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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

MAGNIFICENT!

Lá no início dos anos 90, em 1991, para ser mais exato, o U2 corria a Europa e a América do Norte com a turnê Zoo TV, para divulgar o fantástico álbum "Achtung Baby" (ao lado do "The Joshua Tree", os melhores da carreira da banda, na minha opinião). A turnê não passou pelo Brasil, que na época ainda não estava da rota das grandes turnês, o que só mudou a partir de 1993, com a vinda de Madonna e Michael Jackson, e 1994, com a vinda dos Rolling Stones. Na época, ainda estudante de segundo grau, eu colocava como sonho de consumo assitir o U2 pelo menos uma vez na vida, nem que tivesse que ir para fora do Brasil. Felizmente, os irlandeses aterrisaram em São Paulo em 1998, na turnê Pop Mart e, depois, em 2006, com a turnê Vertigo. Assisti a 2 shows de cada turnê, todos no Estádio do Morumbi.

E agora, nessas últimas férias, tive a oportunidade de assisti-los pela primeira vez fora do Brasil (sonho de consumo realizado), no último dia 24 de setembro, no Giants Stadium em Meadowlands, East Rutherford, New Jersey (para facilitar, ali do lado de Nova York). Como ainda não há previsão de que a turnê 360º passe pelo Brasil, me considero um privilegiado. Privilegiado porque tive a oportunidade de presenciar uma das maiores produções já concebidas na história da música, com uma das minhas bandas favoritas e que atualmente pode ser considerada a maior do mundo. A turnê promove o ótimo "No Line On The Horizon", álbum lançado no início de 2009.

Aqueles fãs mais radicais da banda podem reclamar (e muitos estão reclamando) do excesso de músicas recentes no set list. Eu também costumava pensar assim, mas de uns tempos para cá mudei um pouco meu ponto de vista. Os caras já estão na estrada há quase 30 anos, por que não podem tocar o que bem entendem? Não gostou do set list, que deixa de ser surpresa após o primeiro show e varia muito pouco ao longo da turnê? Não vá! E mais: os álbuns lançados na última década, "All That You Can Leave Behind", "How To Dismantle An Atomic Bomb" e o próprio "No Line On The Horizon", são REALMENTE bons e trazem algumas músicas que causam um efeito impressionante quando tocadas ao vivo. Basta ver os vídeos que coloco a seguir, de "Beautiful Day", "Elevation" e "Vertigo". São músicas que passaram a ser obrigatórias em qualquer apresentação deles.

Não tocaram as minhas duas músicas favoritas: "Pride" e "Bad", mas saí mais do que satisfeito do show. Ouvir
"Unforgetable Fire", "Ultra Violet" e, principalmente
"Walk On" pela primeira vez valeu o ingresso. Além disso, como eu havia imaginado nos meus comentários sobre o álbum No Line On The Horizon, as novas "Magnificent" e "Get On Your Boots" ficaram muito poderosas ao vivo. Só gostaria de ter ouvido a versão original de "I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight", mas a versão remix me surpreendeu e combinou com o show.

E não dá pra não falar do palco. Já vi palcos espetaculares do próprio U2 nas turnês anteriores e dos Rolling Stones e, quando imaginava que não havia mais como inovar, eles aparecem com esse palco redondo, sem fundo, que possibilita a presença de público na área do estádio que normalmente fica desocupada, que é exatamente onde estávamos (não é a toa que foi o maior público da história do Giants Stadium), com uma bateria que em alguns momentos gira 180 graus - vejam o vídeo de "Beautiful Day" - e que faz com que eles circulem à vontade, até o círculo externo. E, como se não bastasse, um mega telão de 360 graus, que traz uma dinâmica sensacional ao show, não só com imagens, mas também com efeitos especiais (vejam em "Vertigo").

Sobre o público, tinha ouvido do meu amigo César, que esteve no show de Chicago, que o público do Brasil é imbatível em termos de empolgação (e deve ser mesmo), mas achei o público do Giants Stadium muito bom.

E, para finalizar, as clássicas "Sunday Bloody Sunday", "One", "With or Without You" e a melhor música do U2 para ser tocada em um show, cujo vídeo deixo abaixo. Deixei o estádio mais do que satisfeito. No balanço final, achei o set list da turnê passada (Vertigo) um pouco melhor, mas não tenho muito o que reclamar desse. Um show histórico para mim. E, quem sabe, não consiga vê-lo novamente em 2010, no Brasil ou em algum outro lugar?




quarta-feira, 13 de maio de 2009

OASIS EM SÃO PAULO


No último sábado assisti, pela quarta vez (1998, 2001 e 2006) a um show do Oasis, com a turnê "Dig Out Your Soul". Apesar da baita chuva (exatamente como em 2006), a galera (me senti meio velho, diga-se de passagem) que esteve no Anhembi acompanhou o show com empolgação e cantando todas as músicas. O que eu acho engraçado é que é difícil encontrar fãs da banda na minha faixa etária (34). Parece que é errado ser fã do Oasis, assim como parecia errado ser fã do Guns N' Roses no início dos anos 90. Bom eu era fã do GN'R até 1993, quando a banda acabou (sim, acabou!, as aparições do Axl Rose após 1993 não contam), apesar das baladas (algumas insuportáveis, como "Don't Cry") e do perfil nada carismático do vocalista. Mas não queria saber se o cara era um idiota ou não, desde que fizesse músicas que me agradassem. E o mesmo se aplica aos irmãos Gallagher (Lian e Noel, líderes e donos da banda) - eles ainda apresentam uma arrogância irritante e uma postura além do necessário (especialmente o Lian). É verdade que a essa altura já melhoraram bastante, talvez devido à idade e à vida mais tranquila, com filhos, etc. Já nem insistem mais em se intitular de "a maior banda do mundo" (absurdo em qualquer situação) e já trocaram de baterista mais vezes do que o Tony Almeida trocou de lado na atual temporada de "24" (até o filho do Ringo Star já passou por lá). Mas o fato é que o Oasis é uma das poucas bandas de qualidade que são relativamente novas (pouco mais de 15 anos de estrada) e ainda estarão por aí produzindo discos e turnês no futuro já não tão distante, conforme escrevi neste meu post de março. Além do Oasis, vejo apenas o Live, o Pearl Jam e o Green Day nessa condição (Radiohead e Coldplay também podem ser citadas em termos de importância, embora eu não seja fã).

O show foi, como sempre, tecnicamente irrepreensível. Decidiram colocar alguns hits na geladeira ("Roll With It", "Acquiesce" e "Live Forever"), mas compensaram muito bem com a inclusão do alguns "clássicos" que estavam esquecidos, como "Slide Away", "The Masterplan" e "Morning Glory". Acrescente as obrigatórias "Rock N' Roll Star", "Supersonic", "Cigarrets & Alcohol", "Don't Look Back In Anger" e "Champagne Supernova", mais o maior hit ("Wonderwall"), a excelente "The Shock Of The Lightning", do novo álbum "Dig Out Your Soul", e um cover dos Beatles ("I'm The Walrus") e temos um set list e tanto. Vale a mesma coisa que escrevi após o show do R.E.M. em novembro: sabemos que temos uma grande banda quando, mesmo com um set list de 21 músicas quase que irrepreensível (considerando que temos que aceitar algumas músicas novas ainda não tão empolgantes), ainda podemos citar tantas outras que ficaram de fora. Foi a quarta-vez que assisti aos ingleses de Manchester - o maior número de turnês de uma banda não-brasileira que já presenciei - e espero que eles continuem viabilizando novos álbuns e novas turnês para compensar a extinção das outras grandes bandas.

Deixo um vídeo que fiz durante o show: Don't Look Back In Anger (sem o mala do Lian e com a galera levando boa parte da música):



quarta-feira, 8 de abril de 2009

ROCK N' ROLL ALL NIGHT AND PARTY EVERYDAY!

Estou gostando cada vez mais dessa história de show de rock nos quais as bandas tocam apenas clássicos. No mês passado, foi o Iron Maiden, agora o Kiss. Estive na noite dessa terça-feira, dia 07, no show da turnê Alive!, que comemora os 35 anos da banda.

O show foi tudo o que se espera do Kiss: a tradicional maquiagem, pirotecnia pesada durante toda a apresentação, Paul Stanley falando as mesmas coisas para o público no começo de cada música, Gene Simmons cuspindo “sangue” na introdução de “I Love It Loud”, Paul Stanley voando sobre o público para cantar “Love Gun”, a bateria de Eric Singer subindo e descendo, e por aí vai...

O set list foi composto somente de clássicos (afinal, já faz 11 anos que a banda não lança nenhum trabalho de inéditas): a primeira parte consistiu do primeiro álbum ao vivo da banda , Alive! , de 1975, tocado quase que na íntegra, fechando com o hino da banda, “Rock N’ Roll All Nite”. Na segunda parte, tocaram os demais hits: “Shout It Out Loud”, “Lick It Up”, “I Love It Loud”, “I Was Made For Loving You Baby”, “Love Gun” e “Detroit Rock City”.

Os fãs saíram plenamente satisfeitos. Particularmente, gostei mais do show do Iron Maiden (deixando de lado os problemas de acesso e saída de Interlagos), não só pelo fato de considerar a banda melhor como um todo, mas também por achar que o set list foi melhor elaborado. De qualquer forma, como já escrevi antes, não me canso de assistir a essas bandas, pois entendo que as mesmas estão em extinção e em alguns anos as oportunidades de assistirmos a shows desse porte serão cada vez menos freqüentes, com algumas exceções. Uma dessas exceções será a minha próxima parada em termos de shows de rock: os ingleses do Oasis, que se apresentarão em São Paulo no dia 09 de maio.

sábado, 21 de março de 2009

GRANDES BANDAS EM EXTINÇÃO

Tirei a semana para escrever sobre música. Já escrevi sobre o show o Iron Maiden no último domingo e sobre o novo álbum do U2. Na minha opinião (e de muita gente também), o U2 é, atualmente, a maior banda do mundo, em termos de alcance de mídia, turnês, vendas, etc. Não é a minha favorita (o RUSH jamais perderá esse posto), mas está no meu “G8”, que são as 8 bandas que eu coloco acima de todas as demais, a saber: Rush, Genesis, Rolling Stones, U2, Queen, Pink Floyd, Ramones e Beatles. Com exceção das duas primeiras da lista, a ordem das demais acaba variando de tempos em tempos – a ordem que eu escrevi é a dos tempos atuais.

Lembro que em 1994, quando assisti aos Rolling Stones pela primeira vez, eles estavam completando 30 anos de carreira – agora, já estão com 45. DE CARREIRA! Das 8 bandas que eu citei, o U2, que é a mais “nova” de todas, estará completando no ano que vem TRINTA ANOS do lançamento do primeiro álbum, “Boy”. Há quase um mês estava escutando um Podcast do colunista da ESPN Bill Simmons, no qual ele conversava com um amigo exatamente sobre essa questão de que a maior banda dos dias atuais já poder ser considerada uma banda “velha” e deu o mesmo exemplo dos Rolling Stones no início dos anos 90. Comecei a pensar nisso e percebi que há uma falta de novas “grandes bandas”. Quem será a maior banda do mundo daqui a 10 ou 15 anos? Confesso que não vejo ninguém com perfil. De todas as bandas que surgiram nos últimos 20 anos (estou indo longe para procurar uma “nova” banda, eu sei), algumas potenciais ficaram pelo caminho, como Guns’N’Roses e Nirvana, e outras, como Pearl Jam, Oasis e Radiohead, ainda procuram chegar no espaço que está ainda está ocupado. Citei apenas 5 bandas, 2 das quais não existem mais (isso mesmo, pra mim o G’N’R não existe mais apesar do lançamento recente de ”Chinese Democracy”). É muito pouco.

Até para o meu gosto pessoal, a renovação é cada vez menor. Considerando de 1990 para cá, somente 4 bandas que surgiram a partir desse ano estão na minha lista de bandas das quais eu sou realmente fã: Pearl Jam, Oasis, Live e Green Day. Além dessas, sou capaz de citar apenas o Radiohead e o Coldplay, das quais eu não sou fã, como bandas que estão atingindo um patamar acima em termos de grandeza. E nada mais. Se eu estiver me esquecendo de alguma e alguém quiser me lembrar, fique à vontade, mas lembrem-se de considerar o critério de grandeza, não estou falando de qualidade e gosto – nesse linha de raciocínio, considero que o Live, por exemplo, estaria num patamar abaixo, apesar de ser excelente.

Aí começo a pensar nas décadas anteriores, especialmente os anos 70 e 80, que nos presentearam com dezenas de gandes bandas: Led Zeppelin, Rush, Black Sabbath, Deep Purple, Aerosmith, Pink Floyd, Genesis, Bruce Spingsteen, Iron Maiden, AC/DC, Metallica, Def Leppard, Van Hallen, Midnight Oil, R.E.M., Eric Clapton, Ramones, Queen, U2, The Who e, porque não?, Bon Jovi, Madonna e Michael Jackson, só para citar uma parte. Muitas delas ainda estão na ativa, mas por quanto tempo? E depois, teremos somente as poucas citadas anteriormente para assumir o espaço deixado?

Alguns motivos que podem explicar esse fenômeno: menor durabilidade das bandas, efeito internet – hoje se “vende” mais músicas de que álbuns e a mudança no próprio gosto das pessoas (basta ver a invasão de Hip Hop e R&B que acontece na mídia, especialmente nos Estados Unidos). Pode também ocorrer um outro fator, mais difícil de ser percebido por quem está ”vivendo o momento”: lembram-se quando nossos pais, tios, ou qualquer pessoa mais velha dizia que as coisas novas ouvíamos não podiam ser comparadas aos Beatles, por exemplo? De repente estamos fazendo parte da nova geração das “pessoas mais velhas”, que têm dificuldade em aceitar o novo. Particularmente, acho isso possível para explicar a falta de novas bandas que caem no meu gosto com o passar do tempo, mas acredito que não se aplica para justificar a falta de bandas que marcarão época, como aquele monte que eu citei dos anos 70 e 80.

Enquanto no esporte isso não acontece, na música já começo a pensar que em alguns anos dependeremos dos nossos CD’s e iPods para curtir nossos artistas favoritos.
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quarta-feira, 18 de março de 2009

NO LINE ON THE HORIZON

Há duas semanas venho intercalando minha trilha sonora diária com 2 álbuns: “Best Of The Beast” do Iron Maiden (afinal, estava no ritmo do show que aconteceu no último domingo) e o novo “No Line On The Horizon”, do U2. É sobre este último que vou comentar neste post.

Não costumo tirar conclusões sobre qualquer disco após ouvi-lo apenas uma vez. Gosto de ouvir algumas vezes para me acostumar e concluir se gostei ou não. Após ouvir “No Line On The Horizon”, décimo - segundo álbum de estúdio do U2, uma meia dúzia de vezes, cheguei à conclusão de que o U2, mais uma vez, mandou muito bem. Não vou chegar ao extremo de concordar com o Bono, que numa entrevista recente disse que se esse não for o melhor disco da carreira da banda, essa carreira teria sido irrelevante. Não, esse álbum não é o melhor da carreira da banda, mas sua carreira não passa nem perto de ser irrelevante. Aliás, muito pelo contrário.

Eu não seria louco de exigir um álbum melhor do que o anterior, o assustadoramente bom “How to Dismantle an Atomic Bomb” (2004), mas o nível ficou bem próximo, apesar de sons menos “comerciais”, do também muito bom “All That You Can’t Leave Behind” (2000), disco que retomou a volta da banda ao padrão estabelecido em “Acthung Baby” (1991) - que ao lado de “The Joshua Tree” (1987) são os meus favoritos. Esse padrão havia ficado meio perdido com os “experimentais” (não achei palavra melhor) “Zooropa” (1993) e “Pop” (1997).

Além de manter o padrão de sonoridade do U2 que estamos acostumados (leia-se tudo menos “Zooropa” e “Pop”, apesar de algumas faixas lembrarem também esses álbuns), “No Line On The Horizon” também pode ser encarado com uma síntese do que a banda fez nos últimos 18 anos. A faixa-título, que abre o álbum, poderia muito bem estar em “Achtung Baby”. A dançante “Magnificient” se encaixaria em “Pop” perfeitamente. “Fez – Being Born” e “Cedars of Lebanon” se destacariam em “Zooropa”. A música que está sendo usada para divulgação, “Get On Your Boots”, vem na mesma linha de “Vertigo”, “City Of Blind Lights” e “Beautiful Day”. E a minha favorita é a excelente “I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight”. E as demais faixas fazem uma boa amarração, especialmente “Moment Of Surrender” e "Breathe”.

Estou curiosíssimo para ouvir “Get On Your Boots” e “Magnificient” ao vivo – ambas têm tudo para serem muito poderosas no palco. As datas da turnê já foram divulgadas, mas até agora nenhuma notícia sobre uma possível passagem pelo Brasil, pelo menos em 2009. Porém, dessa vez devo tirar proveito da expressão “se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé”: por uma felicíssima coincidência, estarei nas terras de Tio Sam ao mesmo tempo em que os irlandeses estarão passando por lá e já estou programando o encontro no Giants Stadium no dia 24 de setembro.

E, quem sabe, revê-los no Brasil, em 2010.

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terça-feira, 17 de março de 2009

FINALMENTE... A FIGURINHA NÚMERO 1

"So understand
Don't waste your time always searching for those wasted years,
Face up...make your stand,
And realize you're living in the golden years.
"
Wasted Years, Iron Maiden


Em 1985 eu estava com 10 anos, na quarta-série e não sabia quase nada de música, muito menos de rock. Mas foi o ano do primeiro Rock In Rio e assistir a algumas daquelas apresentações, especialmente do Queen, do AC/DC e Iron Maiden, fez algum efeito significativo em mim. No mesmo ano, alguma editora lançou um álbum de figurinhas sobre bandas de rock. Virou uma febre no colégio. Todos os meninos começaram a colecionar (não tenho certeza, mas acho que o nome era "Hot Stamp"). Por alguma coincidência, uma das figurinhas mais difíceis de se conseguir e mais disputada era a primeira figurinha do álbum, a "Número 1". A figurinha em questão era uma foto do vocalista da primeira banda a ser apresentada pelo álbum. A banda? Iron Maiden. O tal vocalista? Bruce Dickinson. Depois de algum tempo acabei conseguindo a "Número 1" e acabei completando o álbum.

Passados alguns anos, em 1992 para ser mais preciso, eu já frequentava shows e o Iron Maiden se apresentaria no Brasil, no Estádio Palestra Itália. Era a chance de conferir a figurinha número 1 ao vivo. Por outra coincidência, acabei viajando para fazer a única coisa que gostava mais, na época, do que ouvir música: jogar basquete. Perdi o show. Mais alguns anos se passaram e Bruce Dickinson saiu da banda para seguir carreira solo e foi substituído por Blaze Bailey. Apesar de ter assistido a 2 shows com o novo vocalista, prefiro encarar essa fase como encaro Rocky V: é melhor fingir que nunca existiu. Felizmente, Bruce voltou. Por diversos motivos, acabei perdendo outros dois shows da banda no Brasil, em 2005 e 2008. Mas dessa vez não perdi.

Depois de 24 anos da "saga da figurinha número 1", finalmente pude assistir ao show da maior banda de Heavy Metal do mundo com o vocalista que fez história (o Paul Di'Anno que me desculpe, mas acho que a Ewing Theory se aplica para o Iron Maiden, assim como para o Van Halen).

Sobre o show, não poderia pedir mais. A turnê Somewhere Back In Time traz apenas clássicos (a música mais "nova" a ser tocada foi "Fear Of The Dark", que já tem quase 20 anos). Obviamente, sempre há aquelas que acabam ficando de fora, como "Heaven Can Wait", "Can I Play With Madness " e "The Clairvoyant" mas faz parte. Como reclamar do set list que traz na sequência "The Trooper" e "Wasted Years", ou "Run To The Hills" e "Fear Of The Dark", ou então "Hellowed Be Thy Name" e "Iron Maiden"? Ou um bis com "The Number Of The Beast", "The Evil That Men Do" e "Sanctuary"? Não dá pra reclamar, muito pelo contrário.

63.000 pessoas - o maior show da carreira do Iron Maiden, com exceção dos festivais.

Valeu a espera.

Só não posso deixar de registrar a indignação com a organização do show. A entrada e a saída eram feitas por apenas 1 portão. O show foi atrasado em 1 hora para que todos pudessem entrar no autódromo de Interlagos e, mesmo assim, começou com muita gente do lado de fora. A chuva que caiu no final da tarde de domingo transformou o gramado num verdadeiro lamaçal. E, após o show, demoramos quase uma hora para sair do local, pelo mesmo único portão de entrada, que nem aberto totalmente estava, graças a um cabo que ficou preso numa estrutura metálica de sinalização. Mais do que lamentável. Será muito difícil imaginar o quão melhor seria se houvessem várias saídas? Dando um exemplo extremo, 90.000 pessoas conseguiam sair totalmente do Ninho de Pássaro em Pequim, sem qualquer tumulto, em poucos minutos. O segredo? Múltiplas vias de acesso e saída. Já reclamamos do estádio do Morumbi com apenas 2 rampas para toda a arquibancada. Ontem passou dos limites.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

RAPID EYE MOVEMENT

Nem sempre vou escrever sobre esportes. E essa é uma das vezes. Você sabe que uma banda pode ser colocada entre as grandes da história quando você sai de um baita show e começa a lembrar de muitas outras excelentes músicas que não foram tocadas. Foi o que aconteceu comigo ao final do show do R.E.M. na última terça-feira, no Via Funchal em São Paulo. Foi a segunda vez que eu fui a um show deles, a primeira no Rock In Rio de 2001. E mais uma vez eles fizeram um show absolutamente impecável. A postura deles é exatamente a mesma, seja tocando para as quase 200 mil pessoas em 2001 ou para 3.000 nesse último show. Michael Stipe, um dos dois carecas mais legais do rock - o outro é Peter Garret do Midnight Oil - tem um carisma todo particular, Mike Mills é um músico pouco comentado, mas está para Michael Stipe assim com The Edge está para Bono. E Peter Buck consegue distorcer o som de sua guitarra sem afetar as belíssimas melodias.

Houve homenagem para Barack Obama, como descrito nesta matéria de O Globo. Particularmente, tendo a concordar mais com meu amigo Balu, que se preocupa quando a classe artística e intelecutal se alinha a favor de algum político. Ele estava falando em termos de Brasil, mas a relação com a eleição americana é maior do que se imagina.

Mas, voltando ao que realmente interessa nesse post, foi um show energizante. As imagens no telão, com as câmeras em constante movimento, saíram do habitual "apenas mostrar a banda" e criaram uma sensação de velocidade ou, por que não, de Rapid Eye Movement (o movimento dos olhos durante os sonhos - R.E.M.). Obviamente, as músicas que mais levantaram o público foram os hits Losing My Religion e Imitation Of Life, mas o que me deixou mais satisfeito foi a ausência de músicas dos discos mais recentes e o grande número de músicas álbuns dos anos 80 e do fantástico Automatic For The People, de 1992, que está na minha lista dos 10 melhores álbuns dos anos 90. O último álbum, Accelerate, é muito bom, talvez o melhor desde Automatic, com destaque para "Supernatural Superserious" e "Man-Sized Wreath". Recomendo!

E só uma grande banda pode se dar ao luxo de exibir um set list deixando de fora músicas com Fall On Me, The Sidewinder Sleepes Tonight, Stand, Pop Song 89, entre muitas outras. Em compensação, clássicos como Orange Crush e Pretty Persuation, as belíssimas Everybody Hurts e Nightswimming, Man On The Moon e o maior clássico, It's The End Of The World As We Know It (And I Fell Fine), deixaram esse fã mais do que satisfeito.

Set List:

1. Living Well Is the Best Revenge
2. These Days
3. What's the Frequency, Kenneth?
4. Driver 8
5. Drive
6. Man-Sized Wreath
7. Ignoreland
8. Exhuming McCarthy
9. Imitation Of Life
10.Pretty Persuasion
11. The Great Beyond
12. Everybody Hurts
13. 7 Chinese Bros.
14. The One I Love
15. I’ve Been High
16. Nightswimming
17. Bad Day
18. I’m Gonna DJ
19. Orange Crush
20. It's the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)

21. Supernatural Superserious
22. Losing My Religion
23. Maps and Legends
24. Begin the Begin
25. Man On The Moon