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domingo, 15 de agosto de 2010

Muito mais que o escudeiro de Michael Jordan

Há alguns anos eu e um grupo de amigos fizemos nossas próprias listas do nosso “dream team” da NBA, considerando apenas os jogadores que havíamos visto jogar. Na minha lista de 12 jogadores eu reservei um lugar para Scottie Pippen, o eterno companheiro de Michael Jordan no Chicago Bulls. Muitos dos outros, que também faziam suas listas, diziam que Pippen devia tudo o que tinha ao Michael Jordan e que, sem ele, teria uma carreira apenas regular.

(Antes que alguém me pergunte, minha lista de 12 jogadores, devidamente atualizada: Primeiro time: Magic Johnson, Michael Jordan, Larry Bird, Tim Duncan, Shaquile O’Neal. Segundo time: Isiah Thomas, Kobe Bryant, Lebron James, Karl Malone, Hakeem Olajuwon. Para completar os doze: Scottie Pippen e Reggie Miller.)

Nessa semana, Pippen foi introduzido, de forma mais que merecida, no Hall da Fama do basquete. Dentre os Small Forwards que vi jogar, ele só fica atrás de Larry Bird e Lebron James, na frente de James Worthy e Dominique Wilkens. Na história? Seguramente um dos dez melhores, considerando que nomes como Julius “Dr. J” Erving, Bernard King, Rick Berry e John Havlicek seguramente entrariam na conversa.

Pippen foi um ala de 2,03m que podia jogar de Point Guard sem nenhum problema. Tinha a capacidade de parar o melhor jogador adversário na defesa (poucos se lembram que a série final de 1991 virou em favor dos Bulls a partir do momento em que Pippen assumiu para si a responsabilidade por marcar Magic Johnson). Uma máquina de roubar bolas, puxar contra-ataques e até mesmo um excelente arremessador de três pontos.

Ainda não convenci ninguém? Então vamos aos fatos:

• Nomeado um dos 50 maiores jogadores de todos os tempos em 1997;

• Participou 7 vezes do All Star Game, sendo 6 como titular (MVP do jogo em 1994);

• 3 vezes All-NBA First Team (primeiro time na seleção do campeonato);

• 8 vezes NBA All-Defensive First Time (primeiro time na seleção dos melhores marcadores);

• Terceiro jogador em número de jogos de playoffs, atrás de Kareem Abdul-Jabbar e Robert Horry;

• Único jogador a ganhar a medalha de ouro olímpica e o campeonato da NBA no mesmo ano DUAS VEZES (1992 e 1996);

• Participou do Dream Team original de 1992, nos jogos Olímpicos de Barcelona.

• No primeiro ano em que jogou sem Michael Jordan (na primeira aposentadoria, em 1994), conduziu o time a 55 vitórias e foi o terceiro colocado na eleição de MVP (atrás de de Hakeem Olajuwon e David Robinson).

• É o ala que tem mais assistências (6.135) e roubadas de bola (2.307) na história da NBA.

Para finalizar, recomendo três excelentes textos sobre Scottie Pippen:

Estamos falando de um dos jogadores mais completos da história do basquete. Dizem que foi Michael Jordan quem fez a carreira de Scottie Pippen. Eu digo que, sem Pippen , MJ jamais teria conquistado seus seis títulos.


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domingo, 20 de junho de 2010

Lakers 83, Celtics 79. História foi escrita.

"This is one of the most poorly played games you will ever see from an offensive standpoint"
- Jeff Van Gundy, ESPN

“Somebody will come across the box score and think this was one of the more hideous championship games ever decided. The numbers won't convey the tension felt by everyone who watched, regardless of their rooting interest or even impartiality. The digits can't capture the reputations on the line, or the desire each side felt in a rivalry that has been pulled out of the dusty archives and displayed in vivid high-def during the 13 Finals games these two teams have played in the past three years.”
- J.A. Adande, ESPN.com



Não foi nada bonito, mas foi MUITO intenso. Os Lakers perderam as finais de 2008 para os Celtics e passaram a ser considerados um time “light”. Mesmo com o título de 2009, vencido em cima do Orlando Magic nas finais, ainda ficava aquele ponto de interrogação, chamado Boston Celtics. Toughness (ser agressivo, ser duro, ser forte, ter raça, tudo isso junto). Essa era a palavra que perseguia o time. E “toughness” foi o que não faltou no jogo 7. Faltou nível técnico para ambos os times, mas foi uma guerra do começo ao fim. Ao final do jogo, era evidente que todos os jogadores estavam exaustos. Principalmente os Celtics, que não conseguiram segurar uma vantagem de 13 pontos conquistada no início do terceiro quarto (talvez por culpa do técnico Doc Rivers, que não utilizou o banco de reservas como deveria).

Assim como nos outros 6 jogos da série, o time que pegou mais rebotes venceu o jogo. Os Lakers pegaram 53 rebotes, contra 40 dos Celtics. Mas que impressionou foram os 23 rebotes ofensivos dos Lakers em uma noite de baixíssimo aproveitamento nos arremessos – tiveram que lutar por cada ponto. Ao final do segundo tempo Kobe Bryant e Pau Gasol estavam com um aproveitamento somado de 6-26. E estavam com uma desvantagem de apenas 6 pontos. Do laudo dos Celtics, os arremessos também não caiam. Paul Pierce e Ray Allen combinaram para um aproveitamento de 8-29 ao longo do jogo.

E no meio de toda essa bagunça, temos a história do jogo: Ron Artest. Como fiquei feliz ao lembrar de ter escrito aquele parágrafo sobre ele antes do jogo, dando crédito por tudo o que ele vinha fazendo. Seria muito fácil elogiá-lo apenas agora, após o jogo 7. Foi ele que manteve os Lakers no jogo quando nada dava certo. Ninguém fez mais pontos do que ele no primeiro tempo (12). Suas 5 roubadas de bola foram providenciais e, o mais importante, segurou mais uma vez Paul Pierce na defesa (PP terminou com 5-15 nos arremessos). Durante os momentos decisivos do jogo, logo após uma bola de 3 pontos de Rasheed Wallace,reduzindo a vantagem dos Lakers para 3 pontos, foi Ron Ron que fez a cesta mais importante da noite, em um arremesso de 3 pontos daqueles que TODOS os torcedores dos Lakers tinham calafrios (“NÃÃÃÃÃÃO!”) quando ele arremessava nos jogos anteriores. Naquele arremesso, após o qual ele jogou beijos para a torcida, levou a diferença para 6 pontos (79-73) com apenas 60 segundos para jogar. Ainda teríamos mais 2 bolas de 3 para os Celtics, uma de Ray Allen e outra de Rajon Rondo (mais uma bizarrice do jogo), mas os lances livres de Kobe Bryant e (pasmén!) Sasha Vujacic, deram os números finais: 83-79.

E como se tudo isso não bastasse, Ron Ron ainda deu entrevistas folclóricas após jogo (deixo os vídeos abaixo, vale a pena!), agradecendo até à sua psiquiatra, que o ajudou a ficar mais relaxado. O cara que causou a maior briga da história da NBA, em 2005 e que ficou suspenso por 1 ano foi o principal nome de um jogo 7 entre os dois times mais tradicionais e vencedores da história da NBA, que somam 33 títulos em 64 anos de liga.

Kobe levou o prêmio de MVP, apesar da má atuação no ataque (6-24). Muito se fala que ele teria a obrigação de ser o melhor em quadra, como Michael Jordan fazia. Não vamos nos esquecer que houve situações que Michael Jordan precisou da ajuda de coadjuvantes, especialmente John Paxon (1991 e 1993) e Steve Kerr (1997) para garantir alguns títulos. Kobe estava jogando contra uma marcação implacável, quase sempre dupla, dos Celtics, que pareciam determinados a impedir que ele jogasse, na tática de “se eles querem nos vencer, que nos vençam com os outros jogadores, pois não vamos deixar o superstar fazer nada”. Terminou o jogo com 23 pontos, mas precisou de 24 arremessos para isso, acertando apenas 6. Compensou nos rebotes – foram 15 no total. Se no ataque as coisas não davam certo, ele conseguiu contribuir – e muito – de outra forma.

Pau Gasol poderia ter sido eleito o MVP que também teria sido merecido. Terminou o jogo com 19 pontos e 18 rebotes, sendo alguns decisivos. Acrescente os 23 pontos e 14 rebotes do jogo 1 e o quase triple-double do jogo 6 (17-13-9), todos em vitórias dos Lakers, e temos um série monstruosa. Além disso, o melhor jogo do Kobe veio em uma derrota (no jogo 5), enquanto as 3 melhores atuações de Gasol aconteceram em vitórias.

E não dá pra não falar de Phil Jackson. Na minha previsão antes da temporada eu o citei como o maior ponto de interrogação para a temporada, pelo desafio de repetir o título e de comandar Ron Artest. E pela quarta vez ele consegue títulos consecutivos. Nas outras três vezes, duas pelo Chicago Bulls (91-93 e 96-98) e outra pelos Lakers (2000-2002) ele conseguiu o three-peat. Teria condições de buscar o quarto tricampeonato? Vai depender de suas condições de saúde. Mas não dá mais para questioná-lo, após 11 títulos, como o maior técnico da história da NBA.

Voltando ao jogo, para finalizar. Hoje, 2 dias depois, fica cada vez mais claro o quão intenso o jogo foi. Vimos jogadores multimilionários voando de cabeça em bolas perdidas e atrás de cada rebote. Tudo pelo desejo de vencer. É um jogo que cada técnico de cada modalidade esportiva, não importa o nível, deveria utilizar como exemplo para suas equipes. Ao longo da série não tivemos nenhum jogo decidido no último segundo. Mas tivemos uma série definida no último jogo. Foi histórica. E os Lakers passaram pelo seu eterno fantasma, os Celtics.


Ron Artest - entrevista após o jogo




Ron Artest – Jimmy Kimmel Live


sexta-feira, 18 de junho de 2010

GAME 7



Sabemos que Jack Nicholson estará ocupando seu lugar no courtside do Staples Center. Qualquer um que se arriscar fazer qualquer outro tipo de previsão para o jogo de hoje à noite estará correndo o sério risco de passar vergonha.

Jogo 7 das finais da NBA (o terceiro dos últimos 21 anos). Lakers e Celtics – as duas equipes mais vitoriosas da história da liga (32 títulos somados), as mais tradicionais, a maior rivalidade. Pela décima-primeira vez se enfrentam em uma final. Pela quinta vez, a final chega a um jogo 7 (os Celtics venceram as outras 4 vezes). A Copa do Mundo que me desculpe, mas não há jogo mais importante do que esse até o próximo dia 11 de julho (e olha lá!).

E realmente é muito difícil fazer qualquer precisão. Basta fazermos um resumo do que foram os primeiros 6 jogos da série:

JOGO 1: Lakers 102, Celtics 89.
- Pau Gasol: 23 pontos e 14 rebotes
- Ron Artest: 15 pontos, 5-10 FG e 3-5 3pt FG
- Kobe Bryant: 30 pontos
- Rebotes: Lakers 42, Celtics 31
- Pontos no garrafão: Lakers 48, Celtics 30
Os Lakers dominaram o jogo inteiro, chegando a abrir diferença de 30 pontos no terceiro quarto.

JOGO 2: Celtics 103, Lakers 94
- Ray Allen: 32 pontos, sendo 27 no primeiro tempo, com 8 arremessos certos de 3 pontos (recorde em finais), sendo 7 no primeiro tempo (outro recorde).
- Rajon Rondo: Triple-double: 19 pontos, 10 assistências, 12 rebotes.
- Rebotes: Celtics 44, Lakers 39
- Pontos no garrafão: Celtics 36, Lakers 26
- Pontos dos reservas: Celtics 24, Lakers 15
Ray Allen esteve incrível no primeiro tempo e Rajon Rondo matou o jogo quando os Lakers tentaram reagir. Os Lakers pararam de jogar quando venciam por 3 pontos a 5 minutos do final.

JOGO 3: Lakers 91, Celtics 84
- Kobe Bryant: 29 pontos
- Derek Fisher: 16 pontos, sendo 11 no último quarto.
- Kevin Garnet: 25 pontos
- Rebotes: Lakers 43, Celtics 35
Derek Fisher foi incrível no último quarto e o responsável pela vitória dos Lakers

JOGO 4: Celtics 96, Lakers 89
- Kobe Bryant: 33 pontos
- Glen “Big Baby” Davis: 18 pontos
- Nate Robinson: 12 pontos em 17 minutos
- Rebotes: Celtics 41, Lakers 34
- Pontos no garrafão: Celtics 54, Lakers 34
- Pontos dos reservas: Celtics 36, Lakers 18
O banco dos Celtics fez a diferença no último quarto, especialmente Glen Davis e Nate Robinson.

JOGO 5: Celtics 92, Lakers 86
- Kobe Bryant: 38 pontos, sendo 19 no terceiro quarto
- Paul Pierce: 27 pontos
- Kevin Garnett: 18 pontos e 10 rebotes
- Rebotes: Celtics 35, Lakers 34
- Pontos no garrafão: Celtics 46, Lakers 32
Ficou claro que Kobe Bryant não consegue ganhar o jogo sozinho. Paul Pierce finalmente conseguiu fazer algo contra a marcação implacável de Ron Artest.

JOGO 6: Lakers 89, Celtics 67
- Kobe Bryant: 26 pontos e 11 rebotes
- Pau Gasol: 17 pontos, 13 rebotes, 9 assistências
- Ron Artest: 15 pontos, 6-11 FG e 3-6 3pt FG
- Rebotes: Lakers 52, Celtics 39
- Pontos no garrafão: Lakers 40, Celtics 32
- Pontos dos reservas: Lakers 25, Celtics 13 (chegou a estar 24x0 ao final do terceiro quarto).
Os Celtics não apareceram no jogo que poderia lhes dar o título, os Lakers estavam com as costas na parede e fizeram a lição de casa. Foram para o intervalo com uma vantagem de 20 pontos e fizeram o que não haviam feito no jogo 4 de 2008: venceram o terceiro quarto. Naquele jogo, em 2008, os Celtics viraram uma diferença de 24 pontos.

A única constante nos 6 primeiros jogos: todos foram vencidos pelo time que pega mais rebotes. A performance do banco de reservas e de cada time dentro do garrafão foram decisivas em 5 dos 6 jogos. Fora isso, nada mais. Com exceção dos jogos 1 e 6, que tiveram histórias bem parecidas, cada um dos demais jogos teve uma história diferente: Ray Allen e Rajon Rondo no jogo 2, Derek Fisher no jogo 3, Nate Robinson e Glen Davis no jogo 4 e Paul Pierce e Kevin Garnett no jogo 5. Ah, e Kobe Bryant vem mantendo a média próxima de 30 pontos na série, mas, como ficou claro no jogo 5, quando fez 19 pontos no terceiro quarto, não consegue vencer o jogo sozinho.

Uma pausa para falar de Ron Artest. O maior ponto de interrogação dos Lakers antes da temporada, veio para substituir Trevor Ariza, que foi importantíssimo no título do ano passado, mas que não teve seu contrato renovado e não conseguiu embalar ao longo da temporada. Seus arremessos são um teste para cardíaco. Eu os comparo com aquelas viradas de bola de três dedos que o Richarlysson tenta dar nos jogos do São Paulo: acerta uma em cada 10 e o restante é contra-ataque para o adversário. Sem brincadeira, eu grito um “NÃÃÃÃÃO!” cada vez que ele tenta um arremesso de 3 pontos. E parece que o mesmo acontece no Staples Center. Nos jogos em Boston, a torcida dos Celtics gritava “shoot” cada vez que ele pegava na bola. E, mesmo assim, por mais que estar com ele no time signifique atacar em 4 contra 5, tenho que reconhecer que, com exceção do jogo 5, ele vem fazendo um trabalho fantástico de marcação em Paul Pierce (que, não podemos esquecer, foi o MVP das finais de 2008). Ele foi contratado para marcar caras como Pierce, Carmelo Anthony e Lebron James. E essa função ele está cumprindo. Com os bônus de suas atuações OFENSIVAS nos jogos 1 e 6, dou meu crédito a ele. Mas vou continuar gritando “NÃÃÃÃÃO!” a cada arremesso.

Retomando: e hoje temos o jogo 7. A ausência de Kendrick Perkins será sentida pelos Celtics, já que os rebotes estão sendo decisivos. Resta saber como está o joelho de Andrew Bynum. Se ele conseguir apresentar ao menos 20 minutos de boa produção, os Lakers já começam com uma vantagem enorme. Caso contrário, volta o equilíbrio. Quem ainda está devendo na série é Lamar Odom, que costuma ser o terceiro melhor jogador dos Lakers. Quem sabe não é justamente hoje que ele represente a história do último jogo de uma série já cheia de histórias.

Os Lakers buscam o bicampeonato e o 16º título de sua história, o que os deixariam com apenas 1 título a menos que os Celtics. Kobe busca seu quinto título, no desejo de cada vez mais atingir as conquistas e as comparações com Michael Jordan. Também não quer ser lembrado como aquele não consegue vencer os Celtics em finais (como os jogadores dos Lakers dos anos 60 – Jerry West e cia. – são). Phil Jackson busca seu décimo-primeiro título, aumentando o recorde. E não podemos nos esquecer que essa geração dos Celtics tenta o segundo título em 3 anos, o que os colocaria em situação de ganhadores de títuloS (no plural), assim como as gerações dos anos 60 e dos anos 80.

É dia de jogo 7. Um único jogo para definir o campeão. O sonho de todo fã de esporte. Vence quem demonstrar que quer mais.  Mais um capítulo da história sendo escrita. Imperdível.

E não sabemos se Jack Nicholson vai comemorar ou não no final.


sexta-feira, 4 de junho de 2010

LAKERS X CELTICS XI

Em outubro fiz minha previsão para a temporada da NBA e escrevi o seguinte:

SE Kevin Garnett estiver em boas condições físicas, recuperado da cirurgia no joelho, os Celtics vencem o Leste. Nada a acrescentar.”

Os Celtics começaram a temporada ganhando 23 dos primeiros 28 jogos. Até o Natal, parecia que tudo estava bem, que Kevin Garnet estava realmente recuperado da cirurgia do joelho e que os time voltava à condição de favoritíssimo ao título do leste. A partir daí, começou a derrocada: venceram apenas metade dos últimos 54 jogos (27-27). Parecia que Garnett, Ray Allen e Paul Pierce não conseguiriam manter o alto nível do título de 2008.

Chegam os playoffs e havia quem achasse que eles não passariam nem pelo Miami Heat de Dwyane Wade. Só não fizeram 4x0 porque D-Wade teve uma atuação monstruosa no jogo 4, e a série acabou em Boston no jogo 5. Veio a série contra o badalado Cleveland Cavaliers (ou “Lebron e os Lebronetes”). Os Celtics dominaram os Cavs de uma forma impressionante, expondo todas as suas deficiências: basicamente anularam toda a ajuda de Lebron, que teria que tentar vencer a série sozinho. Mais: Lebron James nem foi o melhor jogador da série, mas sim o armador Rajon Rondo do Celtics. De repente, o “Big Three” (KG, Allen e Pierce) passou a ser coadjuvante de Rondo (será que devemos passar a chamá-lo de “Big One”?).

Na final do leste, contra o Orlando Magic, pareceu ainda mais fácil. Venceram os dois primeiros jogos em Orlando, abriram 3-0 na série e só não completaram a varrida por que esqueceram de aparecer para jogar no jogo 4. Mas fecharam no jogo 6 e estão de volta às finais da NBA. Fica a dúvida: teria sido proposital a “poupada” do time nos últimos dois-terços da temporada regular? É possível utilizar o botão de liga/desliga quando quisessem? Parece que os Spurs também tentaram isso e parecia que também daria certo quando eliminaram os Mavericks na primeira rodada dos playoffs. Só não contavam com a varrida que (finalmente) sofreriam dos Suns na rodada seguinte (umas das grandes histórias dos playoffs desse ano, diga-se de passagem: Steve Nash e Cia. exorcizando seu maior fantasma e batendo Tim Duncan e Cia.).

Enquanto isso, os Lakers pareciam ter problemas para passar pela sensação Oklahoma City Thunder, mas conseguiram fachar a série em 6 jogos (mal posso esperar para ver Kevin Durant jogando pessoalmente em setembro). Contra os Jazz, uma varrida que parecia mostrar que o time acertara o ritmo e que rumava firme ao tricampeonato do Oeste, o que se confirmou nos dois primeiros jogos contra os Suns. Mas então veio a defesa zona 2-3 que o técnico Alvin Gentry tirou da manga para transforma a série em um campeonato de arremessos de longa distância, o que favoreceu os Suns nos jogos 3 e 4. Mas os playoffs são feitos de ajustes e Phil Jackson voltou a acertar o time e fechou a série em 4-2.

E agora temos a décima-primeira edição de uma final entre as maiores franquias da história da NBA: Celtics (17 títulos, 8 em cima dos Lakers) contra os Lakers (15 títulos, 2 em cima dos Celtics). Os dois últimos campeões. Os melhores times renovando a maior rivalidade.

Para tentar prever o que pode acontecer naquela que pode ser a melhor série final dos últimos 12 anos (se contarmos Bulls x Jazz de 98) ou mesmo dos últimos 17 anos, quando Bulls x Suns fizeram 6 jogos memoráveis em 1993, vou fazer alguns comparações com as finais de 2008, quando os Celtics venceram em 6 jogos:

1) Dessa vez o mando de quadra é dos Lakers. Isso significa que o jogos 3, 4 e 5 serão em Boston. Desde que o formato 2-3-2 foi implantado (há cerca de 25 anos), somente em 2 vezes o time que jogos os jogos 3, 4 e 5 em casa venceu os três (Detroit em 2004 e Miami em 2006). Isso, somado ao fato de que os Lakers dificilmente perdem 3 jogos seguidos, significa que os Celtics, se quiserem ser campeões, terão que vencer 2 jogos em Los Angeles. Os Lakers venceram 28 dos últimos 31 jogos de palyoffs disputados no Staples Center. Faça as contas...

2) O jogo 1 é muito importante. Phil Jackson venceu o jogo 1 de uma série de playoff 47 vezes. E dessas 47 vezes, acabou vencendo a série em... 47 vezes!

3) Em 2008 os Celtics tinham James Posey para marcar Kobe Bryant, o que era uma grande vantagem. Posey não está mais e o trabalho terá que ser feito por Paul Pierce, o que significa que parte de sua energia será consumida na defesa, deixando menos gás para o ataque.

4) Do outro lado, em 2008 a marcação de Paul Pierce (o MVP daquela série) teve que ser feita por Vladmir Radmanovic e muitas vezes por Kobe Bryant. Dessa vez, os Lakers têm Ron Artest, o melhor marcador de perímetro da liga, que foi feito para marcar jogadores como Pierce, Carmelo Anthony e Lebron James.

5) Andrew Bynum não jogou em 2008. Não está 100% dessa vez, mas pode ser um fator de diferença. Além disso, naquele ano Pau Gasol estava no time há apenas 3 meses e agora já parece ser outro jogador.

6) Em favor dos Celtics, Rajon Rondo era um mero condutor de bola, e não o melhor jogador do time.

7) O trunfo em favor dos Celtics nessa série deverá ser Ray Allen, pois imagino que Kobe ficará encarregado da marcação de Rondo para não ter que correr atrás dos corta-luzes feitos para Allen.

8) Ron Artest de um lado e Rasheed Wallace do outro. MUITO trabalho para a arbitragem e torcidas desesperadas quando qualquer um dos dois armar um arremesso de 3 pontos.

9) Kobe Bryant está jogando pelo seu legado. Ele ainda pensa que pode chegar ao nível de ser comparado com Michael Jordan (não pode) e para isso, precisa chegar aos 6 títulos (esse seria o quinto). Também quer ser considerado o melhor jogador da história dos Lakers, mas jamais entrará na conversa se não conseguir vencer os arqui-rivais em uma série (Magic Johnson fez isso 2 vezes). Ele está em uma missão. E quem viu seu desempenho nas últimas 2 séries, contra Suns e Jazz, percebeu que ele está jogando como nunca, apesar dos problemas físicos (já teve que drenar o joelho durante esses playoffs).

Colocando tudo isso na balança, vejo certa vantagem para Lakers (no bolão que participo apostei em 6 jogos). Mas eu também apostei nos Cavs e no Magic contra os Celtics. E quebrei a cara.

Uma série entre dos times mais tradicionais da história da NBA. Já é imperdível e tem tudo para ser histórica.

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domingo, 25 de abril de 2010

Olho nos Spurs

Antes da temporada começar indiquei o San Antonio Spurs como meu candidato ao título. Durante a temporada parecia que o time estava sentindo o peso da idade e que não teria gás para buscar o quinto título em 11 anos. Depois do jogo de ontem, parece que a tática de preservar os jogadores pode dar certo.

Depois de perder o primeiro e vencer o segundo jogo em Dallas, contra os Maverics, os Spurs começaram bem o jogo 3 e pareciam estar com o jogo sob controle até o início do terceiro quarto, quando lideravam por 8 pontos e Manu Ginobili recebeu uma cotovelada (totalmente involuntária) no nariz em um lance onde foi ajudar na marcação de Dirk Nowitzki. Saiu de quadra com o nariz sangrando e muito torto, foi para o vestiário e voltou minutos depois com um curativo e com as narinas cheias de algodão. Durante esse tempo, os Maverics conseguiram uma sequência de 17-2 e passaram a comandar o placar. Ginobili voltou pro jogo como se nada tivesse acontecido (será que Jacob estava no vestiário e deu uma mãozinha?) e colocou os Spurs de volta a liderança com algumas infiltrações, mesmo com o risco de receber novos contatos no nariz QUEBRADO. Um guerreiro e um monstro. Marcou 11 pontos no último quarto.

Os Spurs recuperaram a liderança e confirmaram a vitória, graças aos arremessos de Tony Parker no final do jogo. Agora lideram a série por 2-1 e têm mais um jogo em casa, nesse domingo para tentar a vantagem de 3-1.

Falando em Greg Popovic, ontem ficou muito claro a diferença de nível dos técnicos que estavam na quadra. Gosto do técnino dos Mavs, Rick Carlisle, mas a diferença é gritante: Carlisle tem com característica não deixar o jogo seguir quando o adversário começa um "run" (marcação de vários pontos seguidos do mesmo time). Pede tempo após seu time tomar a segunda ou, no máximo, a terceira cesta seguida. Durante o terceiro quarto, no run de 17-2 dos Mavs, o técnico dos Spurs fez exatamente o contrário: deixou o jogo seguir, sem pedir tempo. Ginobili voltou e aí foi a vez dos Spurs começarem um run. Carlisle pediu tempo após a segunda cesta seguida dos Spurs. E não adiantou nada, o comando do jogo já havia voltado para as mãos dos donos da casa.

Pra mim isso mostra a diferença entre os técnicos, entre quem tem o time completamente nas mãos e quem precisa intervir o tempo todo. Popovic tem o time completamente nas mãos e o time consegue sair de situações difíceis por si só. Só conheço outro técnico que o mesmo perfil: Phil Jackson. Será coincidência que os dois conquistaram 8 dos últimos 10 títulos da NBA?

Minha opinião é que o jogo 4, amanhã em San Antonio, vai decidir a série. Uma vitória dos Spurs levará à vantagem de 3-1 na série e não acredito que os Maverics, a segunda melhor campanha do Oeste, consigam reverter e vencer 3 jogos seguidos do time de Greg Popovic.

E eu não gostaria de enfrentar os Spurs nas próximas fases dos playoffs...
 
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

NBA 2009-2010 PREVIEW... A TEMPORADA DOS "SE's"


Nesta terça-feira, dia 27, começa mais uma temporada da NBA. Estava começando a rascunhar alguma coisa sobre o meu preview da temporada quando saiu a coluna do Bill Simmons na ESPN.com. Ele classificou a temporada como “previsivelmente intrigante”. Previsivelmente porque todo mundo sabe que, ao final da temporada regular, as 5 melhores campanhas serão, em alguma ordem, de Lakers, Spurs, Cavs, Celtics e Magic e que essas equipes disputarão o título. Além disso, elegeu os 33 personagens intrigantes a serem observados.

Eu prefiro chamar essa temporada de “Temporada do SE”. Quero dizer que existem algumas variáveis importantes (recuperações de contusões e alguns "fatores externos") e que ninguém consegue afirmar com certeza como elas vão se comportar até o próximo mês de junho. O resultado final do campeonato vai depender basicamente desse comportamento. Em temporadas anteriores, sempre existiram as previsões com favoritos claros e possíveis azarões. No ano passado a temporada começou com 3 favoritos claros (Lakers, Celtics e Cavs). Tivemos o “azarão” Orlando Magic, que aparecia na lista de muitos especialistas (o técnico Stan Van Gundy liderava as apostas iniciais para Coach Of The Year) e que acabaram contando com o benefício da contusão de Kevin Garnett para passarem pelos Celtics na semifinal do leste.

Esse ano? Os 5 favoritos são realmente os citados anteriormente. Eu vou mais longe e arrisco dizer que, em condições normais (sem contusões sérias, para começar), o título ficará com quem sair do Oeste (Lakers ou Spurs). Mas, ultimamente, nem sempre as condições normais prevalecem. Coincidentemente, eu também estava listando meus personagens que podem fazer a diferença quando saiu a coluna do Simmons. A minha é mais simples: são 10 nomes que trazem os “SE’s” (em inglês o termo “what if” funcionaria melhor) que definirão o resultado final do campeonato. Em ordem inversa de relevância:

10. Shaquile O’Neal

Nesse caso eu nem encaro como um “se”, mas como uma previsão consciente: não vejo Shaq agregando muita coisa ao time de Lebron. Até acredito que os Cavs vão acabar mais uma vez com a melhor campanha do Leste e que Lebron conquiste o prêmio de MVP novamente. Mas nos playoffs vão acabar como no ano passado, eliminados por Orlando ou Boston, vendo Lebron dando adeus ao final de seu contrato e partindo para os Clippers, para os Bulls, ou para os Nets (que ele não cometa o erro de ir para os Kincks).

9. Anthony Randolph (Golden State Warriors)
8. Kevin Durant (Oklahoma City Thunder)

Os Warriors não vão a lugar nenhum. E, ao contrário do que os especialistas andam dizendo, acredito que o Thunder tem condições de brigar pela última vaga do Oeste para os playoffs com o Phoenix Suns, mas no máximo como número 8. Então por que estou colocando esses dois caras na lista dos personagens que podem definir o resultado do campeonato? Simples! SE ambos jogarem o que eu acredito que eles possam jogar, passo a ser favoritíssimo a conquistar o bicampeonato do Fantasy NBA na Michael Chang League. E mais: Kevin Durant vai brigar com Lebron e Dwyane Wade pelo título de cestinha da temporada. E os dirigentes do Portland Traiblazers vão cometer suicídio coletivo por o terem deixado passar no draft de 2007.

7. Vince Carter

No draft da minha outra liga fantasy, por uma falha momentânea na conexão, uma de minhas escolhas foi feita de forma automática e me trouxe justamente Vince Carter, aquele que encabeça a minha lista de “stay away”. O histórico de displicência dele ao longo da carreira é impressionante, culminando na escapada que deu para receber o diploma universitário na véspera do jogo 7 da semifinal do leste (resultado: seu time da época, o Toronto Raptors, perdeu para os 76ers). A forma como ele desiste dos jogos e de suas equipes é notória. E agora ele chega no atual vice-campeão com a missão de ocupar o espaço deixado por Hedo Turkoglu. Pra sorte do Magic, Vince não precisará assumir o papel de líder ou de melhor jogador do time que já conta com Dwight Howard, Rashard Lewis e Jameer Nelson. SE ele conseguir manter uma temporada inteira de bom nível, Orlando pode voltar a vencer o leste. Sou obrigado a torcer para que isso aconteça, não pelo Magic, mas sim pelas chances do meu time fantasy na Liga Basqueteiros.

6. Lamar Odom.

As boas notícias: novo contrato e recém-casado. As más notícias: novo contrato e recém-casado. O cara que fez a diferença nas finais de 2009 (“When Lamar Odom is this good there’s no beat the Lakers”, by Jeff Van Gundy) conseguiu um novo contrato (será que a motivação para esse ano será a mesma, agora que os próximos anos estão garantidos?) e se casou com uma das irmãs Kardashian (sinônimo: problemas), um mês após conhecê-la em uma balada, apresentada pelo número 4 da minha lista. Os "especialistas" estão dando 10 meses no máximo para a duração do casamento, ou seja, a separação poderá ser na época dos playoffs. Qual será sua condição em maio e junho? Um “SE” gigante pra ele.

5. Kevin Garnet

Essa é simples: SE Kevin Garnett estiver em boas condições físicas, recuperado da cirurgia no joelho, os Celtics vencem o Leste. Nada a acrescentar.

4. Ron Artest

O cupido do ano chega aos Lakers para substituir o promissor Trevor Ariza, que teve papel fundamental no título de 2009. Não consigo definir se foi um avanço ou um retrocesso. Já li que seu poder de marcação não é o mesmo que em tempos anteriores, mas imagino que pelo menos consiga dar uma folga a Kobe quando do outro lado estiverem Manu Ginobili ou Paul Pierce. E como será seu comportamento no ataque, agora que será apenas a terceira opção do time? Segundo “SE” gigante para os atuais campeões.


3. Manu Ginobili
2. Tim Duncan

Sabemos o que esperar de Tony Parker e do técnico Greg Popovic. Não sabemos o que esperar de Manu Ginobili, que praticamente não jogou em 2009 graças à contusão no tornozelo que começou nos playoffs de 2008 e se agravou de vez durante os Jogos Olímpicos de Pequim. E imaginamos saber o que esperar de Tim Duncan, que continua resistindo à alta quilometragem e talvez consiga nos dar mais um ano daqueles que conhecemos. E os Spurs adicionaram peças ao elenco, como já fizeram em situações anteriores, que costumam encaixar como uma luva. Richard Jefferson vai cansar de fazer cestas de três pontos da zona morta. Antonio McDyess é a presença no garrafão que sempre ajuda a desafogar o “Big Three”. E o calouro DeJuan Blair foi um achado no final do primeiro round do draft (desde que esteja bem fisicamente). Estou sentindo um déjà vu de 2007.

1. Phil Jackson

Quando fiz a minha primeira lista dos personagens da temporada, meu número 1 era Kobe Bryant. Então comecei a pensar e concluí que não tenho dúvidas sobre sua a motivação para buscar mais um título, possivelmente ainda sonhando com o número de títulos de Michael Jordan. Também não acredito na teoria de que agora ele voltaria a jogar apenas para si, deixando de envolver os companheiros, até mesmo porque a alta quilometragem não permitiria mais. E acredito mesmo que ele entendeu o seu papel de líder, como eu descrevi no meu post após o último jogo da final de 2009. Mas, em contrapartida, começo a pensar se Phil Jackson continuará com a mesma motivação para buscar mais um título, agora que já se tornou o técnico com mais títulos na história (10). Como está sua saúde, considerando que chegou a ser cogitada a possibilidade de que ele comandaria o time apenas nos jogos em casa? Será que ele vai conseguir “domar” Ron Artest como fez com Dennis Rodman em 1996-1997 (e seria esse desafio a motivação extra que o fez continuar?)? Vai conseguir transformar Andrew Bynum naquilo que se espera? Como vai administrar a cabeça de Lamar Odom após esse ser abandonado por Khloe Kardashian? Muitas interrogações. Muitas.

Após tudo isso, não vou me esquivar de palpitar. Vamos à parte divertida:

PREVISÃO DO LESTE:

Temporada Regular:

1. Cleveland Cavaliers
2. Orlando Magic
3. Boston Celtics
4. Atlanta Hawks
5. Chicago Bulls
6. Washington Wizards
7. Miami Heat
8. Philadelphia 76ers

Final de conferência entre Celtics e Cavs, vitória dos Celtics em 6 jogos.

PREVISÃO DO OESTE:

Temporada Regular:

1. Los Angeles Lakers
2. San Antonio Spurs
3. Dallas Mavericks
4. Denver Nuggets
5. Portland Trailblazers
6. New Orleans Hornets
7. Utah Jazz
8. Oklahoma City Thunder

Final de conferência entre Lakers e Spurs, vitória dos Spurs em 6 jogos (muitas interrogações para os Lakers e apenas duas exclamações – Kobe e Gasol).

Final da NBA: San Antonio Spurs 4, Boston Celtics 2

Obviamente, SE alguma do que escrevi entre os itens 1 e 10 mudar ou sair do previsto, poderemos ter resultados completamente diferentes. Mas a graça estará exatamente nisso, quando o previsível se torna surpresa.

Minha torcida? Que Ron Ron seja um cordeirinho e que continue o grande marcador, que Bynum tenha uma média de 15 pontos e 12 rebotes, que Gasol faça o que já se espera e que Kobe seja o MVP e parta atrás do número 5, ficando apenas 1 atrás de MJ. Ah, e o mais importante de tudo: que Khloe e Lamar vivam felizes para sempre.

GO LAKERS!

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domingo, 6 de setembro de 2009

COPA AMÉRICA DE BASQUETE MASCULINO

Antes de me mandar pra terra do Tio Sam, não vou deixar de escrever algumas observações sobre a Copa América de Basquete Masculino e a Seleção Brasileira. As 4 vagas para o Mundial de 2010 já estão definidas: Brasil, Porto Rico, Argentina e Canadá.

A Argentina passou aperto na primeira fase, especialmente após a derrota para a Venezuela, mas se recuperou e garantiu a vaga. Não que isso fizesse alguma diferença. Explico: para o Mundial do ano que vem, o sistema de classificação inclui o país-sede (Turquia), os campeões olímpicos (EUA) e os classificados dos torneios continentais desse ano. Sobrariam 4 vagas que seriam utilizadas pela FIBA para convidar quem ela bem entendesse (é uma forma estúpida eu sei, mas...). Se a Argentina não conseguisse a vaga na Copa América, obviamente seria um os convidados. Porto Rico vem cumprindo o papel de anfitrião e a única zebra, na minha opinião, foi a classificação do Canadá no lugar da República Dominicana, apesar dos reforços dominicanos da NBA: Charlie Villanueva, Francisco Garcia e Al Horford (um dos meus jogadores favoritos da nova geração).

Quanto ao Brasil, confesso que o time superou as minhas expectativas. Antes do torneiro, eu considerava os donos da casa e os argentinos como favoritos. Ainda teremos as semifinais nesse final de semana e tudo pode acontecer. Mas o Brasil terminou a segunda fase no primeiro lugar geral, com apenas uma derrota, e deverá vencer o Canadá em uma das semifinais. O time já mostrou uma evolução muito boa no desempenho. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o fato de, já no primeiro jogo, o técnico Moncho Monsalve ter escalado Alex no lugar de Marcelinho Machado no time titular (finalmente!). E Alex foi o destaque da estréia contra a República Dominicana. Guilherme Giovanoni voltou à seleção como uma boa opção vinda de banco, a dupla de pivôs (Thiago Spliter e Anderson Varejão) encaixou muito bem tanto na defesa quanto no ataque, embora na parte ofensiva ainda falte um pouco mais de peso (literalmente falando) para dominar o garrafão - eles ainda são obrigados a jogar de costas para a cesta e com arremessos de média distância. Talvez a volta dos nossos “meninos” (Baby e Nenê, ausentes por contusão), resolva esse problema. Leandrinho, nossa maior estrela, manteve a regularidade que se espera, apesar de uma tendinite que o fez ser poupado nos dois últimos jogos da segunda fase (vitória contra o Uruguai e derrota para Porto Rico) e Marcelinho Huertas assumiu com propriedade a vaga de armador principal.

Outra coisa que me agradou muito foi a melhoria no sistema defensivo e a maior paciência ofensiva, bem no estilo europeu, equilibrada com a velocidade de Leandrinho nos contra-ataques. Bem diferente do time da “era Marcelinho”, quando não havia nenhuma disciplina tática.

Coisas que preocupam:
1) A falta de um armador reserva – não estou falando nem que o armador reserva da seleção é ruim, pois NÃO HÁ ARMADOR RESERVA. Isso faz com que o Marcelinho precise ficar muito tempo em quadra, o que definitivamente pode pesar negativamente nas fases decisivas de um campeonato longo.

2) A possibilidade do técnico Moncho Monsalve deixar o time após a Copa América e não ir para o Mundial. Infelizmente, não vejo nenhum técnico no Brasil com condições de continuar com o trabalho sem trazer um retrocesso ao esquema de jogo. É muito bom ver um técnico que consegue melhorar um sistema de jogo e que não é refém de uma prancheta nos pedidos de tempo. Isso mostra que o trabalho de preparação (leia-se treinamentos, que é onde o sistema é absorvido, não durante o jogo) foi muito bem feito, apesar do pouco tempo disponível.


Pensando um ano para frente, no Mundial da Turquia, o primeiro passo é tentar manter o técnico. Se isso não for possível, que se traga outro estrangeiro, seja espanhol (a língua ajuda), sérvio ou croata. Além disso, mantendo-se a base de Huertas, Leandrinho, Alex, Guilherme, Spliter e Varejão, o retorno de Nenê e Baby e mais um armador reserva (o maior problema) e teríamos uma rotação de 9 jogadores (o número ideal para um jogo de alto nível) que poderia trazer um bom resultado para o Brasil, depois de 14 anos de fiascos (desde o sexto lugar nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996). Seria um time para ficar entre os 8 melhores do mundo. Chegar entre os 4 é difícil, pois Estados Unidos, Espanha e Argentina ainda estão em um nível acima, mas daria para brigar com Lituânia e Grécia (quarto e quinto melhores times do mundo), mais Croácia e outros europeus, além de China e Austrália.

Só espero que o trabalho do Moncho não se perca...

Tá chegando a hora de se mandar para o aeroporto. O próximo post já será de Nova York.

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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

MAGIC JOHNSON - 50 ANOS



Acho que já deu pra perceber que gosto muito de escrever sobre os ídolos do esporte. Dessa vez, vou escrever sobre o meu maior ídolo, que completou 50 anos de idade no último dia 14 de agosto.

Em novembro de 1991 o mundo ficou chocado quando Magic Johnson anunciou que estava se aposentando do basquete por ter contraído o vírus HIV. Estou falando de 1991, quando o nível de informação sobre a doença ainda era pequeno e os tratamentos praticamente inexistentes. Anunciar ser portador do vírus era praticamente dizer que seus dias de vida estavam contados.

Fiquei arrasado. Era o cara que me fez me apaixonar definitivamente pelo basquete, quando assisti pela primeira vez a um jogo de NBA, em 1987. No mesmo ano tivemos a vitória histórica da seleção brasileira no Pan de Indianápolis, que foi mais um motivador. Eu já estava na escolinha do SESI desde 1984, mas naquele ano eu soube que esse seria o meu esporte. E que seria um fanático pelos Lakers dali em diante. Vejam o lance a 1:48 do vídeo acima. Eu ficava horas na quadra tentando imitar aquele movimento. Acreditem, não é nada fácil para um moleque de 12, 13 anos. Uma vez, ainda naquela época, consegui fazer o mesmo movimento durante um jogo, foi uma realização.

Naquela altura, Magic Johnson acabara de disputar uma final histórica da NBA, contra Michael Jordan e o Chicago Bulls e havia previsões que aquela havia sido apenas a primeira de uma série de confrontos entre Magic e Jordan, após uma década de confrontos históricos entre Magic e Larry Bird. Os números de Magic em 1991 haviam sido impressionantes (79 jogos, 989 assistências, 80 acertos de 3 pontos e mais de 90% de acerto nos lances-livres - seu segundo melhor ano nesses itens). Havia sido o MVP em 1989 e 1990 (também em 1987). Tinha apenas 32 anos de idade e estava convocado para os Jogos Olímpicos de 1992, como parte do Dream Team original (e único). Uma aposentadoria mais do que precoce.

Para nossa felicidade, as cédulas de votação do All Star Game de 1992 já haviam sido distribuídas, e seu nome estava incluído nelas. Os fãs votaram e ele foi escalado para o jogo, mesmo "aposentado". E nos proporcionou talvez o maior momento da história dos All-Star Games, quando os mesmos ainda eram competitivos (o que não acontece hoje). Ele finalizou o jogo marcando primeiro Isiah Thomas e depois Michael Jordan no um-contra-um e, na sequência, fez o último lance do jogo com uma cesta incrível de 3 pontos. Vejam o vídeo ao final desse texto. Felizmente foi mantido no Dream Team e disputou os Jogos Olímpicos de Barcelona, no melhor time de modalidade coletiva que já existiu.

Graças também à sua condição financeira, conseguiu realizar os tratamentos mais avançados disponíveis para o HIV. E aqueles "dias contados" nunca se confirmaram. Hoje, completados 50 anos de idade, apresenta uma saúde invejável - os traços do vírus, que ainda está lá, são ínfimos, graças aos coquetéis de drogas e demais tratamentos que tomou ao longo desses anos.

Ele ainda voltou a jogar em 1996, em parte da temporada, pelos Lakers. Mas ficou por isso. Tive o prazer de vê-lo em um jogo-exibição organizado pelo Oscar Schmidt, em 1998, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Fiz questão de comprar os lugares localizados bem atrás do banco de seu time. Inesquecível.

Indiscutivelmente é o melhor armador da história do basquete, 5 vezes campeão da NBA e 3 vezes MVP da temporada. Disputou 9 finais em 12 anos de carreira (não consigo pensar em ninguém com esse aproveitamento, nem Bill Russell). Possivelmente o segundo melhor jogador da história (seguramente top-5). Sem dúvida o mais carismático de todos e o melhor "teammate" que já existiu. Foi o primeiro jogador a comandar o título de um adversário dos Celtics dentro do Boston Garden. Junto com Larry Bird, salvou a NBA nos anos 80 e deixou as portas abertas para Michael Jordan assumir o reinado e globalizar o esporte. Ainda se tornou um grande homem de negócios. Seu livro, My Life, é espetacular - traz seu depoimento pessoal e totalmente honesto dos erros de sua vida, que entre outras coisas o levaram a contrair o vírus, além de capítulos memoráveis sobre seus contemporâneos da NBA - o capítulo sobre Larry Bird, em particular, é de chorar. Acabei de passar quase uma hora inteira assistindo a seus vídeos no Youtube e recomendo a quem quiser, vale cada minuto, cada imagem.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

NBA DRAFT 2009


Hoje é o dia do draft da NBA, quando os jogadores universitários e estrangeiros são recrutados pelos times da NBA. As regras do draft são meio confusas, mas vou explicar de forma resumida mesmo assim. Em tese, a idéia é fazer com que os times mais fracos possam ter direito de escolher os melhores jogadores. Antigamente, a ordem de escolha era igual ao que é a NFL, por exemplo: o time com a pior campanha da temporada anterior tem a primeira escolha, e assim sucessivamente. Após alguns anos, foi criada a loteria do draft, para evitar que alguns times fizessem a pior campanha de propósito para poder escolher o melhor jogador. Com a loteria, a ordem da escolha é definida por um sorteio, no qual os times que não se classificam para os playoffs participam de um sorteio pela ordem de escolha dos jogadores. Os times dos playoffs são automaticamente colocados na sequência, em ordem inversa em relação à campanha. O sistema começou bem simples, com um simples sorteio de envelopes (chances iguais para todos), evoluiu para bolinhas de ping-pong (mais bolinhas para as piores campanhas) e hoje consiste em um algoritmo que nem mesmo esse engenheiro que escreve já tentou entender.

Parece tudo muito bonito, não? Os piores times tendem a escolher os melhores jogadores, equilibrando as forças ao longo do tempo, certo? ERRADO! O resultado final raramente segue esse princípio, especialmente com o número de times que há na liga atualmente, pois para um time péssimo como, digamos, os Grizzlies, a adição de um único jogador universitário, mesmo que de ponta, nunca será suficiente para levar esse time a um nível melhor, pois ele normalmente ainda não está preparado para assumir o papel de protagonista e o restante do elenco não ajuda. O que acaba acontecendo é que o time continua fazendo campanhas pífias e o tal jogador pode ou desaparecer ou partir para outro time após o encerramento do primeiro contrato de 3 anos.

Em contrapartida, se um time que já possui boas peças dá a sorte de conseguir a primeira escolha no sorteio, aí a história é outra. Em 1997, os Spurs já contavam com uma boa equipe, mas perderam David Robinson por toda a temporada com uma contusão séria, fizeram uma campanha sofrível e na loteria conseguiram a primeira escolha, que foi “apenas” Tim Duncan. Todos sabem o resto da história: 4 títulos em 9 anos.

Pensando nisso, minha opinião é que esse sistema deveria ser alterado. Qual o problema se um time como o Phoenix Suns, por exemplo, tivesse sido sorteado com a primeira escolha desse ano e pudesse ter Blake Griffin? Não teríamos mais um concorrente no Oeste? Imaginem Blake Griffin (que será a primeira escolha e está sendo cotado com um Power Foward dominante, ao estilo Charles Barkley ou Karl Malone) junto com Dwyane Wade em Miami, ou com Chris Paul em New Orleans? Que tal Ricky Rubio (com o braço levantado na foto) em Portland ou em Detroit?

Minha sugestão é: mantém-se o sorteio, mas com chances iguais para todos os times que não se classificaram para os playoffs MAIS os times eliminados na primeira fase dos playoffs. Apenas 8 times (os semifinalistas de conferência) ficariam fora da loteria, pois esses já são times que brigam pelo título. Isso evitaria, por exemplo, o que aconteceu em 2007, o melhor draft da década, ao lado de 2003, quando dois potenciais superstars (Greg Oden e Kevin Durant) estariam disponíveis: os times que não tinham mais chances de playoffs passaram a perder jogos de forma proposital para aumentar suas chances na loteria. Boston, Milwaukee, Seattle, Memphis... todos fizeram isso. Imagine ser um dono se “season tickets” desses times numa temporada dessas. E esses times correram o risco de serem premiados – Seattle (hoje o Oklahoma City Thunder) foi premiado e pegou Durant na segunda escolha.

Para demonstrar que o sistema não cumpre o objetivo de equilibrar as forças, chegamos ao time que terá a primeira escolha de 2009 e terá Blake Griffin jogando no ano que vem: os Los Angeles Clippers. Nos últimos 33 anos, os Clippers tiveram uma das 10 primeiras escolhas 23 vezes. Dessas 23, 12 foram top-4 e em TRÊS vezes tiveram a primeira escolha geral. E qual foi a melhoria que isso representou o time? Apenas 2 participação em playoffs e uma única passagem para a semifinal de conferência. Em abril de 2000 a Revista Sports Illustrated elegeu os Clippers como a pior franquia de todos os esportes americanos. Em todos os tempos! A incompetência dos dirigentes e técnicos é imensa ao longo dos anos. Nos últimos anos, sob o comando de Mike Dunleavy, a situação chegou a tal ponto que os fãs dos Clippers desistiram de acreditar. Há quem diga que a franquia é amaldiçoada. E agora, eles são premiados com o direito de escolher uma futura estrela. Ao final da loteria, piadas começaram a serem publicadas na Internet sobre o final da carreira de Griffin antes de mesmo de ter começado.

A esperança é que os Clippers façam a mesma lambança que fizeram em outros anos e deixem passar a escolha óbvia, como já deixaram passar: Dominique Wilkins, John Stockton, Chris Mullin, Mark Price, Scottie Pippen, Mark Jackson, Glen Rice, Rasheed Wallace, Amare Stoudemire, Jerry Stackhouse, Kevin Garnett, Kobe Bryant, Paul Pierce, Vince Carter, Mike Bibby, Caron Butler e Danny Granger. Mas, considerando que o draft desse ano parece bem fraco (apenas Griffin e Rubio merecem maior destaque), o provável é que Blake Griffin, para sua infelicidade, acabe mesmo no primo pobre dos Lakers.



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terça-feira, 16 de junho de 2009

JOGO 5 - LAKERS 99, MAGIC 86 - LAKERS CAMPEÃO!





No jogo 5, o Orlando Magic começou o jogo tentando se impor para continuar vivo, chegando a abrir 9 pontos de vantagem, mas os Lakers decidiram o jogo já no segundo quarto, com uma seqüência de 16 pontos seguidos, dos quais apenas 2 de Kobe Bryant, ou seja, jogando como um time. A partir do terceiro quarto, foi administrar a diferença, Kobe assumiu o papel de “closer” (vejam o vídeo que está no topo deste post - e prestem atenção no lance que começa na marca dos 2’57”, uma pintura). Foi esperar o final do jogo e comemorar.

Em 63 temporadas da NBA, foram 30 participações nas finais e 15 títulos. Apesar de ter 2 títulos a menos que os Celtics, os Lakers podem ser considerados a franquia de mais sucesso na história da NBA. Do time que ainda jogava em Minneapolis até 1960, que ganhou 5 títulos com o lendário George Mikan, passando pelo time que sofreu nas mãos dos Celtics nos anos 60, mas contava com Jerry West e Elgin Baylor, o campeão de 1972 (o melhor time da história da franquia), com West e Wilt Chamberlain, o showtime de Magic Johnson e Kareen Abdul-Jabbar nos anos 80 (5 títulos) e o time de Shaq e Kobe, tricampeão em 2000, 2001 e 2002.

Chegamos a 2009, o ano do primeiro título de Kobe Bryant como o líder do time, fechando uma seqüência de ter vencido o prêmio de MVP na temporada passada, ofuscado pela perda do título para os Celtics, seguido do ouro olímpico em Pequim e agora o título da NBA e o prêmio de MVP das finais. Ele pode ser definitivamente colocado na lista dos 10 melhores jogadores da história (pensando rapidamente nos outros prováveis 9: Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Bill Russel, Wilt Chamberlain, Jerry West, Kareen Abdul-Jabbar, Oscar Robertson, Shaquile O’Neal e Tim Duncan – MJ é o primeiro da lista, a ordem dos demais não importa tanto).

Chegamos também ao ano em que Phil Jackson passa a ser o técnico com maior número de títulos considerando as 4 grandes ligas americanas (NBA, NFL, MLB e NHL): 10 títulos (6 com os Bulls, 4 com os Lakers), ultrapassando o lendário Red Auerbach, que ganhou 9 títulos com os Celtics. Concordo completamente com esta análise que o coloca como o melhor da história.

E esse título acaba com alguns falsos mitos:

1) Os Lakers conseguem jogar bem defensivamente: ao longo da série conseguiram aos poucos anular com as armas ofensiva do Magic;

2) Kobe é um líder respeitado e os outros jogadores realmente gostam dele. Ficou evidente no abraço que recebeu de Derek Fisher e Sasha Vujacic após o final do jogo. Ficou evidente no filme “Kobe Doin’ Work”, de Spike Lee, que mostra como ele atua dentro e fora da quadra durante um jogo, orientando o time o tempo todo. Durante alguns jogos dos playoffs, vimos alguns flagrantes dele motivando os companheiros no banco;

3) Os Lakers aprenderam com a derrota do ano passado, atingindo um nível de intensidade que não possuíam antes, fechando as duas séries finais (Nuggets e Magic) fora de casa.

4) Kobe aprendeu que depende dos companheiros (como MJ em 1991). Diziam que ele não conseguia ganhar um título sem o Shaq. Ora, Shaq também não ganharia os 3 títulos sem Kobe. E Kobe não ganharia esse título sem Gasol, Fisher, Odom e Ariza. É um jogo coletivo, oras bolas! Não podemos nos esquecer do terceiro quarto de Ariza no jogo 4, dos doublé-double de Gasol em todos os jogos da série, das bolas de 3 pontos de Derek Fisher no jogo 4 e da consistência de Lamar Odom na série. Já escrevi isso diversas vezes e repito o que o comentarista da ESPN Jeff Van Gundy disse no vídeo que está no topo desse post: “When Lamar Odom is this good, there’s no ‘Beat the Lakers’” (“Quando Lamar Odon estão tão bem assim, não há como bater os Lakers”). Odom só não jogou bem no jogo 3, exatamente o jogo da derrota.

Nesse ano finalmente também quebrei os tabus e consegui ser o campeão do Fantasy e do Bolão que participo. Nada como comemorar o título do meu time favorito e, como se não bastasse, ainda levando algum dinheiro, pois meu palpite de 4x1 me deu a vitória no bolão. Nada mal...

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sexta-feira, 12 de junho de 2009

JOGO 4 - LAKERS 99, MAGIC 91 (OT)

Derek Fisher é o reponsável por um dos momentos mais fantásticos da história do basquete quando acertou esse arremesso a 0,4 segundos do final do jogo 5 da final do Oeste, contra o San Antonio Spurs, em 2004. Antes daquele arremesso, havia sido o reserva do time nos 3 títulos (2000, 2001 e 2002), quando o téncico Phil Jackson optou pelo experiente Ron Harper, com quem já havia conquistado 3 títulos com os Bulls. Naquele mesmo ano Fisher era o reserva do recém-contratado Gary Payton. Depois de 2004, ele chegou a jogar pelo Golden State Warriors, pelo Utah Jazz e voltou para os Lakers na temporada passada. Durante esses playoffs, chegou a ser questionado sobre sua ineficência nos arremessos, mas foi mantido pelo técnico Phil Jackson. E ontem à noite, após errar suas primeiras 5 tentativas de 3 pontos ao longo do jogo, foi o responsável pelo arremesso que levou o jogo para a prorrogação, a 4.6 segundos do final (foto), quando os Lakers perdiam por 87-84. Como se isso não bastasse, acertou o arremesso mais importante da prorrogação, também de 3 pontos, a 31 segundos do final, com o jogo empatado em 91 pontos, após receber um passe de Kobe Bryant, impedido de arremessar pela marcação dupla do Magic.

Mas antes desses 5 minutos e 4.6 segundos, muita coisa já havia acontecido no jogo: o Magic abriu uma vantagem de 12 pontos após 2 quartos, nos quais os Lakers estiveram totalmente perdidos na marcação e na rotação defensiva, deixando muitos arremessos sem mafrcação para o Magic; Dwight Howard dominava o garrafão (14 rebotes - o mesmo que todo o time dos Lakers - e 4 bloqueios - terminou o jogo com 9); e Hedo Turkoglu fazia o que bem entendia no ataque (15 pontos no primeiro tempo).

Nas finais do ano passado, no mesmo jogo 4, os Lakers venciam os Celtics por 24 pontos no intervalo e parecia que empatariam a série em 2-2. Mas os Celtics viraram o placar para conseguir a vantagem de 3-1 na série (The Comeback Game). E agora, em outro jogo 4, graças à performance de Trevor Ariza no terceiro quarto (13 pontos no quarto) saíram de uma desvantagem de 12 pontos para uma liderança por 4 pontos no final do período. No último quarto, foi a vez de Mikael Pietrus colocar o Magic de volta no jogo, chegando a liderar por 3 pontos a 10 segundos do final.

Foi quando o mundo desabou para o time de Orlando. Vou listar a sequência de erros:

1) Dwight Howard tinha 2 lances-livres para levar a diferença para pelo menos 4 pontos (2 posses de bola). Errou os dois (6/14 no jogo, mais 7 turnovers, números que encobrem os 21 rebotes e 9 bloqueios).

2) Pouco antes, Turkoglu já havia errado outros 4 lances-livres (o time errou 15 no total do jogo).

3) Na sequência, veio o arremesso de 3 pontos do Derek Fisher. Por que diabos niguém fez alguma falta antes do arremesso, o que daria aos Lakers apenas 2 lances-livres e a impossibilidade de empatar o jogo, pelo menos naquele momento? E por que Jameer Nelson deu tanto espaço para Fisher arremessar? Numa das primeiras aulas de Basquete-I aprendemos que, para evitar um arremessos de 3 pontos, temos que marcar ALÉM da linha de... 3 pontos! Falando em Jameer Nelson...

4) ... o que ele estava fazendo em quadra? O Técnico Stan Van Gundy admitiu que foi erro deixá-lo tanto tempo em quadra no jogo 1. Aí, finalmente conseguiu recuperar a confiança de Rafer Alston no jogo 3, quando este foi o destaque do jogo. E, no jogo 4, deixou Nelson na quadra pelos últimos 14 minutos do tempo regular, Mais os 5 minutos da prorrogação! Como diria Bill Simmons: ao tentar enterder isso, "minha cabeça dói".

5) E ainda tiveram a chance de um último arremessos, mas a jogada foi MUITO mal executada: Mikael Pietrus recebeu o passe de Turkoglu, não viu que Howard estava no garrafão marcado por Kobe Bryant (vantagem no tamanho), nem que Turkoglu e Rashard Lewis se posicionaram para arremessar em melhores condições e tentou decidir o jogo sozinho, errando um mau arremesso. Prorrogação. Nessa hora enviei uma mensagem via celular para meu amigo Dante: "Tô quase infartando".

Enquanto Lamar Odom, Andrew Bynum e Pau Gasol sofriam com o excesso de faltas (no primeiro tempo os Lakers tiveram que jogar com DJ Mbenga e Josh Powell ao mesmo tempo!), Trevor Ariza trouxe os Lakers de volta ao jogo no terceiro quarto e Derek Fisher fez os arremessos decisivos. Kobe? 32 pontos (mas 11-31 FG's), 8 rebotes, 7 assistências. Mas foi seus companheiros que levam os méritos por essa vitória. E os Lakers estão a uma vitória de ser 15º título, Phil Jackson está a uma vitória de superar Red Auerbach com 10 campeonatos e Kobe está a uma vitória de finalmente tirar o peso de suas costas e mostrar que pode ser campeão liderando o time.

Um jogo para ser lembrado. E agora, depois de quase infartar, estou na posicão de ter que torcer como um louco para meu time favorito vencer o próximo jogo não só para conquistar mais um título, como para me dar a vitória no bolão que eu participo.

Para finalizar, a falta que Mikael Pietrus fez em Pau Gasol no último lance do jogo, a 3 segundos do final, foi considerada como flagrante 1, mas será revista. Na minha opinião foi uma flagrante 2 (foi uma agressão) e Pietrus teria que ser suspenso para o próximo jogo.
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quinta-feira, 11 de junho de 2009

JOGO 3 - MAGIC 108, LAKERS 104



O que mais impressionou no jogo 3 foi o aproveitamento do Orlando Magic nos arremessos: 62,5%, recorde em jogos de finais de NBA. No primeiro tempo, o aproveitamento foi ainda melhor: 73% (isso mesmo! SETENTA E TRÊS!). E mesmo assim os Lakers chegaram ao final do jogo com chances de vencer. Se mantiverAm sempre a uma distância relativamente próxima no placar (ao redor de 5 pontos), chegando a empatar em 99-99 a 2:41 do final. O que se seguiu a partir daí foi algo que não estamos acostumados – o melhor “finalizador” de partidas na NBA, Kobe Bryant, não conseguiu “finalizar” o Orlando Magic: errou um arremesso de 3 pontos com o jogo 101-99 para os donos da casa, errou um de dois lances-livres (no jogo errou 5 de 10) quando perdia por 104-101 e participou de um erro, junto com Pau Gasol, quando tinham a chance de empatar ou virar o jogo (estava 104-102 para o Magic) a 28 segundos do final.

O Orlando Magic fechou o jogo em 108-104 e agora perde a série por 2-1, evitando o buraco de estar perdendo por 3-0 (o que seria praticamente impossível de virar, já que estão enfrentando os Lakers e não os Yankees). Rafer Alston finalmente apareceu na série, com 21 pontos e com a confiança do técnico Stan Van Gundy, que o deixou em quadra por 37 minutos, limitando Jameer Nelson a apenas 11 (primeiro ajuste). J.J. Redick, que inexplicavelmente ficou muito tempo em quadra no jogo dois, sequer entrou em quadra no jogo 3 (segundo ajuste). Mikael Pietrus também se apresentou bem (18 pontos) e Dwight Howard finalmente apresentou números de seu calibre (21 pts, 14 rebs). Rashard Lewis e Hedo Turkoglu fizeram o que se espera deles (21 e 18 pts, respectivamente). Tudo isso, com o aproveitamento espetacular de arremessos e fica difícil perder um jogo.

Do outro lado, Lamar Odom não manteve a seqüência de boas atuações (apenas 11 pts e 2 rebotes). Pau Gasol manteve a regularidade no ataque (23 pts), mas pegou apenas 3 rebotes. e Kobe Bryant, que explodiu para 17 pontos no primeiro quarto e deu sinais de que veríamos uma apresentação memorável, não conseguiu manter o ritmo ofensivo e fez apenas 14 pontos no restante da partida, incluindo os erros de lances livres (5 de 10) e os 4 turnovers.

Mas o que intriga, como escrevi no começo desse post, é que, apesar de uma disparidade tão grande em alguns números e nas atuações dos jogadores, o Orlando Magic poderia perfeitamente ter perdido o jogo. Quando o segundo quarto terminou, os impressionantes 73% de aproveitamento nos arremessos representaram uma vantagem de apenas 5 pontos (59-54). E precisaram que Kobe Bryant não conseguisse fazer o último quarto que costuma fazer para escapar com a vitória. Por isso que acho que os Lakers têm muita chance de vencer o jogo 4, amanhã, pois é improvável que o Magic repita o aproveitamento nos arremessos e é improvável que Kobe Bryant cometa os mesmos erros (lembrou Michael Jordan naquele jogo de 1995, quando cometeu um erro primário num dos jogos da final do leste, contra o mesmo Orlando Magic e no mesmo ginásio, que custou a derrota dos Bulls). E é bom citar comentário feito pelo Jeff Van Gundy, durante a transmissão da ESPN, falando do jogo 2: "você sabe o quão grande um jogador é quando ele termina um jogo com 29 e insatisfeito com sua atuação".

Para finalizar, outros 2 comentários:

1) O trio que comanda o jogo na narração original da ESPN é espetacular: Mike Breen narrando (só não digo que é o melhor narrador de basquete por que Marv Albert é insuperável) e a dupla de comentaristas formada por Mark Jackson (ex-armador dos Knicks e dos Pacers) e Jeff Van Gundy (irmão do técnico do Orlando Magic, Stan Van Gundy e ex-técnico dos Knicks e dos Rockets). A narração é impecável, os comentários são precisos e ainda o humor entre eles é excelente.

2) Espetacular a abertura da transmissão feita pela ABC, com montagens de lances e cenas de finais passadas. Vale conferir:



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terça-feira, 9 de junho de 2009

JOGO 2 - LAKERS 101, MAGIC 96 (OT)



O jogo estava bem chato até o início do último quarto, começando com um primeiro quarto de menor placar combinado da história das finais da NBA (15x15). Rashard Lewis manteve o Orlando Magic no jogo com uma atuação monstruosa, especialmente quando marcou 18 dos 20 pontos do time no segundo quarto

Dwight Howard continuou sendo pressionado dentro do garrafão com constantes variações da defesa - às vezes marcação simples, as vezes com dobra, outras vezes com 3 marcadores, ou seja, ele não sabia o que esperar. Mas essa rotação defensiva dos Lakers, ao contrário do jogo 1, passou a chegar atrasada nos arremessadores, o que facilitou as coisas para (34 pts, 11 rebs, 7 assists) e Hedo Turkoglu (22 pts), cujos arremessos voltaram a cair.

O que eu não entendi foi no que o téncico Stan Van Gundy estaria pensando quando deixou J.J. Redick na quadra por 27 minutos, limitando os minutos de Rafer Alston e Coutney Lee. É verdade que os seus guards (Alston, Lee e Pietrus) ainda não apareceram para jogar na série. Também acho que o fato de ter escalado Jameer Nelson durante 24 minutos no jogo 1, alterando uma rotação que deu muito certo na série contra os Cavs, pode ter fuzilado a confiança de Alston. Mas manter o time em quadra por tanto tempo sem um armador e fazer com que a função de conduzir a bola seja apenas do Hedo Turkoglu (o que ele fez muito bem, diga-se de passagem)??? Realmente era necessário fazer algum ajuste depois do primeiro jogo, mas esse "ajuste" eu confesso que não entendi.

Já comentei dos problemas na rotação defensiva dos Lakers. No ataque também faltou um certo ritmo, o jogo estava estranho. A diferença foi a atuação de Lamar Odom no último quarto (4 boas atuações na sequência! Não sei se fico empolgado ou preocupado com o próximo jogo). E o jogo, que estava chato, ficou emocionante no final, com constantes trocas de liderança, até os dois lances finais. No primeiro, com o jogo empatado e a 9 segundos do final, Kobe Bryant recebeu a bola, passou pelo Turkoglu, que recebeu a ajuda de outros 3 caras de azul e conseguiu se recuperar, bloqueando o arremesso do número 24, recuperando a bola e pedindo um tempo a 0.6 segundos do final. O técinco Stan Van Gundy desenhou uma jogada depois de DOIS pedidos de tempo, que resultou num ponte aérea de Turkoglu para Courtney Lee, que se livrou da marcação de Kobe Bryant com a ajuda de um bloqueio nas costas do jogador dos Lakers. A bola chegou limpa para Lee, mas ele não conseguiu fazer a cesta. Se alguém disser que a culpa pela derrota foi ele por ter errado esse lance é porque nunca jogou basquete. O lance não era NADA fácil.

Nesse mesmo lance, há uma jogada polêmica. Quando Courtney Lee soltou a bola, Pau Gasol estava tocando a rede e o aro da cesta (aparentemente o aro não se moveu). A bola nem chegou a tocar o aro, ou seja, a interferência não ocorreu. E, segundo o s supervisor de arbitragem da NBA Bernie Fryer: "if Gasol's hand had shaken the basket, caused the stanchion to move or touched the rim while the ball was on the rim, the correct call would have been goaltending. But since none of those things happened, It was a cut-and-dried no-call." Muito pior foi um bloqueio de Dwight Howard sobre Lamar Odom durante o jogo, quando ele passou a mão pela parte interna do aro para bloquear a bola. Isso sim é interferência!

Prorrogação. E os Lakers conseguiram algumas paradas defensivas e algumas boas jogadas ofensivas (especialmente a assistência de Kobe para Gasol para uma jogada de 3 pontos que deu ao time 6 pontos de vantagem). Os Lakers escaparam com a vitória, memso num jogo no qual muita coisa deu errada e com as atuações muito boas de Rashard Lewis e Hedo Turkoglu. Mas Kobe (29 pts, 8 assists), Gasol (24 pts, 10 rebs) e Lamar Odom (19 pts, 8-9 FG, 8 reb e 3 blks) mais uma vez mostraram que, quando os 3 atuam bem, o time dificilmente perde.

Não consigo visualizar os Lakers perdendo 3 jogos seguidos, nem perdendo 2 jogos seguidos em casa. Por isso, acredito que a vitória de ontem tenha sido o passo decisivo para o título. Para o Orlando, o erro de Courtney Lee (de novo, era uma bola muito difícil) poderá ser incluído na história como o lance do "se", mas não chega perto do jogo 1 das finais de 1995, quando liderando por 3 pontos e com 4 lances-livres a favor, contra os Rockets, viram Nick Anderson desperdiçar TODOS, seguindo uma bola de 3 pontos de Kenny Smith que levou o jogo para a prorrogação e à vitória do Houston.
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