santo Paulo Bar. Se você tivesse feito isso, eu teria entendido. Você teve toda a razão de ficar irritado por ter entrado somente aos 46 do segundo tempo para bater pênalti. Mas, você pode me explicar o que aconteceu entre sua saída do Coritiba e sua chegada ao São Paulo? Deixou o futebol e a condição física em Curitiba? Só se passarem 2 meses! Minha cabeça dói.
 
Por isso somos obrigados a agüentar vocês, Dagoberto, Marlos e Fernandinho. Sorte de vocês que não estou escrevendo logo após o final do jogo, se estivesse escrevendo na saída do Morumbi, seria impublicável. Vocês não conseguem acertar um passe na entrada da área. Vocês têm dificuldades para levantar a cabeça quando estão dominando a bola. Um reclama do outro quando a bola não chega. Acham que jogar bem contra Monte Azul e Botafogo de Ribeirão Preto é alguma coisa. Vocês possuem deficiência técnica, para usar um termo menos forte. Sabem o que a gente faz quando se tem deficiência técnica e se comete tantos erros? A gente treina... e treina muito. Mas vocês acham que são craques... então estou desistindo de vocês.

Washington, graças aos três aí de cima sou obrigado a achar que você tem que jogar (que heresia!). Mas não se anime muito. O Fernandão está chegando (acho) e sua postura me irrita demais. Você deveria agradecer aos céus todos os dias por conseguir estar em um time como o São Paulo, mesmo com todas as suas limitações. Ao invés disso, joga de forma burra e reclama com o técnico quando não joga. Falando no técnico...
 
Ricardo Gomes, quando todos os jogadores vieram te abraçar após a vitória nos pênaltis, eu percebi que eles gostam de você. Mas me preocupou, e muito, quando na entrevista,o Rogério Ceni comparou seu estilo ao estilo do Oswaldo de Oliveira. Tenho a mesma linha de raciocínio do meu amigo Batata, que diz que o resultado bom ou ruim é fruto da execução, ou seja, dos jogadores. Mas quando a execução não funciona, é função do técnico perceber o que está errado e corrigir. E você tem peças (jogadores) suficientes para corrigir. É função do técnico conhecer e compreender os jogadores que tem à sua disposição e montar o esquema que aproveite ao máximo essas peças. Não adianta chegar com um esquema pronto e fazer todos se adaptarem ao seu esquema, isso só adianta se o esquema for realmente diferenciado, se você tiver a habilidade para envolver os jogadores a aceitá-lo e ter o melhor jogador do mundo à sua disposição. Mas você não é o Phil Jackson. Por isso, você tem que entender o que tem nas mãos, montar o esquema baseado nisso, convencer os jogadores a fazer o que você quer e condicioná-los (T-R-E-I-N-A-M-E-N-T-O) para isso. É função do técnico fazer os jogadores trabalharem nas suas deficiências. Me responda com sinceridade: Marlos, Dagoberto e Fernandinho treinam passes, tabelas, lançamentos curtos? A impressão que eu tenho é que eles só fazem um tipo treinamento: driblar uma fila de cones, de cabeça baixa. Você sabia que nos jogos os cones de movimentam e podem roubar a bola? Ontem durante o primeiro tempo estava claro que levávamos vantagem no jogo aéreo após alguns cruzamentos. Você coloca o Washington, tira o Jorge Wagner e pede para o time colocar a bola chão e tentar entrar tocando dentro da área? Com um quarteto que é incapaz de acertar dois passes seguidos?

Volte ao básico: Richarlysson e Cicinho não podem ser escalados. Dagoberto, Marlos e Fernandinho só podem voltar ao time se começarem a acertar tabelas, passes e lançamentos curtos. Será que Marcelinho Paraíba não tem mesmo condição? Não conseguimos fazer gol em 180 minutos no Universitário do Peru, jogando até com 4 atacantes. Pra que insistir com eles? Não temos atacantes com qualidade para jogar com a bola no chão do jeito que estamos tentando, não insista. Volte a acertar o sistema defensivo, com 3 zagueiros (Xandão já mostrou que tem muito valor). Jean na direita e Junior Cesar na esquerda (ambos correm muito, pelo menos). Rodrigo Souto e Hernanes de volantes (onde o “10” realmente rende). Jorge Wagner e Marcelinho soltos e Washington (na falta de outro) tentando uma ou outra finalização. Volte a treinar cruzamentos, lances de bola parada e chutes de fora da área. Não vamos tomar gol e temos alguma chance de marcar, coisa que não está acontecendo com os 3 picaretas que jogaram ontem. Nesse esquema o Muricy ganhou 3 brasileiros, você também é capaz de conseguir alguma coisa.

O pior de tudo é que temos alguma chance de ganhar a Libertadores, considerando os adversários. Estamos entre os 8 e não precisamos ser melhores que os outros 7, precisamos ser melhores que apenas 3: o adversário das quartas-de-final, o da semifinal, e o da final. Mas se você insistir no rumo atual das coisas, não passaremos nem do Cruzeiro.


Ainda sobre o horário do futebol...

Só pra deixar registrado:

- Jogo do São Paulo contra o Once Caldas, ainda na primeira fase da Libertadores, às 21h50: 50.000 pagantes.

- Jogo do São Paulo contra o Universitário do Peru, oitavas-de-final da Libertadores, ou seja, mais importante, às 19h30: 43.000 pagantes.

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domingo, 25 de abril de 2010

Olho nos Spurs

Antes da temporada começar indiquei o San Antonio Spurs como meu candidato ao título. Durante a temporada parecia que o time estava sentindo o peso da idade e que não teria gás para buscar o quinto título em 11 anos. Depois do jogo de ontem, parece que a tática de preservar os jogadores pode dar certo.

Depois de perder o primeiro e vencer o segundo jogo em Dallas, contra os Maverics, os Spurs começaram bem o jogo 3 e pareciam estar com o jogo sob controle até o início do terceiro quarto, quando lideravam por 8 pontos e Manu Ginobili recebeu uma cotovelada (totalmente involuntária) no nariz em um lance onde foi ajudar na marcação de Dirk Nowitzki. Saiu de quadra com o nariz sangrando e muito torto, foi para o vestiário e voltou minutos depois com um curativo e com as narinas cheias de algodão. Durante esse tempo, os Maverics conseguiram uma sequência de 17-2 e passaram a comandar o placar. Ginobili voltou pro jogo como se nada tivesse acontecido (será que Jacob estava no vestiário e deu uma mãozinha?) e colocou os Spurs de volta a liderança com algumas infiltrações, mesmo com o risco de receber novos contatos no nariz QUEBRADO. Um guerreiro e um monstro. Marcou 11 pontos no último quarto.

Os Spurs recuperaram a liderança e confirmaram a vitória, graças aos arremessos de Tony Parker no final do jogo. Agora lideram a série por 2-1 e têm mais um jogo em casa, nesse domingo para tentar a vantagem de 3-1.

Falando em Greg Popovic, ontem ficou muito claro a diferença de nível dos técnicos que estavam na quadra. Gosto do técnino dos Mavs, Rick Carlisle, mas a diferença é gritante: Carlisle tem com característica não deixar o jogo seguir quando o adversário começa um "run" (marcação de vários pontos seguidos do mesmo time). Pede tempo após seu time tomar a segunda ou, no máximo, a terceira cesta seguida. Durante o terceiro quarto, no run de 17-2 dos Mavs, o técnico dos Spurs fez exatamente o contrário: deixou o jogo seguir, sem pedir tempo. Ginobili voltou e aí foi a vez dos Spurs começarem um run. Carlisle pediu tempo após a segunda cesta seguida dos Spurs. E não adiantou nada, o comando do jogo já havia voltado para as mãos dos donos da casa.

Pra mim isso mostra a diferença entre os técnicos, entre quem tem o time completamente nas mãos e quem precisa intervir o tempo todo. Popovic tem o time completamente nas mãos e o time consegue sair de situações difíceis por si só. Só conheço outro técnico que o mesmo perfil: Phil Jackson. Será coincidência que os dois conquistaram 8 dos últimos 10 títulos da NBA?

Minha opinião é que o jogo 4, amanhã em San Antonio, vai decidir a série. Uma vitória dos Spurs levará à vantagem de 3-1 na série e não acredito que os Maverics, a segunda melhor campanha do Oeste, consigam reverter e vencer 3 jogos seguidos do time de Greg Popovic.

E eu não gostaria de enfrentar os Spurs nas próximas fases dos playoffs...
 
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domingo, 18 de abril de 2010

NBA: Hora dos Playoffs

Na temporada de 99/00 os Lakers venceram 67 jogos na temporada regular e conquistaram o primeiro dos três títulos seguidos com Kobe e Shaq. Na temporada seguinte (00/01), venceram 56 jogos (11 a menos), mas são considerados o melhor time da NBA nos últimos 10 anos. Por que? Porque nos playoffs venceram 15 jogos e sofreram uma única derrota (para os 76ers no jogo 1 das finais, numa atuação histórica de Allen Iverson), após 3 varridas sobre Portland, Sacramento e San Antonio. A dominância da dupla Kobe-Shaq atingia seu ápice.

Na temporada passada os Lakers venceram 65 jogos e conquistaram o título. Nesse ano? 57 vitórias (8 a menos). O discurso de Phil Jackson nas últimas semanas vem sendo que o importante é preservar as pernas nos jogadores (especialmente Kobe, que ficou de fora de vários jogos) para uma nova arrancada nos playoffs. No meu preview da temporada eu comentei que os pontos de interrogação dos Lakers eram muitos (Lamar Odon, Ron Artest, Phil Jackson) e, para piorar as coisas, Andrew Bynum está voltando de mais uma contusão. Resta esperar que o planejamento do Zen Master visando apenas os playoffs, abrindo mão do mando de quadra nas finais caso enfrente Cleveland ou Orlando, que terminaram com melhores campanhas que os Lakers, funcione, como funcionou em 2001.

Voltando às minhas “previsões de antes da temporada”:

PRINCIPAIS ACERTOS:

- Lakers e Cavs liderando as conferências (nenhum mérito por isso).

- A boa campanha dos Mavericks.

- O domínio dos 4 primeiros times do leste (Cavs, Magic, Hawks e Celtics).

- A classificação do Oklahoma City Thunder para os playoffs (deixnado os Rockets de fora).

- A confirmação de Kevin Durant como um dos principais cestinhas da liga. Durant não só venceu a disputa com Lebron James, como se tornou o mais jovem cestinha da história (21 anos), com média de 30,1 pontos por jogo. Estarei no mundial da FIBA em setembro e, saber que há o risco de que Lebron, Kobe e D-Wade podem não estar lá não preocupa tanto, considerando o quão ansioso estou para ver Kevin Durant joagando ao vivo e in loco.

- Lebron James será o MVP pela segunda vez consecutiva e de uma forma incontestável.

INTERROGAÇÕES DE ANTES DA TEMPORADA:

- Shaquile O’Neal: as melhores fases dos Cavs foram com Shaq fora do time. Agora, está voltando de contusão para os playoffs. O principal motivo de sua contratação foi a necessidade de alguém para encarar Dwight Howard no provável encontro entre Cleveland e Orlando na final do Leste. Como suporte para Lebron, vale a aposta. De quebra, os Cavs ainda agregaram Antawn Jamison, dos Wisards, no meio da temporada. Agora eles têm opções de variações táticas que não tinham no ano passado. É a última tentativa de conquistar um título comLebron e tentar segurá-lo no final da temporada, quando acaba seu contrato. São os favoritos.

- Vince Carter: apesar de alguns bons momentos, ainda acho que será lembrado como um tiro no pé do Orlando Magic e vai ajudar contribuir para a derrota contra o Cleveland na final do leste (se não fizer isso já série contra o Atlanta na segunda fase dos playoffs);

- Kevin Garnet: eu havia dito que se ele estivesse totalmente recuperado os Celtics seriam os favoritos para vencerem o leste. Pois é, KG não voltou bem fisicamente e, juntando com a catastrófica contratação de Rasheed Wallace, os Celtics parecem mais um catadão sem condições de irem muito longe.

- Manu Ginobili e Tim Duncan: Até 2/3 da temporada os Spurs jogavam com o freio de mão puxado. Tiveram uma ótima arrancada no último terço da temporada (especialmente Ginobili), mas deram azar de enfrentar logo o Dallas Mavericks na primeira fase dos playoffs, provavelmente o pior match up que poderiam ter. Eu apostaria neles contra qualquer time do Oeste, menos Dallas e Lakers. Parece que é o final da linha para um dos dois grandes times dos últimos 10 anos.

(somem os dois últimos parágrafos e a minha previsão para uma final entre Spurs e Celtics vai completamente pelos ares)


OS ERROS NAS PREVISÕES

Erros, parte 1 - as surpresas.

- Phoenix Suns: e não é que Steve Nash, aos 36 anos, ainda conseguiu nos dar mais uma temporada como as de 2005 e 2006, quando ganhou os 2 prêmios de MVP? Os Suns voltaram a jogar em velocidade, conquistaram a terceira melhor campanha do oeste e são o time com o melhor "momento" entrando nos playoffs.

- Milwaukee Bucks: esse eu não sei de onde veio. Mesmo com a contusão de Michael Redd, se transforamam em um time de playoff , não fosse a contusão de Andrew Bogut, poderiam ter terminado com a quinta campanha do leste e com chances reais de eliminar os Celtics na primeira rodada dos playoffs.

- Chalotte Bobcats: a chegada de Stephen Jackson e a evolução de Gerald Wallace ao nível de All Star levaram o time de Michael Jordan (o dono) a ser temido por todos. Vão dar muito trabalho para o Orlando Magic.

Erros, parte 2- as decepções:


- Washington Wizards (leia-se Gilbert Arenas)
- New Orleans Hornets (leia-se a contusão de Chris Paul)


OS PRÊMIOS

As barbadas (não tenho coragem de indicar outros):

- MVP: Lebron James (Cleveland Cavaliers)
- Defensive Man of the Year: Dwight Howard (Orlando Magic)
- Sixth Man of the Year: Jamal Crawford (Atlanta Hawks)

Os não-barbadas (possivelmente nenhum desses será premiado):

- Coach of the Year: Scott Skiles (Milwaukee Bucks)
- Most Improved Player: Marc Gasol (Memphis Grizzlies)
- Rookie of the Year: Tyreke Evans (Sacramento Kings) - foi o quarto rookie da história a terminar a temporada com médias de pelo menos 20 pontos, 5 rebotes e 5 assitências. Os outros 3? Michael Jordan, Oscar Robertson e Lebron James.


OS PLAYOFFS

Uma pena que algumas contusões vão prejudicar um dos possíveis playoffs mais imprevisíveis dos últimos tempos: Brandon Roy (Blazers), Andrew Bogut (Bucks) Andrei Kirilenko (Jazz), Robin Lopez (Suns). Meus palpites:
 
LESTE
 
#1 Cleveland Cavaliers 4, #8 Chicago Bulls 0 - Lebron James está em uma missão.
#2 Orlando Magic 4, #7 Charlotte Bobcats 2
#3 Atlanta Hawks 4, #6 Milwaukee Bucks 1 - com Andrew Bogut a série iria a 7 jogos
#4 Boston Celtics 4, Miami Heat 3 - vou apostar na experiência contra o show de um homem só.
 
OESTE
 
#1 LA Lakers 4, Oklahoma City Thunder 1 - sensacional duelo entre Kobe e Kevin Durant. Mas a falta de experiência será fatal para o Thunder.
#2 Dallas Mavericks 4, #7 San Antonio Spurs 3 - uma pena que um dos 3 melhores times do Oeste tenha que ser eliminado já na primeira fase. A melhor série da primeira fase dos playoffs.
#3 Phoenix Suns 4, #6 Portland Trail Blazers 1 - com Robin Lopez jogando apostaria na varrida (considerando a ausência de Brandon Roy)
#4 Denver Nuggets 4, #5 Utah Jazz 3 - antes da contusão de AK47, estava apostando no Jazz. Mas sua ausência, mais a situação de Carlos Boozer (não está 100%), me faz apostar em Carmelo Anthony e cia., mesmo sem o técnico George Karl e com Kenyon Martin voltando de contusão.
 
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segunda-feira, 12 de abril de 2010

MAIS UMA LIÇÃO DO ESPORTE

Nesse final de semana conheci um casal de amigos do meu grande amigo olímpico Marcelones (a versão personificada da ONU). John e Lisa, ele americano e ela canadense, estão viajando o mundo, patrocinados pelo Comitê Olímpico Internacional, procurando respostas para a pergunta "Why Sport Matters?" ("Por que o esporte é importante?"). Eles já passaram pela África, estão finalizando a passagem pela América do Sul e agora estão rumando para a Oceania, voltarão para a África do Sul (não podem deixar a Copa do Mundo passar em branco), Ásia e Europa (Grécia e Turquia). Deixo a indicação do site do projeto: http://www.whysportmatters.com/. Conheço muita gente que adoraria estar no lugar deles.

E ontem tivemos mais uma resposta (das muitas possíveis) para a pergunta do projeto, em Augusta, na Geórgia (EUA), onde foi concluído mais um Masters de golfe, o torneio mais tradicional da PGA. O assunto da semana foi a volta de Tiger Woods aos campos, após quase 5 meses de afastamento devido ao escândalo de sua vida particular, quando foi revelado que ele possuia mais de uma dezena de amantes, enquanto passava a imagem de um homem de família, com mulher e filhos. Enquanto Tiger tentava cuidar de seu problema (chegou a se internar em uma clínica para tratar seu vício em sexo, acreditem!), o eterno número 2 do ranking, Phil Mickelson, tentava cuidar de um outro problema, mais sério: o tratamento do câncer de mama de sua esposa, Amy, mesma doença pela qual sua própria mãe também já havia passado. Deixou de competir em diversos torneios e chegou a perder a posição no ranking.

No Masters, que foi disputado nos últimos quatro dias, ambos estavam presentes e todos os olhares estavam em Tiger (afinal, era o retorno de um dos maiores atletas de sua geração, e não estou falando apenas de golfe), que foi muito bem, apesar dos 5 meses de ausência das competições, terminando com 11 tacadas abaixo do par, incluindo o score de 69 (quanta ironia!) no domingo. Mas esse resultado foi suficiente apenas para a quarta colocação. Phil Mickelson brilhou e conquistou o Masters pela terceira vez (havia ganho em 2004 e 2006) com 16 tacadas abaixo do par do campo. Os deuses do esporte olharam na direção do bom marido. Não costumo postar textos inteiros nesse espaço, mas o texto de Rick Reilly, da ESPN.com, é brilhante. Chamo a atenção para o último parágrafo:

"Soon enough, though, Woods will win tournaments like this, pass Nicklaus, and order will be restored in the universe. But for this one Sunday in a flower-stuffed pocket of Georgia, the good husband, the good son, the good man actually got rewarded."
("Em breve, Woods vencerá torneios como esse, ultrapassará Nicklaus (o recorde de títulos em Majors), e a ordem será restabelecida no universo. Mas para esse no Domingo, em uma porção florida da Georgia, o bom marido, o bom filho, o bom homem foi recompensado").



Mickelson's win a victory for women

AUGUSTA, Ga. -- It's not often women win the Masters, but they did Sunday.

Actually, Phil Mickelson won, but for millions of women around the country, it must feel like a lipstick-sized victory. Mickelson, in case you forgot, is the guy who stayed true to his wife. He's the guy who's been missing tournaments the last 11 months while he flies her back and forth to a breast cancer specialist in Houston. He's the guy who didn't need reminding that women are not disposable.

Mani-pedis for everybody!

Also winning Sunday: karma, which proved to be alive and well. And guys who never had a temper in the first place. And endings that make you wipe your tears on the couch pillows.

Mickelson is the guy whose heavy head on the bed pillow lately wasn't self-inflicted. Both his wife, Amy, and his mother, Mary, have breast cancer. Usually, those two are at every tournament he's in, but for the last year they've been fighting, resting, and fighting again at home. And Mickelson has gone back to his rented homes alone.

So when Amy turned up on the 18th green Sunday at Augusta National for the first time in 11 months and Mickelson practically fell into her outstretched arms, you wanted to hug somebody yourself. Mickelson hugged and cried. And his wife hugged and cried. And his coach and his caddy hugged and cried. And 10 minutes later, the caddy was still crying.

"This is way beyond golf," said caddy Jim "Bones" Mackay, who's been with Mickelson for 19 years. "This is about a guy who loves his wife. This is about a guy who had a really hard year. Twenty years from now, nothing will compare with this. This is his greatest win, by far. Because of Amy, because of his mom, everything. God bless all those women that go through what Amy and Phil's mom have gone through. Because I've seen it and it ain't easy."

"Of all the majors I've been involved in," said Mickelson's coach, Butch Harmon, "be they with Tiger, Phil, anybody, this is the most emotional by far. This year has been a big, big strain on him. His game has suffered. What he really wanted was to be home with his family."

You figured a guy who came into this Masters having played only seven tournaments this year -- and never placing better than eighth in any of them -- would have a snowball's chance. But something melted in him when his wife and three kids showed up for the first time in nearly a year on Tuesday.

"He just had this peace to him that I haven't seen in awhile," said Bones.

Amy was still hurting, so she wasn't able to come to the golf course, but it was close enough. Each morning, Mickelson would take his oldest, Sophie, to a local coffee shop and play chess for an hour. At night, the whole brood would watch dumb movies. Mickelson came through that door each night after work like it was Christmas morning. You don't know how dispiriting it is to come home after a long day to a strange, empty house. Come to think of it, maybe Tiger knows.

"It's been tough," Mickelson said. "The meds that she's been taking have been very difficult and she didn't feel well and she doesn't have energy and she's not just up for a lot. But to have her here, man …"

Mickelson stopped by for a hug with his wife Amy.

Amy Mickelson is the kind of walking rainbow that could put a smile on a mortician's face, so when she showed up, everything started looking up. The golf gods started raining favors down on Mickelson's curly hair. On Saturday, golf balls started going into tiny little cups from great distances. Sunday, it got even better:

At 9: ball hits tree, bounces back into fairway. Par.

At 10: ball hits tree, bounces back into playable territory. Par.

At 11: ball hits fan, bounces into short, happy grass. Par.

"Got an assist there," Mickelson said.

Did the guy say anything?

"Ouch?" Mickelson guessed.

The big lefty took it from there.

At 12: looked into his "book of reads" for the 20-foot putt -- the green-studying book that Bones and he spent "days and days" putting together on a trip this year to Augusta -- and buried it. Birdie.

At 13: pulled off the most audacious, swashbuckling shot of his life at 13 -- from the right woods, off pine straw, through two trees (4 feet apart), over Rae's Creek, from 207 yards, to 3 feet. Two-putt birdie.

At 15: smashed an 8-iron from 205 yards -- yes, 8-iron to 15 feet for a 2-putt birdie.

Suddenly, the guy who'd spent a career being eaten alive by Woods had left him 5 shots behind. It was only a matter of lag for par, lag for par, 10-foot birdie and get the Kleenex ready.

"I saw Amy just before I putted," Mickelson said. "That was so great. I mean, I didn't know if she would be there. To walk off the green and share that with her is just very, very emotional. We'll remember this [for] the rest of our lives."

Contrast that with Woods, who spent the week reverting to form -- acerbic answers, sprayed swear words, and curt interviews. He finished fourth, which shows that the golf game is very close. The personality makeover, though, looks like it needs some work.

Soon enough, though, Woods will win tournaments like this, pass Nicklaus, and order will be restored in the universe. But for this one Sunday in a flower-stuffed pocket of Georgia, the good husband, the good son, the good man actually got rewarded.

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

SOBRE O HORÁRIO DOS JOGOS DE FUTEBOL

Aproveitando o gancho do Balu sobre o assunto do horário dos jogos noturnos em São Paulo, assunto que tem sido muito discutido na mídia recentemente, resolvi dar a minha opinião também. Eu gosto muito (muito mesmo!) de futebol e vou a todos os jogos importantes do São Paulo no Morumbi (por importantes entenda-se todos os jogos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro e os clássicos do Campeonato Paulista). Sou proprietário do passaporte tricolor (nosso “season tickets”) pelo segundo ano consecutivo. Em outras palavras, futebol é realmente importante para mim.

Mas acho que às vezes essa “importância” do futebol ultrapassa alguns limites além do que deveria. O Balu citou uma frase que é muito falada pelo Milton Neves (não sei se ele é o autor da frase ou não): “O futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes”. Concordo plenamente. O problema é que pra muita gente passa a ser uma das coisas mais importantes entre as mais importantes. O maior exemplo de que essa importância é extrapolada é a ação dos torcedores que se “profissionalizam” na atividade de torcer. Fico completamente inconformado quando vejo notícias de que torcidas “organizadas” (de qualquer time) invadem treinos para cobrar o time por maus resultados. Esse pessoal não tem mais nada para fazer numa segunda-feira à tarde? Não trabalha? E o que lhes dá o direito de invadir um ambiente de trabalho, que é o que os treinos são, para causar tumulto?

Encaro futebol como mais uma alternativa de lazer. Deixadas as proporções de lado, é como o cinema, o teatro, um show de rock ou até um programa de TV. Se é bom (ou mesmo importante), quero assistir, se não é, não faço questão. Se eu estiver presente e não gostar, tenho todo o direito de vaiar e reclamar, pois estou pagando pelo ingresso. Mas invadir os treinos vai além do meu direito de consumidor. Se o espetáculo ficar constantemente ruim ou deixar de ser atrativo por qualquer outro motivo, simplesmente deixo de ir. Não vou invadir um set de filmagens ou um estúdio de gravação para cobrar os artistas.

Em São Paulo a discussão do momento é um projeto de lei que foi aprovado na Câmara dos Vereadores e vetado pelo prefeito Gilberto Kassab (provavelmente por questões políticas) que queria proibir que os jogos terminassem após as 23h15. O argumento é que o horário dos jogos às 21h50 (“após a novela da Globo”) é a causa da queda de público nos estádios: o cidadão não vai ao estádio nesse horário porque, quando o jogo acabar, lá pela meia-noite, não terá como voltar para casa utilizando transporte público ou então terá mais risco de ser uma vítima da violência urbana. Concordo que faz sentido, mas confesso que não consigo aceitar que alguns órgãos da mídia estejam fazendo uma campanha tão intensiva em cima desse assunto. Sou ouvinte assíduo e antigo da Rádio Jovem Pan AM, mas quando seus editoriais sobre o assunto começam (e são repetidos várias vezes ao longo do dia), mudo de estação imediatamente, ficou muito chato e repetitivo, além de parecer que uma catástrofe vai acontecer se a mudança não acontecer. Já cansei de ver jogos às 20h30 com tão pouco público quanto os jogos das 21h50. Tenho certeza que o que faz a diferença é a qualidade e a importância de determinado jogo e que o impacto do fator horário é muito menor do que se anda dizendo por aí.

Os clubes de futebol têm quatro principais fontes de receita (em alguma ordem): patrocínios, venda de jogadores, bilheteria e venda dos direitos de transmissão para a TV. Provavelmente a bilheteria é a menor de todas. Ao venderem os direitos de transmissão, sabem que a TV terá o poder de definir os horários dos jogos para quando bem entender (é assim no mundo todo e em qualquer modalidade esportiva – o maior exemplo foi a Copa do Mundo dos Estados Unidos em 1994, quando a final foi disputada ao meio-dia de Los Angeles por questões televisivas para a Europa). Se o torcedor acha que não vale a pena ir ao estádio em tal horário, não vá e não dê seu dinheiro ao clube... simples assim! E se essa redução de público é compensada ou não pela receita que vem da TV, cabe aos clubes avaliarem se está sendo vantajoso ou não. O problema é todo deles, é uma questão puramente econômica.

Obviamente, eu acharia ótimo se os jogos começassem sempre entre 20h30 e 21h00, mas não deixo de ir ao estádio nos jogos das 21h50. É verdade que uso meu carro para ir e vir, mas chego em casa somente lá pela 1h00 da madrugada e acordo por volta das 06h30 para ir trabalhar. Mas eu entendo como as coisas funcionam e é uma opção minha continuar indo, mesmo ficando com mais sono no dia seguinte.

Na minha opinião, os políticos deveriam se empenhar em dar condições para que os eventos pudessem ocorrer sem maiores problemas, disponibilizando transporte adequado e garantindo a segurança, não usar esses problemas como justificativa para mudar os horários arbitrariamente ou, como também lembrou o Balu, simplesmente jogar a culpa na Rede Globo. Estão querendo tratar o futebol como um direito do cidadão, quase num mesmo patamar que saúde e educação, transformando-o numa coisa muito mais importante do que realmente é. O futebol faz parte da cultura do Brasil e, sem dúvida, precisa ter sua organização melhorada para que a população possa usufruí-lo da melhor forma possível. Mas cada coisa no seu devido lugar.

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