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sábado, 6 de fevereiro de 2010

COLTS X SAINTS - SUPER BOWL XLIV

Eu estava em Chicago em setembro e fui jantar numa segunda-feira à noite na ESPN Zone (uma pena não termos nada parecido aqui no Brasil... deu saudades até do antigo Valle Sports Bar). O restaurante estava relativamente cheio, pois as principais TV’s estavam ligadas no Monday Night Football, quando jogavam Miami Dolphins e Indianapolis Colts, em Miami. Foi um jogo impressionante: os Dolphins ficaram com a posse de bola em 45 dos 60 minutos de jogo e, com apenas 15 minutos de posse, Peyton Manning comandou a vitória dos Colts por 27x23, incluindo um drive final para virar o placar. Uma performance pra lá de eficiente. Esse jogo foi na semana 2 da NFL. Na semana 7, no mesmo estádio, era a vez do New Orleans Saints enfrentar os Dolphins, que abriram vantagem de 24x03 no meio do segundo quarto e ainda venciam por 34x24 ao final do terceiro quarto. No último quarto, os Saints viraram e venceram por 46x34.

E agora, no mesmo estádio, Colts e Saints se enfrentam no Super Bowl. No mesmo estádio onde Peyton Manning venceu seu primeiro Super Bowl, na temporada de 2006.

Seria legal ver a cidade de New Orleans comemorar a conquista do Super Bowl depois de tudo o que aconteceu desde o furacão Katrina, incluindo a utilização do Superdome como principal centro de desabrigados. E os Saints realmente têm um time fantástico, especialmente na parte ofensiva: Drew Brees é um quarterback que atingiu um nível próximo ao de Tom Brady e Peyton Manning, tem o melhor ataque da NFL e jogadores como Marques Colston, Reggie Bush, Pierre Thomas, Mike Bell e Jeremy Shockey. Sean Payton já demonstrou ser um técnico diferenciado e mestre em estratégias e motivação. E o principal defensor dos Colts (Dwight Freeney) está machucado e ainda não se sabe se vai jogar (se jogar, será na base de analgésicos para os ligamentos).

Mas ao mesmo tempo, ao ver a decisão da NFC, vimos os Saints sendo dominados pelos Vikings (Minnesota teve o dobro do número de jogadas) e conseguiram escapar com a vitória graças aos turnovers dos Vikings e algumas penalidades idiotas, especialmente a formação de 12 homens em campo a 1 minuto do final, quando Minnesota estava prestes a chutar o Field Goal da vitória e perderam jardas que impediram o chute. Uma derrota típica dos Vikings (uma das torcidas mais torturadas da história do esporte norte-americano).

Enquanto isso, os Colts, após um primeiro tempo dominado pelos Jets, que chegaram a liderar o jogo por 17x06, contavam mais uma vez com a genialidade de Peyton Manning para conseguir um touchdown no final do segundo quarto e a virada no segundo tempo. Os Colts não sofreram NENHUM ponto nos dois segundos tempos dos dois jogos dos playoffs que disputaram, contra Ravens e Jets. Conseguiram marcar 30 pontos contra a melhor defesa da liga (Jets) que, sofriam em média apenas 14 pontos por jogo. O que farão contra a 25ª defesa (Saints)?

Os Colts possuem Reggie Wayne, Austin Collie, Pierre Garçon (2 jogadores importantes num Super Bowl chamados Pierre? Qual a chance?) e Dallas Clark para receberem os passes. Os Colts não vão cometer os turnovers que os Vikings cometeram. E, em todos os jogos do ano nos quais os Colts entraram com força máxima e com foco na vitória, venceram (exceção aos dois últimos jogos da temporada regular, quando jogaram com os reservas e sofreram as duas únicas derrotas do ano).


E, o mais importante, temos Peyton Manning. Acompanho esportes há muito tempo e consigo listar poucos caras que me fizeram entender que contra eles não se aposta em hipótese nenhuma: Michael Jordan, Roger Federer, Ronaldo (talvez algum outro). A melhor temporada de um quarterback que eu havia acompanhado até hoje foi de Steve Young em 1994. A temporada de Tom Brady em 2007 ficou pra trás com a derrota no Super Bowl para os Giants. Peyton Manning, com a vitória nesse Super Bowl, superará a temporada de Steve Young e entrará definitivamente na discussão dos melhores quarterback da história, ao lado de Joe Montana e Johnny Unitas. Sem dúvida é o melhor quarteback de sua geração. E eu não sou louco de apostar contra ele em jogos importantes, assim como não se deve/devia fazer com Jordan/Federer/Ronaldo. Ele teve 2 semanas para estudar a defesa dos Saints (ele é conhecido por ser um especialista em desvendar as brechas das defesas adversárias) e tem um histórico impressionante em jogos importantes.

Torço para um jogo equilibrado, com os Saints pegando a dianteira a quatro minutos do final com um Field goal (o placar ficaria Saints 26-24) e Peyton Manning comandando uma última campanha para um touchdown de Reggie Wayne e a vitória por 31-26. Mas acompanho a opinião do ex-técnico dos Colts, Tony Dungy:

"Minnesota is playing in New Orleans, they turn the ball over five times, have two or three stupid penalties and still lose in overtime. I don't see how it's going to be close. The Colts aren't going to turn it over seven times."

Com isso, a torcida de jogo equilibrado vai pro espaço.

Palpite: Colts 38, Saints 23.

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

COLTS 35, PATRIOTS 34 - MAIS MÉRITOS DE PEYTON MANNING DO QUE CULPA DE BILL BELICHICK

Valeu muito a pena ter ficado acordado até tarde para acompanhar o jogo entre os times da década da NFL: New England Patriots e Indianapolis Colts (ok, os Steelers também entram na discussão). Além de serem 2 dos 3 times mais vitoriosos dos últimos 10 anos, ainda contam com os dois melhores quarterbacks desse mesmo período: Tom Brady (Patriots) e Peyton Manning (Colts).

O jogo foi em Indinapolis e, no início do quarto período, os Patriots pareciam ter total controle da situação, vencedo por 31x14. Ainda venciam por 34x21 a 4:12 do final. Em uma campanha de 79 jardas em 1 minuto e 49 segundos, os Colts reduziram a vantagem para 34x28, com 2:23 por jogar. Os Patriots começaram sua última campanha para fechar a partida e se depararam com uma situação de 4th down para 2 jardas na marca de 28 jardas de seu campo. A cartilha básica diz que a jogada correta é o punt, devolvendo a bola para o adversário o mais longe possível. Mas o técnico Bill Belichick, para descrédito de todos, partiu para a tentativa de conversão para ganhar mais 4 jogadas. A tentativa foi em vão e os Colts ganharam a posse de bola a 29 jardas da end zone. Quatro jogadas depois, Peyton Manning completava o passe na end zone para Reggie Wayne, completando uma das viradas mais espetaculares que eu já vi.

De repente, todo o foco ficou na decisão de Belichick, considerada uma loucura por muitos, incluindo os narradores da ESPN, Paulo Antunes e Everaldo Marques. Eu também tive a mesma sensação no momento. Mas, parando para pensar, cheguei a conclusão de que, se não foi uma decisão 100% correta, foi, no mínimo mais do que lógica. Por que? Porque no outro time havia um monstro chamado Peyton Manning. Já mencionei que ele havia conduzido uma campanha de 79 jardas em pouco menos de 2 minutos para reduzir a vantagem para 34x28. Pois essa já era a SEGUNDA campanha de 79 jardas resultante em touchdown naquele quarto! Pouco antes, em 2 minutos e 4 segundos, ele havia conduzido outra campanha, também de 79 jardas, para reduzir a vantagem para 31x21. O play-by-play do último quarto pode ser visto aqui.

Nesse ponto temos que pensar com a cabeça de Belichick. Restavam pouco mais de 2 minutos para o final do jogo. Um punt levaria a bola para a marca de 30 a 40 jardas do campo adversário, deixando de 60 a 70 jardas a serem percorridas em 2 minutos, coisa que já havia sido feita por duas vezes somente naquele quarto! Com o histórico de decisões arrojadas (e na maioria das vezes eficazes) ao longo da carreira, o técnico dos Patriots procurou fazer o que considerava mais seguro, que era manter a posse de bola e não dar a chance para Manning. Por algumas polegadas o plano não deu certo.

Desde que acompanho a NFL (cerca de 20 anos), só consigo citar 5 quarterbacks que poderiam provocar tal decisão: Joe Montana, Steve Young, Brett Favre, Tom Brady e Peyton Manning. Todos com histórico de várias viradas incríveis em finais de jogos, em campanhas longas e rápidas. Dois deles estavam em campo ontem e estão disputando uma vaga na minha lista de melhores atletas da década (detalhes em breve). Um deles provocou uma decisão que, embora questionável, era lógica e teve mais uma chance de conseguir mais uma vitória. E quando Kevin Faulk ficou a algumas polegadas de completar o 4th down, todos sabiam que os Colts venceriam o jogo. Peyton Manning ganhou o jogo, manteve seu time invicto na temporada (9-0), ganhou mais pontos para conquistar o prêmio de MVP pela quarta vez na carreira, o que será o recorde na história da NFL e ainda levou mais um ponto em seu favor para entrar na minha lista.

Ontem assistimos aos 4 melhores times da AFC em campo (mais cedo, a Band Sports havia transmitido a vitória do Cincinatti Bengals sobre o Pittsburgh Steelers). Após ver esses jogos, estou com a sensação de que teremos mais um duelo entre Patriots e Colts em janeiro, novamente em Indianapois e dessa vez, provalvente, por uma vaga no Super Bowl. E todos sabemos o que pode acontecer se Peyton Manning tiver a chance de ganhar o jogo.

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