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terça-feira, 28 de abril de 2009

RONALDO

Estou querendo escrever sobre o Ronaldo desde a semana passada, quando o vi jogar, estando in loco, pela primeira vez, apesar dos seus já 15 anos de carreira. A correria do dia-a-dia não permitiu. Mas, depois do jogo de domingo, contra o Santos, resolvi achar uma brecha nessa correria (semana pré-mini-férias) para registrar o meu sentimento sobre o craque.

Em condições normais, sairia puto da vida do Morumbi no último dia 19, afinal, ser desclassificado para o Corinthians costuma ser a morte. Mas não foi bem assim. O sentimento não era de felicidade, aliás não consigo descrever qual era exatamente esse sentimento, mas era algo como satisfação por ver o maior jogador brasileiro dos últimos 20 anos (me desculpe, Romário) dando um pique daqueles e fazendo o segundo gol. Não me importa se foi falha ou não do zagueiro Rodrigo do São Paulo, que perdeu na corrida para um "gordo" e do golerio Bosco, que não saiu a tempo do gol - o cara chegou no final do pique a TRINTA E SEIS KILÔMETROS POR HORA!

Se isso não bastasse, vem o primeiro jogo da final do campeonato paulista, contra o Santos. Dois golaços. No primeiro, uma matada de uma bola que chegou com um "bicão", já ajeitando para o pé esquerdo e o chute colocado e certeiro. No segundo gol, a antecipação visual da posição do goleiro, o drible de letra e o toque de mestre para encobrir Fábio Costa. Um gol que marcará história como o gol do Alex contra o São Paulo (quando o José Silvério também gritou "QUE GOLAÇO" 3 vezes antes de soltar a garganta) e o gol do Marcelinho contra o próprio Santos, também na Vila Bermiro.

A reação generalizada pelos gols decisivos que o Ronaldo vem marcando mostra que, para determinado nível de atleta, as paixões "clubísticas" ficam de lado. Ronaldo está acima de tudo isso. Sorte nossa de podermos presenciar e acompanhar mais um daqueles caras que nos farão contar histórias aos nossos netos. Todos sabem que sou um aficcionado por basquete e pelos Los Angeles Lakers. Mas não conseguia ficar chateado quando via Michael Jordan acabar com os jogos. Com Ronaldo, é algo parecido.

Para concluir, deixo o excelente texto de Paulo Calçade, no site da ESPN Brasil:

O que falar de Ronaldo?
por Paulo Calçade, blogueiro do ESPN.com.br

O que falar de Ronaldo?
Que há quatro meses ele parecia mais fora do futebol do que dentro?
Que ele ainda luta heroicamente contra os quilos a mais que a balança insiste em mostrar?
Que ele tem justificado no Corinthians cada letra do apelido?
É, o Fenômeno decidiu mais uma partida.
Onde no início havia apenas uma grande jogada de marketing agora existe um jogador de futebol de verdade, um sujeito motivado e feliz.
Amparado por competentíssimos profissionais brasileiros, como o fisioterapeuta Bruno Mazziotti, R9 tem exibido força e velocidade, num trabalho de recuperação que merece entrar para a literatura médica do país.
Ronaldo faz, no Brasil, o que seus últimos anos na Europa não lhe permitiram.
Ah, os zagueiros estão aliviando a marcação...
Não foi essa a realidade do jogo.
A vitória sobre o Santos mostrou algo muito mais interessante: num futebol repleto de gente que se assusta diante do gol, Ronaldo simplifica, apresenta uma tranquilidade absurda, que pode ser confundida.
Parece que os adversários não querem tocá-lo. O problema é que não conseguem.
Quando a bola chutada por Chicão foi dominada, chegou ao gramado pronta para ser finalizada.
O terceiro gol corintiano aconteceu bem na minha frente. Durante toda a ação, não acreditei que ele tocaria por cobertura, não faria o mais difícil, passaria para Elias.
A dificuldade de um é a facilidade do outro.
Genial.
É muito bom poder ver esse tipo de jogador em gramados brasileiros, afinal o normal é vendermos os craques e compramos os campeonatos onde eles jogam.
Com Ronaldo tem sido diferente.
O jogo não acabou, mas o Corinthians deixou a Vila Belmiro debruçado sobre a taça de campeão paulista.
O Santos preferiu insistir nos mesmos erros que lhe custaram a vaga na Copa do Brasil. Mas do outro lado não havia mais o CSA.
Vagner Mancini terá de fazer o time acreditar, mas são duas pancadas muito fortes num curto espaço de tempo.
E não basta apenas acreditar, o gol não pode ser um detalhe. É preciso marcá-lo. E isso Ronaldo continua sabendo fazer muito bem num momento em que Kleber Pereira anda tão distante.


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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

RONALDO NO CORINTHIANS



Considero Ronaldo, ao lado de Zidane, os dois maiores jogadores de futebol dos últimos 15 anos (época pós-Maradona). Ronaldo teve, pelas minhas contas apenas 6 temporadas de altíssimo nível (1994 a 1998 e 2002) - e foi eleito o melhor do mundo em 3 dessas 6 temporadas (1996, 1997 e 2002). Imagino como seria se não fossem as contusões.

E agora ele é anunciado como reforço exatamente do time que o mais torço contra: o Corinthians. Não consigo torcer contra Ronaldo, da mesma forma que jamais consegui torcer contra Michael Jordan ou Tim Duncan, mesmo nas vezes em que eles passavam por cima dos Lakers. Isso não quer dizer que vou deixar de torcer contra o Time-da-Marginal-Sem-Número - continuo querendo que eles voltem a comemorar o título da segunda divisão muitas e muitas vezes. Mas ao mesmo tempo não vou deixar torcer para que Ronaldo se recupere e volte a ser, se não o mesmo dos anos já citados, pelo menos aquele que tenha condições de voltar à Seleção Brasileira.

Aí que está um dos dois problemas que vejo nessa contratação ousada do Corinthians: em 2002, ele surpreendeu o mundo ao se recuperar a tempo para se tornar o artilheiro da Copa do Mundo, trazendo o penta para o Brasil. Mas naquela época, ele tinha 26 anos. Agora, com 32, qual a chance de que isso volte a acontecer (pelo menos num nível razoável)? Tenho minhas dúvidas.

Além disso, como os outros jogadores do time vão encarar ter uma estrela no time, com um mega-salário (falam de algo que pode variar de R$ 400 mil a R$ 1 milhão), com um tratamento fatalmente diferenciado (participação dos patrocínios e amistosos)? Estarão todos dispostos a correr pelo artilheiro ou pode acontecer algo semelhante ao que aconteceu com o São Paulo quando contratou Ricardinho a peso de ouro em 2004? É verdade que há indícios de que a chance de que o Fenômeno conquiste os colegas seja muitíssimo maior que aquelas que Ricardinho teve (diziam que o maior problema não era o alto salário, mas sim a fama de leva-e-traz). Ronaldo já começou agindo certo na entrevista exibida pelo Jornal Nacional de terça-feira, quando mandou anunciar que "estava chegando mais um louco para o bando de loucos que já estava lá". Obviamente a torcida está indo à loucura (dizem que Sãopaulino é chato - o que não deixa de ser verdade, com a diferença de que Sãopaulino é aquele chato com razão - aguenta a curintianada agora), e o retorno em bilheteria, venda de camisa e direito de TV serão garantidos.

Agora "só" falta ele se recuperar (problema número 1) e mostrar que pode ser estrela num time que comeu o pão que o diabo amassou na série B sem tirar a motivação dos demais (problema número 2). O Bola lembrou que, em 1966, o Corinthians contratou Garrincha - foram 10 jogos e 2 gols, nada mais. Torço para que Ronaldo se dê melhor que isso, mas apenas o suficiente para voltar a merecer o posto na Seleção Brasileira, não precisa se preocupar em trazer nenhum título para o Parque São Jorge.

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