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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Whatever happened, happened

“Quem me conhece sabe que um dos momentos mais chocantes da minha vida enquanto telespectador de teleséries foi o último capítulo da terceira temporada, em que todos assistimos por mais de uma hora a cenas do futuro sem saber do que se tratavam, e tomamos na cara aquela aparição de Kate e aquele "We have to go back!" Nenhum outro momento de "te peguei" na série desde então teve um impacto tão forte quanto aquele. Nem mesmo a última reviravolta de "The End," aquela que explica finalmente a "realidade paralela" que vínhamos acompanhando desde o início dessa temporada, mas rapaz - chegou bem perto. Ao ponto de eu por um momento não entender o que estava vendo, e subitamente, como um raio, tudo ficar claro, e meus olhos se encherem de lágrimas. Não me importo que tenha sido a reviravolta mais descaradamente espiritual da série até a data - nunca me incomodei com espiritualidade em obras de ficção científica, inclusive porque é um recurso manjadíssimo pra quem não estreou no universo nerd com Lost - aquela cena me deixou moído, com cara de paisagem, me sentindo mais uma vez ludibriado, da forma boa, pelos produtores (eles sempre disseram que *a Ilha* não era o purgatório... boa, Darlton, muito boa). Injetou significado retroativamente em todos os episódios da temporada, e todas as estranhezas e as coincidências das vidas que os Losties levavam nela se encaixaram de forma cristalina. Eles precisavam uns dos outros. Precisavam se reencontrar, mesmo que além do plano mortal, para seguir em frente. E que metáfora filha da puta para nós, espectadores-protagonistas, que também tivemos que deixar a Ilha, e que também precisamos seguir em frente depois de termos sido parte de Lost por seis anos. A sexta e última temporada de Lost tem na resolução de seu enredo um motivo apenas secundário. O principal, o essencial, era a despedida. O fim da jornada que foi assistir - e produzir - Lost. Um tema que fala forte àqueles que realmente se envolveram com a série, não aos que assistiam aos pedaços, sem atenção, procurando cenas ou diálogos patronizadores que preenchessem listinhas frias de "perguntas sem respostas." E por se envolver, quero dizer se envolver com a história, não necessariamente ficar obcecado por cada minúcia, por cada campanha de marketing, por cada spoiler vazado, etc. Quero dizer se importar mais com o bem estar de Jack, Kate, Sawyer, Hurley e tantos outros, do que com a ilha que uniu nossas vidas às deles.”

Esse trecho não foi escrito por mim, mas quem me dera que fosse, pois reproduz com assombrosa precisão todos os meus sentimentos por volta da uma e meia da manhã, quando meus amigos saíram de casa após assistirmos ao final de Lost. O trecho faz parte de um texto brilhante de Rafael Savastano, do blog “Análise de Lost” (recomendo a leitura, mesmo sabendo que alguns acham que já “perderam tempo suficiente com a série”).

Demorei pra dormir, tentando assimilar todas aquelas informações. Minha série de TV favorita havia chegado ao fim (minhas desculpas à brilhante “The Wire”, que vai ficar mesmo com o segundo lugar) e, nas palavras de minha amiga Taís, uma das que estavam em casa, o desfecho me deixou abalado e sem palavras. Assim como Rafael Savastano, não tão embasbacado quanto o final de “Through the looking glass” (o final da terceira temporada), mas foi um golpe muito forte. Estou escrevendo agora para mim, numa tentativa de registrar e organizar minha percepção e para colocar alguns pontos que ainda não vi escrito em lugar nenhum.

A primeira coisa que me veio na cabeça foram as entrevistas dos produtores Carlton Cuse e Damon Lindelof que estão nos extras do box da primeira temporada. Eles disseram naquela época que série era sobre as pessoas, sobre os personagens, que tinham problemas muito sérios em suas vidas e que agora compartilhavam a experiência de serem sobreviventes de um acidente aéreo em um lugar misterioso. Mais: que esse lugar os ajudaria a se encontrarem, a se redimirem. “Lost” (“Perdidos”) era o título que remetia a um sentido físico (afinal, estavam numa ilha sabe-se lá onde), mas que poderia ter um sentido que vai além do físico. “The End”, o series finale, teve como principal desfecho o encontro e a redenção dos personagens, fechando esse raciocínio.

É verdade que a série foi muito marcada, ao longo de todas as temporadas, pelos mistérios. Foram os mistérios que transformaram a série em um fenômeno de popularidade, levando todos os fãs a criarem um número imenso de teorias e especulações sobre os significados dos números (4, 8, 15, 16, 23, 42), da Iniciativa Dharma, do Monstro de Fumaça, os ursos polares, o enigmático Richard, as visões dos mortos, os sussurros, etc, etc, etc. Acho que se for feita uma lista, é possível que a maioria dos mistérios não tenha sido respondida, que boa parte foi respondida de forma a deixar margens para interpretação (como os números e os problemas de fertilidade) e outra parte foi respondida de formas muito simples, como o que eram os sussurros e o porquê do não envelhecimento de Richard. E vejo essa forma de explicações simples como um recurso extremamente válido, pois muitas vezes eu me vi com o mesmo nível de informação que os próprios personagens, sem saber se as decisões que eles tomavam eram certas ou erradas. Essas decisões algumas vezes levavam a descobertas e outras vezes levavam a mais perguntas e as informações (respostas) disponibilizadas foram aquelas que levaram ao desfecho da história na ilha (a realidade propriamente dita). Como escreveu Rafael Savastano, “a mitologia era um veículo, não um destino”. Antes que alguém diga que então seria muito fácil para os criadores limitar tanto as respostas quanto o desfecho para deixar tudo alinhado, basta lembrar quais eram as duas coisas que precisavam ser resolvidas na ilha: 1) resgate dos sobreviventes (volto a isso daqui a pouco) e 2) derrotar o monstro de fumaça e, consequentemente, salvar a própria ilha. E as duas coisas foram alcançadas no finale, infelizmente, ao custo de muitas vidas (a morte dos coreanos foi especialmente triste, considerando que ambos deixaram uma filha pequena).

Sobre a realidade paralela, agora sabemos que se tratava de um mega-flashforward, já no pós-vida dos personagens, uma espécie de purgatório, onde os personagens realmente se reencontraram e se redimiram, “deixando pra lá” os dilemas da vida e achando a redenção (se reencontrando) no amor daquelas pessoas que realmente tiveram o maior significado em suas vidas. Por isso Ben Linus ainda tinha coisas para resolver e Ana Lucia ainda não estava preparada. Os mini-flashbacks foram muito felizes ao trazer momentos relevantes de cada um e ajudando todos a “deixar pra lá” e seguir em frente, agora espiritualmente. E foi muito importante a conversa que Jack teve com seu pai, quando este afirmou que tudo que havia acontecido era REAL e que tudo tinha importância. Foi didática demais para o perfil da série, mas era necessário que fosse assim, para deixar claro que os personagens não morreram no acidente. “Whatever happened, happened”.

Voltando ao resgate: esse era o objetivo inicial dos sobreviventes, afinal, haviam saído de um acidente aéreo e tinham uma vida fora da ilha que queriam retomar, apesar de, conforme o tempo foi passando, essas vidas fora da ilha não eram exatamente algo que trazia saudades. Jack Sheppard, durante as 3 primeiras temporadas, como médico e homem da ciência, assumiu o posto de líder e a missão de conseguir o objetivo de salvar o grupo. Como tempo, passou a se transformar de homem de ciência para homem de fé,  papel inicialmente ocupado por John Locke, que acabou se sacrificando para convencer Jack de seu destino, e voltou para a ilha para ajudar aqueles que haviam ficado por lá e finalizar a missão que receberia posteriormente de Jacob, como “o” candidato. Mas, após cumprir essa missão, derrotando finalmente o Monstro de Fumaça, numa missão suicida, voltou para onde tudo começou e foi nesse momento que seu ciclo se fechou. A primeira cena do episódio piloto começou com Jack abrindo o olho no meio de uma plantação de bambus. Olhou para cima, viu o céu azul no meio da vegetação e a partir daí os acontecimentos começaram a se desenrolar. Na última cena de Lost (na minha opinião uma obra-prima no simbolismo e na emoção), Jack volta para o mesmo local, deita na mesma posição, olha mais uma vez para o céu, mas dessa vez vê o avião da Ajira levando Kate, Sawyer e Claire de volta para o mundo normal. Eram apenas 3 dos sobreviventes iniciais (mais Hurley, Rose e Bernard que ficaram na ilha), mas ele havia conseguido salvá-los e ajudá-los a serem resgatados. Missão cumprida. Expressão de alívio. Olhos fechados. The End.

Os criadores da série sempre disseram que nem todos os mistérios seriam respondidos e que eles queriam apenas contar e finalizar a história que criaram para aqueles personagens. Após várias temporadas de reviravoltas, eles cumpriram o que disseram. Felizmente para mim, não fiquei preocupado com as soluções de todas perguntas e mistérios. Eu acompanhei a série para assistir a uma história bem contada (afinal, é entretenimento) e  que me faz pensar. As questões de fé x ciência, destino x livre arbítrio e a busca pela redenção dos personagens foram mais que suficientes para nos fazer pensar. E quanto à história, obviamente tivemos mudanças de curso, algumas forçadas, como a morte de Mr.Eko, devido  à exigência do ator de sair da série, e outras nem tanto, como a não conclusão da história de Walt, talvez pelo fato de o ator ter ficado muito grande para manter a correlação com o personagem original (ambos os casos uma pena), mas não consigo lembrar de nenhuma uma série de TV que tenha me trazido uma história melhor contatada do que Lost. E deixará saudades.

Para finalizar, é impressionante o sentido que a famosa frase de Desmond, meu personagem favorito da série, e que foi usada pela primeira vez no primeiro episódio da segunda temporada, faz sentido agora que sabemos de tudo:

See you in another life, brothá!

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quinta-feira, 11 de março de 2010

TIRANDO O ATRASO...

Com muita coisa acontecendo acabei deixando de escrever com a freqüência que gostaria no último mês. Para tirar o atraso, dez comentários que não posso deixar passar, pelo menos pra ficar em dia com os eventos.

1. Na minha lista de momentos esportivos da década deixei de fora o jogo dos 81 pontos de Kobe Bryant. Imperdoável. Fica o registro.

2. Kevin Durant deverá ser o líder de média de pontos na NBA nesse ano (já ultrapassou Lebron e D-Wade). E ele tem apenas 21 anos. É uma máquina de pontuar (teve uma sequência de 29 jogos seguidos com pelo menos 25 pontos por jogo) e já virou um dos meus jogadores favoritos. Ninguém tem idéia do quanto eu estou feliz com a regra do keeper que foi instituída na minha liga fantasy nesse ano. Ele não sai do meu time nunca mais.

3. Apesar da euforia até mesmo aqui no Brasil, não consegui me empolgar com o curling nos Jogos Olímpicos de Inverno. Continuo achando muito chato. Se dependesse de mim, os Jogos de Inverno teriam apenas as provas de corrida, hóquei e o salto gigante (144 metros!!!). Nada de provas onde tem que se dar nota. Ou então que a medalhas das outras modalidades sejam menores.

4. O São Paulo montou um grande elenco, mas até agora não temos um time engrenado. O time joga em câmera lenta, parece que falta vontade. Nessas horas eu sinto falta do Muricy indignado com falta de motivação dos jogadores. A derrota para o Once Caldas foi daquelas difíceis de engolir, pois o time teve todas as condições de ganhar o jogo, só faltou querer.

5. Na NBA, passou o prazo para trocas e o que se viu foi equipes querendo se livrar de grandes contratos para limpar a folha salarial e tentar a sorte no próximo verão quando nomes como Lebron, D-Wade, Chris Bosh e Joe Johnson estarão no mercado. Imagino ser um portador de season tickets desses times e ter que me conformar com meu time abrindo mão de ter uma equipe competitiva para tentar contratações importantes no futuro. Os Knicks, por exemplo, já abriram mão das 3 últimas temporadas...

6. Guerra ao Terror é um filme excelente, mas o filme do ano foi Bastardos Inglórios, sem dúvida. Pela segunda vez Quentin Tarantino faz o filme do ano e sai do Oscar de mãos vazias. Mas pelo menos não deu Avatar.

7. Não resta mais dúvidas... Meryl Streep é a maior estrela do mundo do cinema. Fim de discussão. Bill Simmons e o Balu têm a mesma opinião.

8. (Spoiler) Sobre os 10 primeiros episódios de “24”: to achando a temporada fraca em relação às anteriores. A questão do Jack Bauer ficar fazendo doce pra ver se vai ajudar a CTU ou não já cansou. Tiveram que convencê-lo 3 vezes (pelo menos a terceira foi para garantir a ajuda até o final). Espero que ao final da temporada ele resolva voltar em definitivo para não termos a mesma frescura na próxima temporada. Quanto à história em si: começou num ritmo muito bom, mas parece que já precisaram começar a enrolar pra conseguirem encher os 24 episódios – os cilindros nucleares já mudaram de mãos 4 vezes! E ainda não saquei que fim vai levar a história do Freddie Prinze Jr (o novo prodígio da CTU) e sua noiva que trabalha na CTU mas tem um passado de criminosa.

9. Em compensação, tivemos o final da quarta temporada de “Friday Night Lights”. Brilhante. Os personagens são muito poderosos e o casal Eric e Tammy Taylor são meus personagens favoritos dentro todos os seriados que assisto ou já assisti (menção honrosa para o presidente David Palmer, das 4 primeiras temporadas de “24”). Por ser uma história numa high school, é inevitável que alguns personagens se formem e tenham que deixar a série. E, felizmente, a reposição com novos personagens foi muito feliz. O desfecho para Tim Riggins (outro baita personagem) foi previsível, até certo ponto triste, mas não tinha como ser diferente. Minha terceira série favorita, depois de The Wire e Lost. Falando em Lost...

10. (Spoiler) Finalmente começou a tão esperada última temporada de LOST. E já começaram as cornetas. Minha maior crítica é que o pessoal tem a necessidade de analisar cada episódio isoladamente e fica frustrado quando as tão esperadas respostas não são dadas. Temos que esperar o final da série para analisar essas coisas. Particularmente, já estou satisfeito com as explicações para os números e o monstro de fumaça e só espero a explicação maior, que é o sentido da presença de todos na ilha. Desde a primeira temporada os produtores dizem que a série é focada nos personagens e parece que está rumando para um desfecho nesse sentido. E achei brilhante a idéia da realidade paralela para confrontar o destino de cada um. Ainda temos 12 episódios pela frente.

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

LOST - A ÚLTIMA TEMPORADA

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SPOILER ALERT!
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Primeiro achávamos que seria apenas questão de lutar pela sobrevivência até que o resgate chegasse. Ainda na primeira temporada descobrimos que a ilha tinha algumas coisas estranhas e que eles não estavam sozinhos. Depois soubemos que as coisas estranhas da ilha tinham um propósito pra lá de misterioso, enquanto o pessoal que já estava lá tinha planos para os sobreviventes. Na terceira temporada descobrimos que esse pessoal não só vivia em uma sociedade organizada como tinha acesso ao mundo exterior e poderiam levar os sobreviventes para fora da ilha! Mas ao mesmo tempo chegava uma equipe de resgate e uma guerra se armou entre os sobreviventes e o pessoal da ilha (chamados de “Os Outros”). Só que a saída da ilha deixou de ser o foco do problema, pois os flash-backs se transformaram em flash-forwards e fomos informados de que alguns dos sobreviventes não só conseguiram sair da ilha, como passavam por dificuldades de volta ao mundo normal. A equipe de resgate? Eles não estavam lá para resgatar os sobreviventes, mas sim para capturar o líder dos Outros, pois trabalhavam para alguém que havia exercido essa função no passado, mas que foi expulso e agora era um empresário multimilionário e que faria de tudo para recuperar a ilha. Enquanto isso, os sobreviventes que ficaram na ilha também passavam por sérios problemas e, para se livrarem desses problemas, precisariam da ajuda daqueles que partiram, que teriam que voltar para a ilha! E eles não só voltaram, mas voltaram para 30 anos no passado! De repente nos vimos frente a uma história na qual cada um dos passageiros do vôo 815 possui uma importância específica, não só no presente como no passado e que todos os acontecimentos estariam sendo manipulados por 2 entidades superiores (deuses?) que disputavam não só o domínio da ilha, como a supremacia de suas intenções para as pessoas (ou seria a humanidade?).

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FIM DO SPOILER ALERT!
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A proporção que a história alcançou, de um mero acidente aéreo para uma suposta disputa mitológica, traz uma ansiedade gigante para a sexta e última temporada de LOST, que se inicia nessa terça-feira nos Estados Unidos. Eu mesmo, junto com alguns amigos, aproveitamos os quase 8 meses de espera entre o final da quinta temporada e o início da sexta para rever as cinco primeiras temporadas (depois soube que muita gente fez a mesma coisa). A idéia era, sabendo de toda a história, buscar detalhes que passaram quando vistos pela primeira vez e que poderiam estar relacionados com eventos futuros. Desde o começo, os criadores e produtores da séria afirmavam que já haviam “desenhado” cada uma das temporadas desde o começo e que já haviam definido como seria o final da história. A conclusão depois de rever as cinco temporadas? Que eles realmente sabiam o que estavam fazendo. Desde a primeira temporada, alguns detalhes saltaram aos olhos e já faziam referência ao final da quinta-temporada, quando a questão mitológica entrou em cena. Obviamente, ajustes foram necessários ao longo de 5 anos, mas ficou clara a coerência entre fatos. E na quinta temporada já percebemos que o tema que vem desde a primeira temporada, que era o duelo entre a fé e a razão, simbolizadas pelos 2 principais personagens da série (John Locke e Jack Sheppard, respectivamente) finalmente começou a pender para o lado da fé, ficando claro que, conforme John Locke dizia desde o início, todos estão lá por um motivo, e não por uma mera fatalidade que foi a queda do avião.

Tem muito corneteiro por aí (a maioria nem acompanha a série, é bom dizer) que torce para que a sexta-temporada seja uma decepção e que não traga as respostas que todos esperam ter, talvez só para poder dizer que foi tudo perda de tempo de nossa parte. Para esses: procurem algo melhor para fazer. Parece que eles só torcem para que a série acabe mal para que não sejam obrigados a ouvir os amigos que são fãs discutindo incansavelmente os episódios. Tenho vários amigos que nunca haviam assistido nada da série até pouco tempo atrás e resolveram dar uma chance “só pela curiosidade”. Ficaram completamente viciados e devoraram as cinco temporadas em poucos meses.

Já vou deixar registrado desde já: as tais respostas que todos esperam não serão 100% respondidas – os próprios produtores já adiantaram isso. E as questões que realmente importam são aquelas relacionadas aos personagens e qual o destino final de cada um deles. É importante esclarecer a importância de personagens “secundários”, mas “especiais”, como Aaron, Walt, Desmond e Richard. O mesmo vale para Jacob e seu inimigo misterioso (nesse caso não há escapatória para os produtores). Mas a falta de explicações adicionais para os ursos polares, os números e até mesmo para o monstro de fumaça preta, ou seja, as coisas “bizarras” da ilha, não vão trazer nenhum prejuízo para o entendimento do contexto (pelo menos para mim). Desde o começo os produtores já diziam que a série tem como foco principal a história dos personagens e parece que esse ponto é realmente o crucial para o desfecho.

Acabou a espera. Agora é hora de curtir os 18 episódios finais (exibidos em 16 semanas) de uma série que já marcou época e já começou a deixar saudades. Que venham as últimas sacadas hilárias do Hurley, os últimos apelidos e sarcasmos geniais do Sawyer (e também do Miles) e não vamos nos esquecer de não subestimar a capacidade da Kate de fazer bobagens.

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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

LOST IS BACK!

Parece que, originalmente, a posse de Barack Obama estava prevista para a quarta-feira, dia 21 de janeiro. Mas a data teve que ser alterada, pois coincidiria com a data da estréia da quinta temporada de "LOST", o que significaria que:

1) A competição pela audiência seria desleal – a série levaria grande vantagem e a posse do 44º presidente americano da história, o primeiro negro, passaria despercebida;

2) O próprio Obama não aceitaria perder a estréia da nova temporada da melhor série da TV americana – e usar o TiVo estava fora dos planos, pois ficaria defasado nas discussões sobre o episódio na manhã do dia seguinte.

Com isso, a posse foi antecipada para a terça-feira, dia 20.


OK, eu inventei tudo isso. Tudo, menos a parte de que "LOST" é a melhor série da TV americana. Pelo menos em minha opinião. Sou um fanático por séries (tanto que estou escrevendo sobre uma delas no meu blog onde falo basicamente de esportes) e só não acompanho mais séries por absoluta falta de tempo. Atualmente estou acompanhando 4 séries: “Lost”, “Heroes”, “Friday Night Lights” e “90210” (a versão 2008 de “Barrados no Baile”). A terceira temporada do excelente “Friday Night Lights” acabou na semana passada, a terceira temporada do curioso “Heroes” está interrompida entre o final de um volume e outro (a série, além de ser dividia em temporadas, é dividida também em volumes) e "90210" está na metade da primeira temporada (e a Sony está fazendo o favor de já estar reprisando alguns episódios). Nesse meio tempo, aproveitando um período de férias no final do ano, comecei a acompanhar as aventuras de Jack Bauer no ótimo ”24”, com alguns anos de atraso – já consumi em poucos dias as duas primeiras temporadas e estou para iniciar a terceira, enquanto nos EUA acabou de estrear a sétima.

Mas quando o assunto é “Lost”, todas as demais séries se tornam secundárias. A única que conseguiu dividir minhas atenções de forma quase 50/50 foi o magistral “The Wire”, da HBO (esse sim o favorito de Barack Obama), cuja quinta e última temporada se encerrou no início de 2008. Agora, sem concorrente do mesmo nível (que Jack Bauer e Sylar não leiam isso), “Lost” volta para a sua penúltima temporada. Mas o que faz de “Lost” esse fenômeno e por que eu a considero a melhor série da TV? Explico:

A idéia inicial de “Lost” pode não ser das mais originais: sobreviventes da queda de um avião se encontram presos em uma ilha aparentemente deserta e precisam se virar para sobreviver enquanto esperam pelo resgate. Cada episódio mescla a narrativa entre o dia-a-dia na ilha e flash-back’s dos principais personagens, mostrando como era a vida de cada um antes de entrar no vôo 815 da Oceanic, que iria de Sidney para Los Angeles. Esses flash-back’s (de um personagem específico em cada episódio) mostram até algumas relações existentes entre os personagens, sem que eles soubessem. Até aí, tudo normal. Mas coisas estranhas começam a acontecer na ilha, que parece não ser deserta como se esperava. E a partir daí, a série começa a tomar rumos que a tornam diferenciada.

**************************SPOILER ALERT****************************

A partir de agora, para quem nunca assistiu a série e pretende assistir, melhor não ler o que segue (voltem no final do “spoiler alert”), pois vou citar fatos das 4 primeiras temporadas que podem “estragar a surpresa”. Eu estou avisando! Corram seu próprio risco! Recomendo que leiam novamente o parágrafo anterior, corram até a locadora ou loja mais próxima (ou mesmo ao seu programa de download favorito) obtenha e assista apenas aos primeiros 5 ou 6 episódios – você não vai conseguir parar.

Voltando à série: os sobreviventes começam a perceber as tais coisas estranhas acontecendo e a exploração da ilha leva a algumas situações novas, como o encontro com um urso polar (vivo!), a descoberta de estações científicas arcaicas (final da primeira temporada), um monstro misterioso que causa estragos por onde passa e até mesmo uma população de nativos hostis, batizados de “os Outros” (do meio para o final da segunda temporada).

Até o final da terceira temporada todo mundo ainda esperava que a série continuaria na disputa entre os sobreviventes e os “outros”, até que um dia o resgate finalmente chegaria. Mas então veio último episódio da terceira temporada. Na minha opinião o melhor episódio de qualquer série que eu já assisti até hoje.

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MEGA-SPOILER ALERT – SÉRIO, NÃO DIGAM QUE EU NÃO AVISEI!
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Nesse episódio, o flash back se mostrou, no final, se tratar de um flash-foward, ou seja, os personagens se encontravam no futuro, já fora da ilha. Depois de recolher meu queixo do chão, assisti ao episódio outras 2 vezes, mal conseguindo acreditar. A partir daí, tudo mudou, quando ficou claro que o principal personagem da série não eram os sobreviventes, mas sim a própria ilha. A quarta temporada, agora cheia de flash-foward’s, começa a preparar o terreno para o que realmente a série trata: uma disputa pelo controle da ilha, que tem características especiais – pessoas com câncer que caíram lá deixaram de apresentar os sintomas da doença, mulheres que engravidam na ilha morrem durante a gravidez, a própria ilha causou a queda do avião por um fenômeno eletromagnético, um paraplégico voltou a andar após o acidente, entre muitas outras coisas. Ao final da quarta temporada, sabemos como alguns dos sobreviventes foram resgatados, enquanto outros ficaram na ilha. E a ilha, por sua vez, desaparece (ou "é movida"), numa tentativa do líder dos “outros” de preservá-la das buscas. E os sobreviventes que se encontram fora da ilha, agora com vidas complicadas, começam a perceber que precisam retornar à ilha para “salvá-la”.

E a quinta temporada deve se concentrar em como eles tentarão retornar à ilha e o que aconteceu com ela após ser movida, além de como seguirá a disputa pelo seu controle.

******************** FIM DO SPOILER ALERT ************************

Para quem pulou o “spoiler alert”, só posso dizer o seguinte: “Lost” vai muito além do conceito “sobreviventes numa ilha a espera do resgate”, envolve (boas) histórias que se misturam e trazem mais significado à série – muitos dos personagens estavam realmente “perdidos” (moralmente, dando mais sentido ao título da série) antes do acidente e a experiência na ilha seria nada mais que uma redescoberta de cada um; O episódio final da terceira temporada é o melhor episódio de qualquer série que eu vi até hoje – precisei recolher meu queixo do chão ao final e assistir de novo para acreditar no que tinha visto; E, mesmo que muitos mistérios demorem a ser explicados (e nem sempre são) – o maior argumento dos críticos de “Lost” é o fato de que são criados muitos mistérios e são fornecidas poucas explicações – quem entende o conceito maior da série não sente tanta falta de tais explicações.

Outra coisa que diferencia “Lost” da maioria das séries, é que já foi criada com previsão de quando acabaria – seriam 6 temporadas no total e os criadores desde o começo declaram que já desenharam todos os acontecimentos de cada uma das temporadas, ao contrário do que a maioria das outras séries – com outra exceção em "The Wire" -, que tomam rumos diferentes em função da audiência, incluindo alterações de roteiro e do número de temporadas.

Fica complicado comentar em um post todos os fatores que fazem com que “Lost” seja tão atraente e viciante sem entregar segredos e surpresas da série. Cada personagem por si é uma história complexa, com destaque para John Locke, Benjamin Linus e Desmond, entre outros. De novo, recomendo que corram à locadora ou loja mais próxima e comecem a primeira temporada. Podem me cobrar depois. E para aqueles que estão atualizados até o final da quarta temporada, nesta quarta-feira a espera acaba e a aventura continua. E é bom ter Evangeline Lilly (foto) de volta em nossas vidas...

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